Esporte

Os jogadores que podem liderar a Seleção na próxima Copa do Mundo — e encerrar jejum desde 2002

Ancelotti inicia a reformulação da Seleção após a Copa de 2026 e projeta um novo ciclo com Vinicius Júnior, Rodrygo, Estêvão e Militão

Carlo Ancelotti: Com a eliminação diante da Noruega, o Brasil foca no ciclo de 2030 (Justin Setterfield/Getty Images/AFP)

Carlo Ancelotti: Com a eliminação diante da Noruega, o Brasil foca no ciclo de 2030 (Justin Setterfield/Getty Images/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 11 de julho de 2026 às 17h48.

Tudo sobreCopa do Mundo
Saiba mais

A eliminação da Seleção Brasileira ainda repercute após a Copa do Mundo de 2026, mas a comissão técnica já direciona o planejamento para o próximo ciclo. Carlo Ancelotti, que tem contrato para comandar o Brasil até a Copa de 2030, afirmou depois da derrota para a Noruega que o resultado não encerra o projeto da equipe, mas marca "o início de um novo ciclo".

De acordo com o treinador italiano, o foco passa a ser a análise de novas alternativas e a observação dos atletas que poderão integrar o elenco nos próximos anos.

"Agora começamos a pensar no que pode ser o futuro dessa seleção que já tem um grupo bastante sólido de jovens e veteranos que podem continuar, além de novos jogadores que podem entrar", disse durante coletiva de imprensa.

A partir desse cenário, surge a expectativa sobre quais atletas poderão defender a Seleção na Copa de 2030 e participar da tentativa de conquistar o sexto título mundial.

Entre os jogadores apontados como protagonistas do novo ciclo estão Rodrygo, Estêvão e Éder Militão, que não disputaram a Copa de 2026 por causa de lesões.

Os três se machucaram pouco antes do torneio e aparecem entre as principais opções para reforçar a equipe ao lado de Vinicius Júnior, hoje a principal referência técnica da Seleção.

Ancelotti conhece de perto Vini Jr., Rodrygo e Militão pelos anos de trabalho no Real Madrid. Sob o comando do italiano, os três participaram de campanhas vitoriosas e estabeleceram uma relação de confiança com o treinador.

Perto de completar 26 anos, Vinicius Júnior recebeu o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa em 2024. O atacante marcou os gols dos títulos europeus conquistados pelo clube espanhol em 2022 e 2024 e soma cinco gols e três assistências em duas edições da Copa do Mundo.

Rodrygo, meia-atacante de 25 anos, e Militão, zagueiro de 28, estiveram na Copa de 2022, no Catar, durante a passagem de Tite pela Seleção. Até aqui, acumulam 37 e 38 partidas, respectivamente, com a camisa brasileira.

Outra aposta para o futuro é Estêvão. O atacante, que atua pelo Chelsea, sofreu uma lesão defendendo o clube inglês e acabou fora da Copa de 2026.

Antes do problema físico, havia conquistado rapidamente a condição de titular e liderava a artilharia da equipe comandada por Ancelotti, com cinco gols.

Aos 19 anos, Estêvão ainda busca disputar seu primeiro Mundial. Mesmo assim, já figura entre os principais nomes para o próximo ciclo, embora a pouca idade ainda limite seu protagonismo nos bastidores do elenco.

O início da preparação para 2030 também deve marcar a saída de atletas que estiveram entre os principais líderes da Seleção nas últimas Copas.

Neymar, Casemiro e Danilo, todos com 34 anos, caminham para encerrar a trajetória na equipe nacional. Marquinhos, de 32 anos e campeão europeu pelo Paris Saint-Germain, também indicou incerteza sobre sua permanência após a eliminação diante da Noruega.

"Não sei qual vai ser meu futuro, acho que quatro anos é muita coisa. Nós, os mais velhos, a gente sente porque não sabe nosso futuro. Que o povo apoie esses meninos. Acho que vai ser um ciclo com mais estabilidade, que eles vão conseguir trabalhar e preparar essa Copa", declarou.

Jejum desde 2002

Mudanças de geração costumam ocorrer de maneira menos intensa quando a Seleção conquista o título mundial. Já as eliminações normalmente provocam reformulações mais amplas antes do ciclo seguinte.

Detentor de cinco títulos, o Brasil atravessa o maior período sem vencer uma Copa desde a conquista de 1958. O jejum já chega a 28 anos desde o último troféu, levantado em 2002.

Para Ricardo Rocha, campeão mundial em 1994 e integrante da equipe eliminada nas oitavas de final da Copa de 1990, o processo de renovação é natural.

"Processo de renovação sempre existe", contemporiza Ricardo Rocha, zagueiro da seleção que caiu nas oitavas de final da Copa de 1990 e foi um dos líderes na campanha do quarto título mundial em 1994.

