Repórter
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 15h29.
A Bundesliga, LALIGA, Lega Calcio Serie A e Premier League divulgaram um comunicado conjunto em que defendem mudanças na estrutura de governança da FIFA. As entidades afirmam que a organização precisa estabelecer mecanismos de controle, ampliar a participação das partes envolvidas no futebol e separar suas funções regulatórias e comerciais.
Segundo o documento, a Copa do Mundo representa o principal evento do futebol internacional, mas a sustentação do esporte depende das atividades realizadas ao longo da temporada por jogadores, torcedores, clubes e ligas em diferentes países.
As organizações afirmam que decisões recentes da entidade máxima do futebol levantaram questões sobre o modelo de administração adotado. Entre os exemplos citados está o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), retirado após manifestações contrárias de diferentes setores do futebol.
O comunicado afirma que a retirada da proposta não eliminou as condições que levaram ao seu surgimento e defende uma reforma estrutural da FIFA, com mudanças que estabeleçam limites constitucionais dentro da organização.
As entidades também afirmam que alterações apenas em procedimentos internos não seriam suficientes e defendem medidas que protejam decisões disciplinares individuais contra interferências políticas.
O documento afirma que a discussão sobre a governança da FIFA não está relacionada apenas ao presidente da entidade, mas ao nível de concentração de poderes regulatórios, comerciais e políticos dentro de um único cargo.
As ligas questionam a existência de mecanismos suficientes de controle e equilíbrio para decisões que afetam diretamente clubes, jogadores, torcedores e competições nacionais.
O comunicado relembra que reformas anteriores da FIFA ocorreram após processos criminais envolvendo dirigentes do futebol. Segundo as entidades, o debate atual retoma a necessidade de mudanças na estrutura de tomada de decisões da organização.
Como membros fundadores da European Leagues e da World Leagues Association, as organizações afirmam representar sistemas profissionais responsáveis pela conexão entre o futebol de base, competições nacionais e torneios internacionais.
O texto destaca que as ligas nacionais reúnem milhões de pessoas, geram empregos, apoiam setores econômicos e investem no desenvolvimento do futebol de base.
As entidades também afirmam que aproximadamente 1% dos jogadores profissionais do mundo participa da Copa do Mundo da FIFA, enquanto os demais atletas e clubes deixam de competir quando os campeonatos nacionais são interrompidos.
As ligas criticam decisões tomadas unilateralmente pela FIFA, como mudanças no Calendário Internacional de Jogos (IMC), que ampliam períodos de interrupção das competições nacionais.
Segundo o comunicado, as partes afetadas não possuem participação efetiva nesses processos decisórios.
O documento também menciona a denúncia apresentada pelas ligas à Comissão Europeia, em outubro de 2024, relacionada ao Calendário Internacional de Jogos. As entidades afirmam que o caso está ligado a uma estrutura de governança que permite à FIFA utilizar sua autoridade regulatória em decisões com impacto comercial.
As quatro ligas apresentam três compromissos para uma nova estrutura administrativa da FIFA.
O primeiro compromisso prevê a criação de um órgão permanente com representantes de federações nacionais, ligas, clubes e jogadores do futebol masculino e feminino.
Esse grupo teria acesso a informações sobre novas iniciativas e participação relevante nas decisões da entidade.
Para temas como calendário, emprego, competições e ativos considerados essenciais para o futebol, o comunicado defende a necessidade de concordância dos grupos diretamente envolvidos.
O segundo compromisso propõe que decisões de grande alcance sejam baseadas em dados objetivos, justificativas definidas e avaliações independentes divulgadas antes da implementação das medidas.
A análise deveria considerar impactos sobre jogadores, clubes, ligas, torcedores e desenvolvimento do futebol.
O terceiro compromisso trata da separação entre as funções regulatória e comercial da FIFA.
As ligas defendem mecanismos institucionais para preservar a independência de órgãos ligados à ética, supervisão financeira e processos eleitorais.
No comunicado, as ligas convidam candidatos à presidência da FIFA a apoiar os princípios apresentados e a convocar, nos primeiros 100 dias do próximo mandato presidencial, uma Convenção sobre Governança.
A proposta prevê uma liderança independente, participação de associações-membro e representantes da comunidade do futebol, com apresentação pública das conclusões em até seis meses.
As entidades também defendem que os candidatos publiquem seus programas de reforma, debatam suas propostas e sigam regras eleitorais.
O documento afirma ainda que os recursos financeiros, jurídicos, de comunicação, marketing e fundos de desenvolvimento da FIFA devem permanecer neutros durante o processo eleitoral.
Ao final, Bundesliga, LALIGA, Lega Calcio Serie A e Premier League convidam confederações, federações nacionais, clubes, sindicatos de jogadores, grupos de torcedores e autoridades públicas a apoiarem os princípios apresentados.
O comunicado é assinado por Marc Lenz, CEO da Bundesliga; Javier Tebas, presidente da LALIGA; Luigi De Siervo, CEO da Lega Calcio Serie A; e Richard Masters, Chief Executive da Premier League.