Copa do Mundo: Paquetá sai de jogo contra o Japão e é amparado por Neymar e Endrick (Kenneth Fernández/EFE)
Repórter
Publicado em 1 de julho de 2026 às 08h58.
Pela segunda vez na Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti será obrigado a mexer no time por imposição, e não por escolha.
Lucas Paquetá, titular nas quatro partidas do Brasil no torneio, sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda diante do Japão e está fora das oitavas de final, contra a Noruega, no próximo domingo, 5, às 17h, no horário de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
O meia deixou o gramado ainda no intervalo da vitória por 2 a 1, amparado por Neymar e Endrick, e exames confirmaram a lesão nesta terça-feira, 30. A CBF não divulgou prazo de recuperação, mas a expectativa nos bastidores é de que ele só volte em uma eventual disputa de quartas de final, se o Brasil avançar. A dúvida agora é quem herda a vaga contra os noruegueses.
Paquetá era uma das peças de mais confiança de Ancelotti justamente pela função que exercia: ligar o meio-campo ao ataque, dar intensidade na marcação e ajudar na recomposição defensiva.
Não é um camisa 10 clássico, mas um meia de ida e volta, o tipo de jogador que equilibra as transições — a marca do Brasil pragmático montado pelo italiano.
A perda ganha peso extra diante do adversário.
A Noruega chega às oitavas apostando em força física, transições rápidas e no poder ofensivo de Erling Haaland e Alexander Sørloth — exatamente o tipo de jogo em que a capacidade de marcação e recomposição de Paquetá faria falta.
A escolha do substituto, portanto, não é só trocar um nome: pode mudar o desenho do time.
Danilo Santos, do Botafogo (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
A alternativa mais direta é escalar o volante Danilo Santos, do Botafogo, que atua na mesma faixa de campo e entrou nos jogos contra Marrocos, Haiti e Japão. É a mudança que preserva o desenho tático intacto, mantendo o meio-campo com Bruno Guimarães, Casemiro e Matheus Cunha nas mesmas funções.
Seria a opção que menos altera o time e a que mais faz sentido diante de uma Noruega perigosa nas transições, por reforçar a proteção defensiva — troca peça por peça, sem mexer no sistema.
Gabriel Martinelli: jogador foi autor do gol de classificação do Brasil
O autor do gol da classificação contra o Japão surge como opção mais ofensiva. A entrada de Martinelli, do Arsenal, não exigiria necessariamente troca de esquema, mas demandaria reorganização defensiva, com o lateral-esquerdo Douglas Santos tendo de se conter mais.
Foi justamente Martinelli quem Ancelotti acionou para dar mais poder ofensivo na reta final contra o Japão, sinal de que o técnico confia nele para atuar de forma mais centralizada, e não só aberto pela ponta.
Endrick: jogador pode ser aposta mais ofensiva de Ancelotti ((Foto: Patricia de Melo Moreira / AFP))
Caso o Brasil precise de mais presença de área, Ancelotti pode partir para uma formação mais ofensiva, o 4-2-4 — repetindo a estratégia adotada logo após a saída de Paquetá contra o Japão, quando Endrick entrou em seu lugar. O jovem de 19 anos ganharia espaço nesse desenho mais agressivo.
A troca, porém, tem um custo diante de uma Noruega que vive de contra-ataques: o Brasil perderia intensidade na marcação e na recomposição, apostando mais no poder de fogo do que no equilíbrio. É a mudança de maior risco.
Neymar: após retornar contra a Escócia, o camisa 10 ficou no banco novamente (PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
O camisa 10 também entra na conta, mas de forma condicionada.
Embora seja uma alternativa, Ancelotti tem indicado que prefere usá-lo na vaga de Matheus Cunha ou de um dos atacantes de frente, como Vini Jr. ou Rayan, e não como o meia de ligação que Paquetá representa.
O uso do camisa 10 parece reservado a momentos de maior necessidade de risco durante a partida.
A lesão de Paquetá não é a única baixa.
O atacante Raphinha, do Barcelona, se machucou contra o Haiti, ainda na fase de grupos, e também é dúvida — em seu lugar, Ancelotti vem utilizando o jovem Rayan, de 19 anos.
Vale lembrar que, pelo regulamento da Fifa, o Brasil não pode convocar um substituto para jogadores de linha lesionados, já que o prazo se encerrou antes da estreia.
A definição sobre quem assume a vaga deve tomar forma nos treinos dos próximos dias em Nova Jersey. Seja qual for a escolha, Ancelotti terá de recalibrar, pela primeira vez sob pressão, o equilíbrio que sustentou a campanha brasileira até aqui.