Na avaliação do ex-zagueiro, Vinicius Júnior, Rodrygo e Militão devem permanecer como referências do grupo, enquanto atletas jovens que ficaram fora da Copa, como João Pedro, tendem a retornar às convocações. O atacante do Chelsea esteve entre as ausências mais debatidas antes do Mundial.

"Muita qualidade. João Pedro, Rayan, Endrick, essa geração", afirma.

Defesa

Eder Militão pela seleção brasileira

Éder Militão, do Brasil, durante a partida amistosa internacional entre Brasil e Tunísia, no Stade Pierre Mauroy, em 18 de novembro de 2025, em Lille, França. ( (Foto: Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images))

A reformulação também alcança o sistema defensivo. Mesmo com a tendência de renovação, Ancelotti conta com nomes experientes que podem permanecer até o próximo Mundial.

Éder Militão aparece entre os principais candidatos a assumir a liderança da zaga. Recuperado de lesão, o defensor chegará à Copa de 2030 com 32 anos e reúne experiência em competições internacionais.

"É um jogador que vem de uma lesão, já jogou Copa e é experiente. Estará com 32 anos, muito bem ainda para uma outra Copa", declara.

A tendência é que ele forme a dupla de zaga com Gabriel Magalhães, de 28 anos, titular da Seleção e do Arsenal, campeão inglês.

Entre as alternativas estão Bremer, de 29 anos, da Juventus, Léo Pereira, de 30, do Flamengo, ambos reservas durante a Copa, e Ibañez, de 27, do Al-Ahli, que atuou apenas no primeiro tempo da campanha, improvisado na lateral direita.

Outros defensores permanecem no radar. Alexsandro, de 26 anos, do Lille, iniciou a passagem de Ancelotti como titular antes de perder espaço. Beraldo, de 22, do Paris Saint-Germain, e Vitor Reis, de 20, emprestado pelo Manchester City ao Girona, são vistos como opções para ampliar a concorrência no setor ao longo do ciclo.

Laterais

O zagueiro brasileiro número 16, Douglas Santos, observa a bola durante a partida de futebol do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Escócia e Brasil, no Estádio de Miami, em Miami Gardens, em 24 de junho de 2026. (Foto de PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

Douglas Santos: era um dos 3 atletas pendurados do Brasil contra a Escócia (PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

Enquanto o ataque oferece diversas possibilidades, as laterais figuram entre os setores que exigem maior atenção da comissão técnica. O desempenho da posição durante a Copa de 2026 aumentou a expectativa por mudanças até o próximo Mundial.

Na esquerda, Douglas Santos, de 32 anos, foi o titular durante a competição. Alex Sandro, reserva imediato, tem 35 anos. A permanência de ambos até 2030 é considerada improvável.

Kaiki, de 23 anos, negociado pelo Cruzeiro com o Como, da Itália, chegou a ser observado na reta final da preparação e desponta como uma alternativa.

Também permanecem entre as opções Carlos Augusto, de 27 anos, da Internazionale, Caio Henrique, de 28, atualmente no Ajax, e Luciano Juba, de 26, do Bahia.

Pela direita, Wesley, de 22 anos, aparece como favorito para assumir a posição. O lateral da Roma ficou fora da Copa após sofrer uma lesão muscular.

Vitinho, de 26 anos, que trabalhou com Davide Ancelotti no Botafogo, também pode voltar a ser convocado. Vanderson, de 27, do Monaco, segue como alternativa após ficar fora de convocações anteriores por questões físicas.

Meio-campo

O meia brasileiro número 8, Bruno Guimarães, gesticula durante a partida de futebol do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Escócia e Brasil, no Estádio de Miami, em Miami Gardens, em 24 de junho de 2026. (Foto de CHANDAN KHANNA / AFP)

Bruno Guimarães: jogador do Brasil na Copa do Mundo 2026.

Depois da derrota para a Noruega, Ancelotti indicou que o principal processo de renovação deve ocorrer no meio-campo.

"É bastante evidente que no meio-campo tem que surgir jogadores de nível, jovens. Temos jovens no futebol brasileiro que podem estar na Seleção no futuro", afirmou o treinador.

Com a perspectiva de saída de Casemiro, Bruno Guimarães, de 28 anos, tende a assumir papel de maior protagonismo no setor. O volante do Newcastle distribuiu quatro assistências durante a Copa, apesar de ter desperdiçado um pênalti no confronto contra a Noruega. Em 2022 foi reserva; em 2026 tornou-se titular.

Danilo Santos, de 25 anos, do Botafogo, integra o grupo de atletas mais utilizados neste ano e deve seguir nas próximas convocações. Paquetá, de 28 anos, atualmente no Flamengo, perdeu espaço apenas após sofrer lesão durante a Copa e também faz parte da transição para o novo ciclo.

