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Jogo entre Sérvia e Suíça pela Copa reacende conflito que vai além dos gramados

Partida será nesta sexta pelo Grupo G, o mesmo do Brasil; troca de provocações entre jogadores por conta da desanexação de Kosovo vem desde a Copa da Rússia

Granit Xhaka, da Suíça. (DeFodi/Getty Images)

Granit Xhaka, da Suíça. (DeFodi/Getty Images)

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Da Redação

1 de dezembro de 2022, 07h00

O jogo entre Sérvia e Suíça nesta sexta-feira (2) pela Copa do Mundo do Catar promete esquentar o clima dentro e fora de campo. A rivalidade entre as equipes vai muito além das quatro linhas e acumula um histórico de troca de provocações de ambos os lados por conta do movimento separatista de Kosovo do território sérvio. A partida é válida pela terceira rodada do Grupo G, o mesmo de Brasil e Camarões. Quem vencer a partida garante vaga para a próxima fase do torneio.

As duas seleções já se enfrentaram na Copa do Mundo da Rússia, em 2018. A disputa terminou com vitória da Suíça por 2x1. Os gols foram marcados pelas duas estrelas da equipe suíça, Xhaka e Shaqiri. Ambos comemoraram fazendo com as mãos o símbolo da águia negra de duas cabeças, que estampa a bandeira da Albânia, país que concentra 90% do povo kosovar. Shaqiri nasceu em Kosovo. Xhaka é filho de um kosovar com uma albanesa.

Antes desta partida pela Copa da Rússia, o jogador da Sérvia Luka Milivojevic havia provocado Behrami, outro atleta kosovar naturalizado suíço. “Mesmo que Behrami corra para a Suíça, ele vai ser sempre albanês”, declarou Luka à época. Em resposta, os jogadores suíços disseram que “iriam mostrar que a derrota estava no DNA sérvio”.

O auge da tensão entre os dois países data de 1989, quando os sérvios reprimiram de forma violenta movimentos separatistas de Kosovo, em um conflito interpretado como uma tentativa de limpeza étnica contra os albaneses. Em 2008, Kosovo declarou independência de forma unilateral, mas o ato não foi reconhecido pela Sérvia, que ainda considera o território como parte do país.

Sites de apostas esportivas já levantam a possibilidade do símbolo da Albânia aparecer no jogo desta sexta-feira. “Por mais que pareça algo apenas do futebol, apresentar em campo símbolos com significados políticos podem ter impacto direto na relação entre os países”, afirma Fábio Pizzamiglio, diretor da Efficienza, empresa especializada em comércio exterior.

Segundo Pizzamiglio, uma eventual crise durante o jogo pode ter reflexo em países parceiros, impactando inclusive nas relações comerciais. “A diplomacia entre os países depende de uma convivência harmoniosa. Conflitos dentro do campo podem repercutir diretamente nas relações comerciais entre nações, algo que pode gerar problemas econômicos em esfera nacional”, completa Pizzamiglio.

“Não há dúvida que esta é uma partida que a FIFA acompanhará as atitudes de jogadores e torcedores com lupa, visando identificar possíveis transgressões de comportamento que estejam em desacordo com as regras da competição”, avalia Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo.

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