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Por que a Fifa mudou o formato da Copa do Mundo? Especialistas explicam os principais motivos

Com 48 seleções, número recorde, entidade definiu o modelo de disputa para 2026

Na visão de especialistas, apesar destes números expressivos, a Fifa busca aumentar ainda mais a sua rentabilidade (Anadolu Agency/Getty Images)

Na visão de especialistas, apesar destes números expressivos, a Fifa busca aumentar ainda mais a sua rentabilidade (Anadolu Agency/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 15 de março de 2023 às 16h17.

A Copa do Mundo no Catar marcou a despedida do formato de disputa com 32 seleções, que está consolidado desde 1998, edição da França. A partir de 2026, o Mundial terá, pela primeira vez na história, 48 equipes e três países sedes: Canadá, Estados Unidos e México. O Conselho da Fifa definiu a fórmula de disputa do torneio: 12 grupos com quatro integrantes cada, sendo que os dois melhores colocados de cada chave e os oito melhores em terceiro lugar avançam para a fase de mata-mata.

Durante o ciclo da organização da Copa, entre 2019 e 2022, a Fifa arrecadou US$ 7,5 bilhões. De acordo com o levantamento do portal Sport Business, se considerar apenas a venda dos direitos de patrocínio, o faturamento alcançado foi de US$ 1.74 bilhão, um aumento de 4.6% em relação ao Mundial de 2018, que obteve US$ 1,66 bilhão. Segundo Infantino, a associação que tem sede na Suíça conseguiu vender todas as cotas de patrocínios disponíveis na última edição da competição.

Por que a Fifa mudou o formato da Copa do Mundo?

Na visão de especialistas, apesar destes números expressivos, a Fifa busca aumentar ainda mais a sua rentabilidade com a estratégia de ampliar a quantidade de seleções no Mundial. Com a mudança para os 12 grupos de quatro times, o número de jogos vai para 104. Em 2022, por exemplo, foram 64 partidas.

“A partir do momento em que se acrescentam países no torneio, a competição atingirá mais regiões e, por consequência, aumentam as possibilidades de elevação de patrocínios e comercialização dos direitos de transmissão, maximizando o faturamento da FIFA. Isso vale, não só para as nações que competem, mas também para os países sedes, já que em 2026 serão três”, afirma Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo.

A edição do Catar foi a Copa vista em mais lugares na história. As transmissões do maior evento esportivo do mundo, que foram realizadas por meio de televisões, rádios e diversas plataformas digitais, atingiram 225 países. O número ultrapassou o de 2014, no Brasil, que esteve em 223, e até então detinha o recorde.

“Em 2026, com uma quantidade maior de seleções, é possível vender os direitos de transmissão para ainda mais países, que devem ter um interesse maior de comprar, pois sua nação estará presente. Além do aumento de público nos estádios e de turistas ao país-sede. Todos esses fatores levam a justificativa para essa mudança”, afirma Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

Com recorde na arrecadação, a entidade máxima do futebol repassou o maior valor da história para as confederações nacionais, mais de R$ 2 bilhões, no último ciclo. A quantia significa um aumento de 10% em relação ao número pago para as equipes na edição de 2018. “Sob o aspecto econômico e político, o torneio com 48 equipes trará ainda mais receita à FIFA, bem como um maior poder político junto às confederações, que também vislumbram um retorno financeiro ao disputar o Mundial”, afirma Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo.

Por outro, Jorge Braga, com passagens como executivo no mercado corporativo e ex-CEO do Botafogo, pondera sobre os problemas enfrentados pela Fifa e os patrocinadores da Copa no Catar. Para o executivo, a edição de 2022 precisa servir de exemplo, para que os mesmos erros não sejam repetidos no próximo ciclo.

“Para internacionalizar um produto não basta expandi-lo geograficamente. A Fifa precisa compreender muito bem as questões culturais que estão envolvidas em cada uma dessas regiões. Historicamente, o faturamento dos mercados tradicionais de futebol, como receitas de transmissão e de produto na Europa, por exemplo, estagnaram, por isso é compreensível a entrada em novos mercados. Porém, é preciso um olhar cuidadoso no sentido de respeitar, engajar e acompanhar as mudanças culturais”, afirma Braga.

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