Repórter
Publicado em 14 de julho de 2026 às 17h28.
Última atualização em 14 de julho de 2026 às 17h37.
Os lances de bola na mão seguem entre os que mais geram dúvidas no futebol porque a regra não determina que todo contato com o braço seja uma infração.
Para definir a decisão, a arbitragem avalia fatores como a posição do membro, a movimentação do atleta, a intenção no lance e o efeito da jogada. Foi essa interpretação que levou à marcação do pênalti para a Espanha diante da França, na semifinal da Copa do Mundo, mesmo após a bola tocar no braço de Lamine Yamal.
A jogada que originou o primeiro gol espanhol reuniu dois acontecimentos praticamente simultâneos. Antes da penalidade ser assinalada, a bola atingiu o braço de Lamine Yamal durante uma disputa dentro da área francesa. Na sequência, o atacante foi derrubado por Lucas Digne. O árbitro Iván Barton entendeu que o defensor cometeu falta e marcou o pênalti, convertido por Mikel Oyarzabal. O toque no braço do jogador espanhol foi analisado, mas não foi considerado motivo para invalidar a marcação.
A explicação está na própria Lei 12 das Regras do Jogo, que estabelece que nem todo toque da bola na mão ou no braço caracteriza infração. Para que a falta seja marcada, é necessário identificar um movimento deliberado do braço em direção à bola ou uma posição que amplie o espaço ocupado pelo corpo de forma antinatural. No lance, o braço de Yamal permaneceu junto ao tronco, sem aumentar sua área de ocupação ou bloquear a trajetória da bola. O contato ocorreu de forma acidental, sem ação do atacante para interceptá-la.
O fato de Yamal participar da jogada ofensiva também não altera essa interpretação. Em versões anteriores da regra, praticamente qualquer toque acidental de mão no início de um ataque resultava na interrupção da jogada. Esse entendimento foi alterado. Atualmente, a infração automática ocorre apenas quando o próprio jogador marca um gol diretamente com a mão ou o braço, ainda que sem intenção, ou balança a rede imediatamente após o contato com essa parte do corpo.
Nenhuma dessas situações aconteceu na semifinal. Após o toque involuntário, Yamal seguiu na disputa da bola e sofreu a falta de Lucas Digne dentro da área. Como não houve infração anterior por mão, a arbitragem não tinha motivo para interromper a jogada antes da falta cometida pelo defensor francês.
Na prática, o lance envolveu duas avaliações distintas da arbitragem. A primeira foi considerar legal o contato da bola com o braço de Yamal, já que não houve movimento intencional nem ampliação antinatural do corpo. A segunda foi identificar a falta de Digne sobre o atacante espanhol enquanto a bola permanecia em jogo. Sem uma infração prévia de mão, a marcação do pênalti foi mantida de acordo com os critérios previstos na Lei 12 das Regras do Jogo.
Com a cobrança convertida por Mikel Oyarzabal, a Espanha abriu o placar da semifinal, disputada em Dallas.