Carlo Ancelotti: Com a eliminação diante da Noruega, o Brasil foca no ciclo de 2030 (Justin Setterfield/Getty Images/AFP)
Repórter
Publicado em 11 de julho de 2026 às 17h48.
A eliminação da Seleção Brasileira ainda repercute após a Copa do Mundo de 2026, mas a comissão técnica já direciona o planejamento para o próximo ciclo. Carlo Ancelotti, que tem contrato para comandar o Brasil até a Copa de 2030, afirmou depois da derrota para a Noruega que o resultado não encerra o projeto da equipe, mas marca "o início de um novo ciclo".
De acordo com o treinador italiano, o foco passa a ser a análise de novas alternativas e a observação dos atletas que poderão integrar o elenco nos próximos anos.
"Agora começamos a pensar no que pode ser o futuro dessa seleção que já tem um grupo bastante sólido de jovens e veteranos que podem continuar, além de novos jogadores que podem entrar", disse durante coletiva de imprensa.
A partir desse cenário, surge a expectativa sobre quais atletas poderão defender a Seleção na Copa de 2030 e participar da tentativa de conquistar o sexto título mundial.
Entre os jogadores apontados como protagonistas do novo ciclo estão Rodrygo, Estêvão e Éder Militão, que não disputaram a Copa de 2026 por causa de lesões.
Os três se machucaram pouco antes do torneio e aparecem entre as principais opções para reforçar a equipe ao lado de Vinicius Júnior, hoje a principal referência técnica da Seleção.
Ancelotti conhece de perto Vini Jr., Rodrygo e Militão pelos anos de trabalho no Real Madrid. Sob o comando do italiano, os três participaram de campanhas vitoriosas e estabeleceram uma relação de confiança com o treinador.
Perto de completar 26 anos, Vinicius Júnior recebeu o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa em 2024. O atacante marcou os gols dos títulos europeus conquistados pelo clube espanhol em 2022 e 2024 e soma cinco gols e três assistências em duas edições da Copa do Mundo.
Rodrygo, meia-atacante de 25 anos, e Militão, zagueiro de 28, estiveram na Copa de 2022, no Catar, durante a passagem de Tite pela Seleção. Até aqui, acumulam 37 e 38 partidas, respectivamente, com a camisa brasileira.
Outra aposta para o futuro é Estêvão. O atacante, que atua pelo Chelsea, sofreu uma lesão defendendo o clube inglês e acabou fora da Copa de 2026.
Antes do problema físico, havia conquistado rapidamente a condição de titular e liderava a artilharia da equipe comandada por Ancelotti, com cinco gols.
Aos 19 anos, Estêvão ainda busca disputar seu primeiro Mundial. Mesmo assim, já figura entre os principais nomes para o próximo ciclo, embora a pouca idade ainda limite seu protagonismo nos bastidores do elenco.
O início da preparação para 2030 também deve marcar a saída de atletas que estiveram entre os principais líderes da Seleção nas últimas Copas.
Neymar, Casemiro e Danilo, todos com 34 anos, caminham para encerrar a trajetória na equipe nacional. Marquinhos, de 32 anos e campeão europeu pelo Paris Saint-Germain, também indicou incerteza sobre sua permanência após a eliminação diante da Noruega.
"Não sei qual vai ser meu futuro, acho que quatro anos é muita coisa. Nós, os mais velhos, a gente sente porque não sabe nosso futuro. Que o povo apoie esses meninos. Acho que vai ser um ciclo com mais estabilidade, que eles vão conseguir trabalhar e preparar essa Copa", declarou.
Mudanças de geração costumam ocorrer de maneira menos intensa quando a Seleção conquista o título mundial. Já as eliminações normalmente provocam reformulações mais amplas antes do ciclo seguinte.
Detentor de cinco títulos, o Brasil atravessa o maior período sem vencer uma Copa desde a conquista de 1958. O jejum já chega a 28 anos desde o último troféu, levantado em 2002.
Para Ricardo Rocha, campeão mundial em 1994 e integrante da equipe eliminada nas oitavas de final da Copa de 1990, o processo de renovação é natural.
"Processo de renovação sempre existe", contemporiza Ricardo Rocha, zagueiro da seleção que caiu nas oitavas de final da Copa de 1990 e foi um dos líderes na campanha do quarto título mundial em 1994.
