Projeto conceitual de arena esportiva e torcedores de basquete. (Foto: Reprodução)
Redator na Exame
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 15h07.
A corrida pela expansão da NBA ganhou um novo e surpreendente capítulo no Pacífico Noroeste dos Estados Unidos. Conforme revelado em uma ampla reportagem exclusiva publicada pelo portal The Athletic, um segundo grupo de investidores formalizou interesse e apresentou uma proposta concreta para trazer uma nova franquia de basquete de volta a Seattle, cidade que permanece sem equipe desde a saída dos SuperSonics em 2008.
O lance mais recente parte da BlackSun Private Equity, uma firma de investimentos baseada em Nova York que apresentou formalmente sua intenção de compra e estruturação no último mês de agosto. O grande diferencial da proposta reside na parceria estratégica firmada com as Tribos Tulalip. Caso a oferta seja a escolhida pela liga para encabeçar a expansão, o grupo planeja construir uma nova e moderna arena multiuso acompanhada de um distrito de entretenimento completo em terras pertencentes à comunidade tribal, localizadas nas proximidades de Marysville, a cerca de 56 quilômetros ao norte do centro de Seattle.
Em entrevista concedida ao The Athletic, Nick Rathod, diretor global de estratégia e comunicações da BlackSun, confirmou que a aliança com os nativos americanos é total. Segundo o executivo, a escolha do local busca homenagear os habitantes originais daquelas terras, além de injetar uma narrativa de propriedade comunitária e de longo prazo no esporte norte-americano, em nítido contraste com negociações recentes e especulativas vistas em outras franquias da liga.
Apesar da grandiosidade do projeto financeiro — com o CEO da BlackSun, Atonn Muhammad, indicando à imprensa local a capacidade de captar até US$ 8,1 bilhões (R$ 41,3 bilhões) em investimentos —, a localização escolhida levanta preocupações logísticas consideráveis entre analistas e torcedores da região metropolitana. Um deslocamento em horário de pico saindo do centro de Seattle até Marysville costuma superar facilmente a marca de uma hora de viagem, cenário que seria ainda mais desafiador para fãs residentes em áreas populosas ao sul da cidade ou próximas ao aeroporto.
Reconhecendo o obstáculo geográfico, a liderança do fundo de investimentos assegurou que o projeto não negligencia a jornada do torcedor. Os planejadores estão conduzindo estudos aprofundados sobre a capacidade rodoviária, redes de transporte regional, sistemas de estacionamento integrado do tipo park-and-ride e frotas de transporte dedicado e traslados para garantir fluidez nos dias de jogos. A ideia central é transformar o entorno do complexo em um destino turístico e de lazer autossuficiente.
A investida da BlackSun adiciona um tempero acirrado à disputa comercial. Até o momento, o único outro concorrente publicamente conhecido no processo de expansão é a One Roof Sports and Entertainment, consórcio liderado por Samantha Holloway — executiva que detém participação majoritária na gestão do Seattle Kraken, equipe da NHL. O grupo concorrente possui vantagens logísticas evidentes, pois já controla participações acionárias no Climate Pledge Arena, ginásio moderno localizado estrategicamente na região central de Seattle.
Enquanto a disputa de bastidores avança nos escritórios executivos da liga liderada por Adam Silver, a torcida de Seattle acompanha atenta os desdobramentos, dividida entre a conveniência urbana do projeto na área central e a promessa de um complexo proprietário de grande impacto econômico regional liderado por minorias e comunidades originárias.