Haaland reproduzindo sua comemoração no jogo Noruega x Iraque pela Copa do Mundo de 2026 (Foto: Justin Setterfield/ AFP) (Justin Setterfield/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 5 de julho de 2026 às 06h57.
A presença de Erling Haaland nas oitavas de final da Copa do Mundo contra o Brasil gerou preocupação na Noruega após o atacante admitir que terminou exausto a vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim.
Apesar do desgaste, especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que o intervalo até a partida de domingo deve ser suficiente para que o camisa 9 esteja em condições de atuar.
Haaland marcou o gol da vitória aos 41 minutos do segundo tempo e, após o jogo, afirmou que estava "morto de cansado" e que não teria condições de disputar uma prorrogação. A declaração aumentou as dúvidas sobre sua condição física para enfrentar a seleção brasileira.
O técnico Stale Solbakken também reconheceu o desgaste do principal jogador da equipe. Segundo ele, Haaland já demonstrava sinais de fadiga logo no início do segundo tempo da partida contra os marfinenses.
O desgaste não é uma exclusividade de Haaland. O capitão Martin Odegaard também foi poupado na última rodada da fase de grupos, quando a Noruega foi derrotada por 4 a 1 pela França.
A decisão fez parte da estratégia da comissão técnica para administrar o desgaste acumulado após uma longa temporada no futebol europeu.
Segundo Dom Rae, especialista em medicina esportiva que trabalha atualmente no Al Nasr, dos Emirados Árabes Unidos, o acúmulo de partidas ao longo dos últimos meses dificulta uma recuperação completa em poucos dias.
"Esses jogadores, especialmente os principais, disputaram muitas partidas. Eles estão cronicamente fatigados. Não é possível eliminar esse desgaste em cinco dias, mas é possível chegar significativamente mais descansado ao momento do jogo", afirmou à Reuters.
O especialista explica que os indicadores de fadiga costumam atingir o pico aproximadamente 48 horas após uma partida e, em alguns atletas, podem se estender por até 72 horas. Depois de cerca de quatro dias, porém, a maioria dos jogadores já apresenta recuperação próxima do normal.
Na avaliação de Rae, a Noruega pode até ter uma pequena vantagem no cronograma de recuperação. Enquanto a equipe europeia terá cinco dias entre um jogo e outro, o Brasil chega às oitavas após um intervalo de seis dias.
Segundo ele, períodos intermediários exigem um equilíbrio delicado entre descanso e treinamento. "Quando há apenas três ou quatro dias, a programação é simples: descansar, recuperar, preparar e jogar. Com cinco ou seis dias, é preciso encontrar o ponto certo para não treinar demais nem deixar o elenco parado por muito tempo", explicou.
Durante a folga após o confronto contra o Iraque, a comissão técnica permitiu que os jogadores passeassem por Nova York. Para o especialista, esse tipo de atividade pode contribuir para a recuperação psicológica dos atletas.
"Caminhar pela cidade também cansa, mas o cérebro controla o estresse, os hormônios e o sono. Se o jogador está emocionalmente bem, isso é tão importante quanto o descanso físico. Foi uma troca calculada pela comissão técnica", disse.
Rae também defendeu as pausas para hidratação adotadas pela Fifa durante a competição. Segundo ele, mesmo quando as temperaturas não parecem extremas, os jogadores perdem líquidos, eletrólitos e reservas de energia em partidas cada vez mais intensas.
Com a partida marcada para domingo, a expectativa na Noruega é de que Haaland consiga se recuperar a tempo de enfrentar o Brasil. Até o momento, não há indicação de lesão, mas apenas de fadiga acumulada após a sequência de jogos e a longa temporada no futebol europeu.