Na avaliação do ex-zagueiro, Vinicius Júnior, Rodrygo e Militão devem permanecer como referências do grupo, enquanto atletas jovens que ficaram fora da Copa, como João Pedro, tendem a retornar às convocações. O atacante do Chelsea esteve entre as ausências mais debatidas antes do Mundial.
"Muita qualidade. João Pedro, Rayan, Endrick, essa geração", afirma.
Éder Militão, do Brasil, durante a partida amistosa internacional entre Brasil e Tunísia, no Stade Pierre Mauroy, em 18 de novembro de 2025, em Lille, França. ( (Foto: Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images))
A reformulação também alcança o sistema defensivo. Mesmo com a tendência de renovação, Ancelotti conta com nomes experientes que podem permanecer até o próximo Mundial.
Éder Militão aparece entre os principais candidatos a assumir a liderança da zaga. Recuperado de lesão, o defensor chegará à Copa de 2030 com 32 anos e reúne experiência em competições internacionais.
"É um jogador que vem de uma lesão, já jogou Copa e é experiente. Estará com 32 anos, muito bem ainda para uma outra Copa", declara.
A tendência é que ele forme a dupla de zaga com Gabriel Magalhães, de 28 anos, titular da Seleção e do Arsenal, campeão inglês.
Entre as alternativas estão Bremer, de 29 anos, da Juventus, Léo Pereira, de 30, do Flamengo, ambos reservas durante a Copa, e Ibañez, de 27, do Al-Ahli, que atuou apenas no primeiro tempo da campanha, improvisado na lateral direita.
Outros defensores permanecem no radar. Alexsandro, de 26 anos, do Lille, iniciou a passagem de Ancelotti como titular antes de perder espaço. Beraldo, de 22, do Paris Saint-Germain, e Vitor Reis, de 20, emprestado pelo Manchester City ao Girona, são vistos como opções para ampliar a concorrência no setor ao longo do ciclo.
Douglas Santos: era um dos 3 atletas pendurados do Brasil contra a Escócia (PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
Enquanto o ataque oferece diversas possibilidades, as laterais figuram entre os setores que exigem maior atenção da comissão técnica. O desempenho da posição durante a Copa de 2026 aumentou a expectativa por mudanças até o próximo Mundial.
Na esquerda, Douglas Santos, de 32 anos, foi o titular durante a competição. Alex Sandro, reserva imediato, tem 35 anos. A permanência de ambos até 2030 é considerada improvável.
Kaiki, de 23 anos, negociado pelo Cruzeiro com o Como, da Itália, chegou a ser observado na reta final da preparação e desponta como uma alternativa.
Também permanecem entre as opções Carlos Augusto, de 27 anos, da Internazionale, Caio Henrique, de 28, atualmente no Ajax, e Luciano Juba, de 26, do Bahia.
Pela direita, Wesley, de 22 anos, aparece como favorito para assumir a posição. O lateral da Roma ficou fora da Copa após sofrer uma lesão muscular.
Vitinho, de 26 anos, que trabalhou com Davide Ancelotti no Botafogo, também pode voltar a ser convocado. Vanderson, de 27, do Monaco, segue como alternativa após ficar fora de convocações anteriores por questões físicas.
Bruno Guimarães: jogador do Brasil na Copa do Mundo 2026.
Depois da derrota para a Noruega, Ancelotti indicou que o principal processo de renovação deve ocorrer no meio-campo.
"É bastante evidente que no meio-campo tem que surgir jogadores de nível, jovens. Temos jovens no futebol brasileiro que podem estar na Seleção no futuro", afirmou o treinador.
Com a perspectiva de saída de Casemiro, Bruno Guimarães, de 28 anos, tende a assumir papel de maior protagonismo no setor. O volante do Newcastle distribuiu quatro assistências durante a Copa, apesar de ter desperdiçado um pênalti no confronto contra a Noruega. Em 2022 foi reserva; em 2026 tornou-se titular.
Danilo Santos, de 25 anos, do Botafogo, integra o grupo de atletas mais utilizados neste ano e deve seguir nas próximas convocações. Paquetá, de 28 anos, atualmente no Flamengo, perdeu espaço apenas após sofrer lesão durante a Copa e também faz parte da transição para o novo ciclo.
