Esporte

Iraniano está processando a Fifa após eliminação na Copa por R$ 5,2 bi

O principal argumento da ação é a anulação por VAR do gol marcado por Shoja Khalilzadeh contra o Egito na última rodada da fase de grupos

Evento com a seleção do Irã, antes do embarque para a Copa do Mundo, em Teerã (Atta Kenare/AFP)

Evento com a seleção do Irã, antes do embarque para a Copa do Mundo, em Teerã (Atta Kenare/AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 2 de julho de 2026 às 23h57.

A eliminação do Irã na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 chegou aos tribunais dos Estados Unidos. Um processo protocolado na Corte Federal de Boston pede que a Fifa pague US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) por suposta discriminação contra a seleção iraniana durante o torneio.

A ação foi apresentada por Lotfollah Kaveh Afrasiabi, analista político iraniano-americano e ex-conselheiro da equipe de negociações nucleares do Irã durante o governo de Barack Obama.

Segundo o jornal britânico The Independent, ele tenta transformar o caso em uma ação coletiva que representaria até 91 milhões de iranianos e iraniano-americanos que torciam pela seleção.

Além da Fifa, o presidente da entidade, Gianni Infantino, também foi incluído no processo. Até o momento, a organização não comentou oficialmente a ação.

Processo questiona decisão do VAR e tratamento dado ao Irã

O principal argumento da ação é a anulação do gol marcado por Shoja Khalilzadeh contra o Egito na última rodada da fase de grupos. O lance foi invalidado após revisão do árbitro de vídeo por impedimento, mantendo o empate por 1 a 1 e eliminando o Irã da competição.

Segundo a petição, a decisão teria sido equivocada e representaria uma demonstração de tratamento desigual contra a seleção iraniana. Afrasiabi afirma haver provas "claras e incontestáveis" de que o sistema de VAR tomou uma decisão errada que impediu a classificação da equipe.

O autor do processo também alega que milhões de torcedores sofreram danos emocionais em razão da eliminação. Em entrevista ao The Independent, ele afirmou considerar o pedido de US$ 1 bilhão "até modesto" diante dos prejuízos que atribui à atuação da entidade.

Segundo o Globo Esporte, Afrasiabi declarou que, caso vença a ação, pretende destinar parte da indenização para programas esportivos voltados à juventude no Irã.

Delegação também enfrentou restrições durante a Copa

Além da polêmica envolvendo o VAR, o processo cita dificuldades enfrentadas pela delegação iraniana durante a realização do torneio nos Estados Unidos.

Entre as reclamações estão a recusa de vistos para 11 integrantes da delegação, a impossibilidade inicial de permanecer hospedada em território americano e a necessidade de transferir sua base de treinamentos para Tijuana, no México, devido às restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos.

Na ação, Afrasiabi argumenta que essas medidas criaram dificuldades logísticas que colocaram o Irã em desvantagem em relação aos demais participantes. Para ele, caberia à Fifa garantir igualdade de condições entre todas as seleções.

Após a eliminação, o técnico Amir Ghalenoei classificou o Irã como "a equipe mais oprimida de toda a Copa". Segundo ele, a necessidade de constantes deslocamentos e o contexto da guerra envolvendo o país afetaram a recuperação física e emocional do elenco.

O processo ainda está em fase inicial. Segundo o The Independent, Afrasiabi terá 60 dias para notificar formalmente a Fifa, que tem escritório em Miami. A entidade confirmou ao jornal ter recebido um pedido de comentário, mas ainda não apresentou resposta pública.

Esta não é a primeira disputa judicial envolvendo iranianos e a Fifa. Em junho, a Justiça da Califórnia decidiu favoravelmente à entidade em uma ação que questionava a proibição do uso da bandeira do Irã anterior à Revolução Islâmica nas arquibancadas da Copa do Mundo.

Acompanhe tudo sobre:Irã - PaísCopa do Mundo

Mais de Esporte

Fifa segura punições e deixa para depois da Copa do Mundo decisões sobre críticas à arbitragem

Mercado da bola não para na Copa do Mundo; veja as principais movimentações

Bellingham provocou Messi, que 'respondeu' no campo: a reação das redes

O significado do número na faixa de Lamine Yamal durante a semifinal da Copa