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Real Madrid elogia oposição da Uefa a 'plano de privatização' da Copa do Mundo

Em nota, equipe espanhola diz que a Copa pertence às nações e critica a venda de receitas futuras das competições

Oposição ao projeto da Fifa: "O Real Madrid se opõe firmemente a qualquer tentativa de vender as receitas comerciais futuras das competições sem assumir em troca nenhum de seus custos ou riscos", disse o clube em nota ( (Foto: Dennis Agyeman / AFP7 via Getty Images))

Oposição ao projeto da Fifa: "O Real Madrid se opõe firmemente a qualquer tentativa de vender as receitas comerciais futuras das competições sem assumir em troca nenhum de seus custos ou riscos", disse o clube em nota ( (Foto: Dennis Agyeman / AFP7 via Getty Images))

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 16h17.

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A crise provocada pela proposta de comercialização de ativos da Fifa ganhou um novo capítulo neste domingo, 2. O Real Madrid divulgou um comunicado oficial em que agradece à União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e às demais entidades futebolísticas que, segundo o clube, se posicionaram "com firmeza e responsabilidade" contra o projeto de privatização das receitas futuras da Copa do Mundo e de outras competições.

Embora a Uefa tenha desistido da ameaça de boicotar torneios organizados pela Fifa após a entidade recuar da proposta, o impasse segue longe de um desfecho. Integrantes do conselho da federação internacional articulam a convocação de uma reunião extraordinária para discutir a condução do presidente Gianni Infantino.

Na avaliação do clube espanhol, a reação das entidades foi decisiva para proteger o futebol em um momento considerado crucial. O Real Madrid também afirmou ver de forma positiva a decisão da Fifa de abandonar o projeto, classificando o recuo como uma "boa notícia".

No comunicado, o clube ressalta que os times são a base do futebol de seleções, já que são responsáveis por revelar, formar e desenvolver os atletas que posteriormente defendem seus países em competições internacionais. Por isso, defende que a Copa do Mundo e o futebol de seleções "jamais sejam tratados como simples ativos financeiros destinados a beneficiar poucos".

O Real Madrid também destacou que considera o Mundial um patrimônio pertencente às nações. Na edição mais recente do torneio, dez jogadores do elenco defenderam suas respectivas seleções, entre eles o atacante brasileiro Vini Jr.

"O Real Madrid se opõe firmemente a qualquer tentativa de vender as receitas comerciais futuras das competições sem assumir em troca nenhum de seus custos ou riscos", disse o clube em nota. "São os clubes que os suportam, e qualquer iniciativa que pretenda se apropriar das receitas futuras do futebol sem assumir as responsabilidades que as geram é inaceitável e não deve ser considerada novamente", acrescentou.

O clube também recordou que adotou posição contrária ao acordo firmado pela La Liga com um fundo de investimento privado, por entender que a antecipação de receitas do audiovisual cria um precedente que não deve ser repetido no futebol.

Plano durou apenas três dias

A desistência de Infantino de criar uma empresa para negociar participações nos ativos comerciais da Fifa não foi suficiente para conter a crise política na entidade. O projeto previa captar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões), valor que, segundo a Fifa, seria destinado ao desenvolvimento do futebol.

No dia seguinte ao recuo, a Uefa declarou que deixou de confiar na atual administração da federação internacional e informou que pretende atuar em conjunto com outras confederações para discutir mecanismos capazes de impedir que propostas semelhantes avancem futuramente.

Em nota divulgada no sábado, 1°, a entidade europeia afirmou que o episódio evidenciou uma quebra de confiança entre a Fifa e parte de suas associações filiadas, além de criticar a falta de transparência na condução do projeto. A Uefa também informou que fará uma análise aprofundada do caso e não descarta mudanças na forma como decisões dessa natureza são submetidas aos membros da organização.

A Concacaf, responsável pelas federações da América do Norte, América Central e Caribe, também criticou a proposta. Em comunicado, afirmou que um projeto dessa dimensão não chega a um estágio avançado por acaso e ressaltou que a Fifa não deve ser tratada como uma empresa privada, mas como uma instituição responsável pela guarda dos interesses do futebol e de seus integrantes.

A entidade acrescentou que a iniciativa de Infantino reflete uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro plano e classificou a condução do caso como mais um exemplo de falhas de governança e de decisões unilaterais.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se manifestou contra a proposta. Somadas, Uefa, Concacaf e AFC representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa, formando uma maioria suficiente para inviabilizar politicamente o projeto. A pressão conjunta das três confederações foi determinante para que Infantino abandonasse a iniciativa apenas três dias após sua divulgação pública.

(*) Com informações do O Globo.

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