Entre os jovens observados está Andrey Santos, de 22 anos. Ex-capitão da Seleção sub-20, o volante, em transferência do Chelsea para o Manchester United, participou do início do ciclo anterior, mas acabou fora da lista final para o Mundial. Ainda assim, permanece entre os nomes avaliados por Ancelotti.

João Gomes, de 25 anos, e André, de 24, ambos no Wolverhampton, também continuam entre as alternativas. Os dois acumularam passagens pela Seleção e seguem como opções para os próximos anos.

Ataque

Raphinha, atacante da Seleção Brasileira, durante jogo entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo de 2026

Raphinha: atacante da Seleção Brasileira durante a partida contra o Haiti pela Copa do Mundo de 2026, na Filadélfia (Roberto Schmidt/AFP)

O setor ofensivo concentra o maior número de alternativas para o ciclo até a Copa do Mundo de 2030. A tendência é de manutenção de parte da base utilizada por Carlo Ancelotti, com a incorporação de atletas mais jovens ao longo das próximas convocações.

Raphinha, de 29 anos, segue entre os jogadores considerados para a renovação da equipe. Embora não tenha repetido nas Copas do Mundo o desempenho apresentado em clubes, o atacante recebeu manifestações de confiança de Ancelotti antes do Mundial e permanece como um dos candidatos a ocupar papel de liderança no próximo ciclo.

Endrick também continua nos planos da comissão técnica. O atacante do Real Madrid, atualmente emprestado ao Lyon, desperdiçou uma oportunidade decisiva na partida contra a Noruega, mas, às vésperas de completar 20 anos, permanece entre os nomes vistos como aposta para o futuro da Seleção.

Quem ampliou espaço durante a Copa foi Rayan. Aos 19 anos, o atacante do Bournemouth conquistou a condição de titular ao longo da competição e aparece entre os jogadores com maiores possibilidades de presença nas próximas listas de convocados.

Matheus Cunha, de 27 anos, também fortaleceu sua posição ao marcar três gols no Mundial. O desempenho o coloca entre os atletas mais experientes que podem ajudar na integração da nova geração durante o próximo ciclo.

Martinelli, atacante de 25 anos do Arsenal, ganhou espaço após marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Japão. A atuação garantiu vaga entre os titulares diante da Noruega e reforçou sua permanência no grupo.

Luiz Henrique, de 25 anos, atualmente no Zenit, e Igor Thiago, centroavante de 25 anos do Brentford, tiveram oportunidades durante a Copa, mas não conseguiram se firmar. Mesmo assim, seguem entre as alternativas observadas pela comissão técnica.

Entre os atletas ausentes no Mundial, João Pedro desponta como um dos principais candidatos a integrar a Seleção no novo ciclo. O atacante de 24 anos, do Chelsea, esteve entre os nomes mais citados por torcedores e parte da imprensa antes da definição da lista final.

Após a eliminação para a Noruega, Ancelotti admitiu que lamentou não ter convocado o jogador e indicou que ele poderá receber novas oportunidades nas próximas convocações.

Também permanecem no radar Savinho, de 22 anos, do Manchester City, Antony, de 26, do Betis, e Igor Jesus, atacante do Nottingham Forest.

Entre os jogadores que atuam no futebol brasileiro, Kaio Jorge, de 24 anos, do Cruzeiro, e Vitor Roque, de 21, do Palmeiras, aparecem entre os nomes cotados para ganhar espaço durante o ciclo até 2030. Pedro, atacante do Flamengo que integrou o grupo brasileiro na Copa do Mundo de 2022, também continua como opção.

Próximos jogos

A próxima convocação da Seleção Brasileira está prevista para o início de setembro.

Nos dias 25 e 29 de setembro, o Brasil disputará dois amistosos na Austrália diante da seleção anfitriã, eliminada pelo Egito nos pênaltis na fase de 32 seleções da Copa do Mundo.

Existe ainda a possibilidade de um terceiro compromisso entre 21 de setembro e 6 de outubro, período reservado pela Fifa para partidas de seleções nacionais. Outra janela de amistosos está programada entre 9 e 17 de novembro.

Em 2027, o calendário reserva quatro períodos para jogos da equipe brasileira: de 22 a 30 de março, de 7 a 15 de junho, de 20 de setembro a 5 de outubro e de 8 a 16 de novembro.

A previsão é de que a Seleção retorne aos Estados Unidos em junho de 2028 para disputar a Copa América. O formato da competição e o calendário das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2030 ainda não foram definidos.

Acompanhe tudo sobre:Copa do Mundo

Mais de Esporte

Fórmula 1: veja horário e onde assistir ao GP da Holanda

Jogos de hoje: horário e onde assistir às partidas desta quarta-feira, 19

Torcida do PAOK protesta contra venda de 'joia' ao Borussia e invade estádio

Jornalista argentino critica João Fonseca após nova desistência: 'Geração de vidro'