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Por que liga de golfe pediu falência após gastar R$ 25 bilhões e qual o futuro do torneio

Circuito criado para rivalizar com o PGA Tour busca reestruturação financeira após corte de verbas do fundo soberano da Arábia Saudita.

Corte de verbas do fundo soberano da Arábia Saudita complicou finanças da nova liga de golfe profissional. (Thinkstock/Ingram Publishing) (Thinkstock/Ingram Publishing)

Corte de verbas do fundo soberano da Arábia Saudita complicou finanças da nova liga de golfe profissional. (Thinkstock/Ingram Publishing) (Thinkstock/Ingram Publishing)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 13h41.

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Após cinco anos de operação e aproximadamente US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,5 bilhões) investidos em contratações e infraestrutura, a verdadeira situação financeira da LIV Golf, o circuito dissidente que tentou rivalizar com o tradicional PGA Tour, foi revelada. Em uma tentativa de garantir sua sobrevivência a longo prazo, a organização de golfe protocolou pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos tribunais dos Estados Unidos.

Segundo reportagem do The Athletic, a liga busca utilizar o processo legal para reestruturar passivos acumulados e retornar às atividades em 2027 como uma empresa enxuta e viável.

Os documentos judiciais protocolados detalham o ritmo com que a organização consumiu o capital injetado por seu fundador e mantenedor, o Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita. A crise ganhou contornos definitivos em abril, quando o PIF anunciou a suspensão do financiamento além da temporada de 2026. Apenas a entidade britânica LIV Golf Ltd, que supervisiona operações fora dos Estados Unidos, reportou perdas de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) no final de 2024, montante que se aproxima da casa dos US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) nas projeções para o fim de 2025.

O compromisso total de capital do fundo saudita entre o meio de 2021 e fevereiro de 2026 bateu a marca de US$ 5,3 bilhões (R$ 27 bilhões). Após interromper a injeção de ações, o PIF concedeu um empréstimo cujo saldo devedor atualiza em US$ 495 milhões (R$ 2,5 bilhões), colocando o próprio fundo saudita na posição de credor prioritário na fila de pagamentos. Sem o suporte irrestrito, a capacidade do circuito de honrar seus passivos — estimados em mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) — tornou-se insuficiente, segundo a reportagem do The Athletic.

A dívida milionária e o modelo 'LIV 2.0'

O processo de falência engatilha uma operação de reestruturação. A liga almeja seguir operando com o suporte financeiro da BC Partners, empresa de capital de investimentos com sede em Londres. O plano central da gestão é instituir o modelo provisoriamente chamado de "LIV 2.0". Sob essa estrutura, 52,5% das cotas da organização seriam repassadas aos atletas, 45% alocadas para novos investidores e 2,5% mantidas sob o controle gerencial.

Os custos com contratos de jogadores compõem a maior fatia das despesas operacionais da entidade. Para atrair os principais nomes do esporte e desestabilizar o PGA Tour, estima-se que a liga distribuiu pelo menos US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões) em acordos garantidos, além de US$ 1,36 bilhão (R$ 6,9 bilhões) em premiações. O pedido de recuperação judicial concede à liga a possibilidade legal de rejeitar e invalidar contratos vigentes considerados insustentáveis, forçando uma repactuação ou liberando os golfistas para assinarem com outros circuitos.

A lista de credores arrolados no processo explicita o peso das estrelas do esporte no desequilíbrio contábil. Sete dos principais credores sem garantias são jogadores, com valores pendentes referentes ao terceiro trimestre. O espanhol Jon Rahm figura no topo da lista com faturas pendentes de US$ 7,4 milhões (R$ 37,7 milhões), seguido por nomes como Bryson DeChambeau, Dustin Johnson e Cameron Smith.

A liberdade contratual dos atletas e as decisões judiciais iminentes prometem redesenhar o cenário do golfe internacional. Enquanto executivos da liga buscam finalizar termos com novos investidores para viabilizar temporadas expansivas a partir de 2027, atletas avaliam possibilidades de reintegração em outros circuitos, como o DP World Tour, mediante cumprimento de sanções.

O recuo do PIF neste projeto, segundo comunicados oficiais avaliados pelo The Athletic, decorre da ausência de sustentabilidade da iniciativa, sem indicar o fim dos investimentos estatais sauditas em grandes projetos esportivos. Clubes de futebol europeus financiados pela nação continuam com orçamentos ativos, indicando que o foco se deslocou do circuito independente de golfe para a organização estrutural de torneios de peso global dentro de suas próprias fronteiras.

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