Entre os jovens observados está Andrey Santos, de 22 anos. Ex-capitão da Seleção sub-20, o volante, em transferência do Chelsea para o Manchester United, participou do início do ciclo anterior, mas acabou fora da lista final para o Mundial. Ainda assim, permanece entre os nomes avaliados por Ancelotti.
João Gomes, de 25 anos, e André, de 24, ambos no Wolverhampton, também continuam entre as alternativas. Os dois acumularam passagens pela Seleção e seguem como opções para os próximos anos.
Raphinha: atacante da Seleção Brasileira durante a partida contra o Haiti pela Copa do Mundo de 2026, na Filadélfia (Roberto Schmidt/AFP)
O setor ofensivo concentra o maior número de alternativas para o ciclo até a Copa do Mundo de 2030. A tendência é de manutenção de parte da base utilizada por Carlo Ancelotti, com a incorporação de atletas mais jovens ao longo das próximas convocações.
Raphinha, de 29 anos, segue entre os jogadores considerados para a renovação da equipe. Embora não tenha repetido nas Copas do Mundo o desempenho apresentado em clubes, o atacante recebeu manifestações de confiança de Ancelotti antes do Mundial e permanece como um dos candidatos a ocupar papel de liderança no próximo ciclo.
Endrick também continua nos planos da comissão técnica. O atacante do Real Madrid, atualmente emprestado ao Lyon, desperdiçou uma oportunidade decisiva na partida contra a Noruega, mas, às vésperas de completar 20 anos, permanece entre os nomes vistos como aposta para o futuro da Seleção.
Quem ampliou espaço durante a Copa foi Rayan. Aos 19 anos, o atacante do Bournemouth conquistou a condição de titular ao longo da competição e aparece entre os jogadores com maiores possibilidades de presença nas próximas listas de convocados.
Matheus Cunha, de 27 anos, também fortaleceu sua posição ao marcar três gols no Mundial. O desempenho o coloca entre os atletas mais experientes que podem ajudar na integração da nova geração durante o próximo ciclo.
Martinelli, atacante de 25 anos do Arsenal, ganhou espaço após marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Japão. A atuação garantiu vaga entre os titulares diante da Noruega e reforçou sua permanência no grupo.
Luiz Henrique, de 25 anos, atualmente no Zenit, e Igor Thiago, centroavante de 25 anos do Brentford, tiveram oportunidades durante a Copa, mas não conseguiram se firmar. Mesmo assim, seguem entre as alternativas observadas pela comissão técnica.
Entre os atletas ausentes no Mundial, João Pedro desponta como um dos principais candidatos a integrar a Seleção no novo ciclo. O atacante de 24 anos, do Chelsea, esteve entre os nomes mais citados por torcedores e parte da imprensa antes da definição da lista final.
Após a eliminação para a Noruega, Ancelotti admitiu que lamentou não ter convocado o jogador e indicou que ele poderá receber novas oportunidades nas próximas convocações.
Também permanecem no radar Savinho, de 22 anos, do Manchester City, Antony, de 26, do Betis, e Igor Jesus, atacante do Nottingham Forest.
Entre os jogadores que atuam no futebol brasileiro, Kaio Jorge, de 24 anos, do Cruzeiro, e Vitor Roque, de 21, do Palmeiras, aparecem entre os nomes cotados para ganhar espaço durante o ciclo até 2030. Pedro, atacante do Flamengo que integrou o grupo brasileiro na Copa do Mundo de 2022, também continua como opção.
A próxima convocação da Seleção Brasileira está prevista para o início de setembro.
Nos dias 25 e 29 de setembro, o Brasil disputará dois amistosos na Austrália diante da seleção anfitriã, eliminada pelo Egito nos pênaltis na fase de 32 seleções da Copa do Mundo.
Existe ainda a possibilidade de um terceiro compromisso entre 21 de setembro e 6 de outubro, período reservado pela Fifa para partidas de seleções nacionais. Outra janela de amistosos está programada entre 9 e 17 de novembro.
Em 2027, o calendário reserva quatro períodos para jogos da equipe brasileira: de 22 a 30 de março, de 7 a 15 de junho, de 20 de setembro a 5 de outubro e de 8 a 16 de novembro.
A previsão é de que a Seleção retorne aos Estados Unidos em junho de 2028 para disputar a Copa América. O formato da competição e o calendário das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2030 ainda não foram definidos.