Criado na Inglaterra no século XIX, o termo soccer caiu nas graças dos Estados Unidos (Getty Images/Getty Images)
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Publicado em 8 de junho de 2026 às 14h00.
Apesar de ser mais popular nos Estados Unidos, o termo "soccer" foi inventado na Inglaterra na década de 1880 por estudantes da Universidade de Oxford.
A palavra nasceu como uma abreviação de "Association Football", nome oficial dado ao esporte e teve como principal função diferenciar o esporte do rúgbi.
Com o passar das décadas e a expansão global dos esportes britânicos, o termo cruzou os oceanos e encontrou terreno fértil em países que já possuíam seus próprios "futebóis".
Nos Estados Unidos e no Canadá, onde o futebol americano e o futebol canadense já haviam dominado a preferência popular sob a alcunha de football, adotar definitivamente o soccer foi a solução mais lógica.
O mesmo fenômeno ocorreu na Austrália, na Irlanda e na África do Sul, nações onde o rúgbi ou o futebol australiano dividiam as atenções do público.
Como visto, a nomenclatura do esporte foi criada em 1863, quando a Football Association (FA) foi fundada em Londres para padronizar as regras do jogo. Naquela época, a Inglaterra vivia uma profusão de esportes praticados com os pés e as mãos.
A criação da FA serviu para separar o "Association Football" do "Rugby Football", modalidade que permitia aos jogadores carregar a bola com as mãos e que havia nascido na tradicional Rugby School.
Foi nesse cenário de divisão esportiva que os estudantes da Universidade de Oxford entraram em cena.
Durante a década de 1880, a elite acadêmica britânica desenvolveu uma tendência linguística peculiar conhecida como "Oxford -er". O hábito consistia em encurtar palavras e adicionar o sufixo "-er" ao final delas.
O "Rugby Football" rapidamente virou "rugger". Seguindo a mesma lógica, o "Association Football" foi transformado em "assoccer" e, em pouco tempo, reduzido apenas para "soccer".
A lenda urbana mais famosa dos corredores universitários atribui a invenção exata da palavra a Charles Wreford-Brown, um estudante de Oxford e futuro capitão da seleção inglesa.
Relatos apontam que, ao ser questionado por amigos se gostaria de jogar uma partida de "rugger" após o almoço, Wreford-Brown teria respondido de forma irônica que preferia jogar "soccer".
Independentemente da autoria de um único indivíduo, a expressão tornou-se o vocabulário padrão entre os jovens aristocratas antes de se espalhar pelas ruas de Londres.
Para entender melhor como a palavra foi sendo adaptada ao longo dos anos, é preciso observar a linha do tempo linguística do esporte.
Abaixo, os principais momentos que definiram como o mundo chama a modalidade de futebol mais popular do planeta.
A criação da entidade máxima na Inglaterra estabeleceu o termo oficial "Association Football", separando definitivamente as regras do jogo jogado com os pés das práticas violentas do rúgbi.
A adoção do sufixo "-er" pelos alunos de Oxford transforma a palavra "association" em "soccer", criando um apelido amigável que ganhou popularidade na alta sociedade britânica.
O termo chega à América do Norte junto com os imigrantes. Nos Estados Unidos, o "gridiron football" já dominava a atenção nacional, forçando a adoção da gíria britânica para evitar confusão nos jornais e nos estádios.
Durante décadas após a Segunda Guerra Mundial, os próprios ingleses usavam as palavras "football" e "soccer" de forma totalmente intercambiável, inclusive em transmissões oficiais de rádio e televisão.
Com a explosão da popularidade da modalidade nos Estados Unidos, a imprensa e os torcedores ingleses passaram a rejeitar a palavra, associando-a a uma americanização indesejada do seu esporte nacional.
A rejeição atual dos ingleses à palavra que eles mesmos criaram é um fenômeno sociológico recente. Até a década de 1970, publicações esportivas britânicas e lendas do esporte usavam o termo naturalmente, sem qualquer conotação negativa.
O cenário mudou radicalmente quando ligas de futebol nos Estados Unidos começaram a ganhar holofotes mundiais ao importar tecnologia de entretenimento e astros em fim de carreira. A palavra virou sinônimo do modelo de negócios esportivo americano.
Nos Estados Unidos, a manutenção do termo foi uma questão de sobrevivência prática.
O futebol americano, derivado das mesmas raízes do rúgbi, já havia monopolizado a palavra "football" na cultura de massas, nas universidades e na televisão.
Chamar o esporte jogado com os pés de futebol em solo americano criaria um caos comercial e logístico.
Esse mesmo pragmatismo linguístico ocorreu em outros países de colonização britânica: Austrália, Canadá e Nova Zelândia também utilizaram "soccer" por décadas, pois já possuíam suas próprias versões locais de "football".
A ironia que cerca a palavra reflete a própria expansão global do esporte. O que nasceu como uma brincadeira da aristocracia inglesa tornou-se a identidade da modalidade na maior economia do mundo, gerando uma rivalidade linguística que ressurge a cada edição da Copa do Mundo.