Diniz: treinador quer a classificação com o Corinthians na Libertadores ((Foto de Daniel Castelo Branco/Eurasia Sport Images/Getty Images))
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Publicado em 14 de agosto de 2026 às 10h36.
Fernando Diniz não escondeu a frustração com o fim das negociações entre Memphis Depay e Corinthians. Após o empate por 0 a 0 com o Rosario Central, na Argentina, pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, o treinador revelou que acreditava na permanência do atacante e que, dentro do clube, o retorno do holandês chegou a ser tratado como praticamente encaminhado.
Apesar da decepção, Diniz descartou que a indefinição em torno do camisa 10 tenha interferido na atuação do Corinthians. O técnico também afirmou que sequer havia certeza de que Memphis estaria em campo caso a renovação tivesse sido concluída.
"Meu sentimento é de tristeza, mas não vou falar que afetou para o jogo. Nem saberia se o Memphis jogaria. É uma construção que eu acreditava que renderia muitos frutos."
Diniz contou que criou uma expectativa particular para trabalhar com Memphis. Segundo o treinador, a relação construída desde os primeiros contatos indicava que havia espaço para uma parceria produtiva no Corinthians.
O técnico também revelou que a situação era acompanhada de maneira diferente nos bastidores. Enquanto a negociação ainda estava em andamento, a comissão técnica acreditava que restavam apenas detalhes para que o atacante voltasse a se apresentar ao clube.
"Fiquei muito triste com o desfecho. Um jogador que tinha vontade grande de trabalhar. Meus contatos, desde o primeiro, foram de muita qualidade, de entendimento de que a gente poderia fazer algo muito bom juntos. Eu, de fato, fiquei muito triste e decepcionado com o desfecho."
Mesmo com a expectativa pela continuidade, Diniz reconheceu que a saída nunca deixou de ser uma possibilidade. Para ele, porém, o cenário que existia internamente no CT apontava para um desfecho diferente.
"Era algo que eu esperava. Naquele estágio em que estava, era uma possibilidade. Mas, intramuros do CT, estava fechado, questão de detalhes pequenos para ele se apresentar. É uma pena para mim, para o Corinthians, para a torcida. Tinha muito gosto de trabalhar com o Memphis. Poderíamos fazer uma dupla interessante. Infelizmente, não foi dessa vez."
A saída do holandês não foi sentida apenas por Diniz. O treinador afirmou que pessoas de diferentes setores do futebol corintiano também esperavam que Memphis permanecesse, especialmente depois dos dois anos que o jogador passou no clube.
Além da importância esportiva, Diniz destacou os vínculos criados pelo atacante durante sua passagem pelo Corinthians. A expectativa chegou ao ponto de o grupo imaginar que Memphis faria parte da delegação que viajaria para a Argentina.
"Todos do departamento de futebol sentiram, Marcelo (Paz, executico de futebol), Julio (César, gerente de futebol), jogadores. Memphis ficou dois anos aqui. Além dos títulos, criou relações com todos e esperávamos até que viesse para a viagem."
O cenário poderia ter criado um ambiente de abatimento justamente antes de uma partida decisiva. Diniz, entretanto, avaliou que o elenco conseguiu canalizar a frustração para dentro de campo.
"Houve uma frustração, mas, quando há algo que foge do nosso controle, a gente tem que se unir mais. E conseguiram fazer de um evento triste uma motivação para uma entrega maior. Nada terminou, mas conseguiram um bom resultado."
A definição sobre o futuro do atacante ocorreu enquanto o Corinthians se preparava para enfrentar o Rosario Central. A negociação pela renovação vinha se prolongando há meses e passou por diferentes momentos, incluindo períodos em que um acordo parecia próximo.
Na reta final, o clube ainda buscava alternativas para viabilizar a permanência de Memphis, enquanto questões financeiras relacionadas ao contrato anterior também faziam parte das tratativas.
A indefinição chegou até a preparação para o confronto continental. O Corinthians chegou a considerar a possibilidade de contar com o jogador caso a renovação fosse concluída a tempo, mas o acordo não saiu e Memphis não integrou a delegação.
O empate sem gols deixou a disputa pelas quartas de final completamente aberta. Corinthians e Rosario Central voltam a campo na próxima quinta-feira, 20, às 21h30, de Brasília, na Neo Química Arena.
Para o confronto decisivo, Diniz já sabe que não poderá contar com Allan, suspenso. O treinador ainda terá de administrar a condição física do elenco, já que o Corinthians terá compromisso pelo Campeonato Brasileiro antes da partida de volta da Libertadores.
Questionado sobre a possibilidade de poupar jogadores pensando no duelo contra os argentinos, Diniz afirmou que ainda não definiu a estratégia.
"Estou pensando em todas as coisas. Ainda não tenho definição, mas é pensar bem e fazer um grande jogo."
Antes da decisão continental, o Corinthians enfrenta o Cruzeiro no domingo, às 19h30, pelo Campeonato Brasileiro.