Esporte

Pela 1ª vez pós-Copa, Mbappé fala sobre ser comparado a ditador: 'Há falta de consciência'

Para especialistas, viralização aumenta visibilidade, alcance e relevância algorítmica, mas neste caso, há ressalvas

 (FRANCK FIFE/AFP)

(FRANCK FIFE/AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 16h31.

Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 16h37.

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Uma brincadeira que tomou conta da internet durante a Copa do Mundo, disputada em meados deste ano, envolveu o maior artilheiro da história das Copas do Mundo: o francês Kylian Mbappé.

Por meio de memes e figurinhas de WhatsApp, o atacante passou a ser chamado de "Ditador Mbappé", uma sátira à sua grande influência, poder de decisão e status de estrela absoluta acumulados tanto em seus clubes quanto na seleção.

Nesta sexta-feira, em entrevista ao jornal francês L'Equipe, comentou pela primeira vez o apelido de ditador que recebeu de seus companheiros da seleção francesa.

"Tem uma parte que é engraçada porque a gente sente que, por parte de algumas pessoas, é uma brincadeira inofensiva. Tem uma parte um pouco menos engraçada porque sabemos os estragos que esse tipo de pessoa causou na história. Então, ser comparado a pessoas que assassinam pessoas ou que deixaram milhões e milhões de pessoas infelizes, não acho que eu tenha feito isso na minha vida", disse.

O atleta do Real Madrid enfatizou que o verdadeiro problema reside em associar uma piada ao impacto histórico do líder citado. Embora tenha encarado a situação com bom humor, ele chamou a atenção para a gravidade da analogia. A brincadeira em questão remete a Mobutu Sese Seko, que comandou o antigo Zaire (hoje República Democrática do Congo) com mão de ferro por mais de 30 anos.

"Há uma mistura de coisas, e a gente pensa: “Eu sei que é de forma leve e por isso não vai tão longe”. Mas isso às vezes mostra que há uma falta de consciência, às vezes política e humana, às vezes nas pessoas", acrescentou.

Embora se fale que a referência é única e exclusivamente a Mobutu Sese Seko, o termo ganhou força durante sua renovação com o Paris Saint-Germain, em 2022. Na época, a imprensa europeia noticiou que o projeto esportivo do clube havia sido reorganizado em torno do jogador, gerando a percepção de que ele teria poder para influenciar na escolha de técnicos, diretores e contratações.

Em 2024, a piada ganhou ainda mais força após um episódio envolvendo o influenciador francês Mohamed Henni, que usou o nome do atleta de forma humorística para descrever um sanduíche em sua loja de kebab. A reação firme de Mbappé, que acionou seus advogados e processou o influenciador pelo uso comercial de sua imagem, foi interpretada por parte da internet como uma postura intolerante a críticas e brincadeiras. O caso gerou uma nova onda de montagens irônicas que colocavam o atacante em cenários autoritários.

O apelido também se fortaleceu após episódios em que o atleta adotou posturas mais rígidas ou exigiu maior controle sobre o uso de sua imagem, motivando os internautas a criarem montagens irônicas que o associam a líderes autoritários.

Piada ganhou força na Copa

Na Copa do Mundo deste ano, a piada ressurgiu no jogo entre França e Iraque, quando Mbappé sugeriu aos funcionários do estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, quais partes do gramado precisavam ser limpas após a tempestade que atrasou a partida.

Para especialistas em gestão e marketing esportivo, o fenômeno viral dessas ações tem o poder de alcances gigantescos, mas neste caso, há ressalvas que podem comprometer a imagem de qualquer pessoa pública.

Meme chamando Mbappé de 'ditador' invadiu as redes nessa Copa do Mundo e chegou até na seleção da França

Meme chamando Mbappé de 'ditador' invadiu as redes nessa Copa do Mundo e chegou até na seleção da França (Reprodução / Redes sociais)

"No ambiente digital, toda viralização aumenta visibilidade, alcance e relevância algorítmica. Nesse sentido, memes como 'Kylian Ditador' mantêm Mbappé no centro das conversas globais e reforçam seu status de protagonista do futebol, especialmente entre públicos mais jovens. O problema é que notoriedade e reputação não são sinônimos", analisa Bruno Brum, CMO da Agência End to End, empresa de marketing esportivo que faz a gestão de dezenas de clubes e entidades.

Brum entende que quando uma narrativa passa a associar repetidamente um atleta a traços autoritários, mesmo em tom de humor, ela pode consolidar uma percepção difícil de desconstruir. "Qualquer meme que desloque essa percepção para características negativas exige um trabalho maior de gestão de imagem. No curto prazo, a tendência gera engajamento; no longo, o risco é que a piada se torne parte da identidade pública do jogador. No marketing esportivo, o ideal é que o atleta seja protagonista pelas performances em campo e fora de campo, não por narrativas que possam desgastar sua reputação", explica.

Um vídeo que circula na internet durante as viagens da França entre os jogos da Copa é o elenco brincando com o termo "Ditador" junto a Mbappé, que aparentemente parece entrar com descontração nas brincadeiras (https://x.com/CuriosidadesEU/status/2072321955181543490?s=20).

Rene Salviano , CEO da agência Heatmap e especialista em patrocínios esportivos, acredita que o "meme" pode virar uma nova oportunidade de negócios. “Tudo isso deve ser cuidadosamente planejado e implementado estrategicamente. Quando feito com a participação do próprio jogador e de profissionais qualificados, os benefícios podem ser incalculáveis”.

Já Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, entende que os memes têm um enorme potencial de amplificar a presença digital de um atleta. "Em termos de algoritmo, quanto mais um nome é compartilhado, comentado e transformado em conteúdo, maior tende a ser seu alcance orgânico. Isso aumenta a lembrança de marca e mantém o atleta permanentemente em evidência".

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