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EXCLUSIVO: Nova liga de MMA recebe aporte de US$ 60 milhões e busca o próximo Royce Gracie no Brasil

Nova liga global de MMA tem Tony Hawk entre os investidores e pretende estrear em 2027 com torneio de 32 lutadores

Scott Coker, CEO e cofundador da Ki MMA, ao lado do skatista norte-americano Tony Hawk. (Lucas Noonan/Divulgação)

Scott Coker, CEO e cofundador da Ki MMA, ao lado do skatista norte-americano Tony Hawk. (Lucas Noonan/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 06h00.

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Os empresários Scott Coker e Peter Y. Levin anunciaram a criação da Ki MMA, uma nova organização global de artes marciais mistas que iniciará as operações com um aporte de US$ 60 milhões e prevê realizar eventos no Brasil várias vezes por ano.

A estreia da liga está programada para 2027. O plano é organizar competições na América do Norte, na América Latina, na Europa e na Ásia, com um modelo baseado em torneios anuais e na busca por atletas ainda pouco conhecidos do público.

A rodada de financiamento foi liderada pela Creator Sports Capital, empresa de investimentos esportivos, com participação da Griffin Gaming Partners. Em entrevista exclusiva à EXAME, Coker afirma que os recursos serão direcionados principalmente à contratação de lutadores, à produção dos eventos e à ampliação da equipe.

“Vamos contratar alguns agentes livres — o que, como se sabe, envolve custos elevados — e ampliar nossa equipe, estruturando-nos como uma empresa de grande porte agora que estamos em plena operação”, afirmou o CEO e cofundador da Ki MMA.

A organização também começará a negociar acordos de transmissão, distribuição internacional e patrocínio. De acordo com o executivo, sete ou oito potenciais parceiros de distribuição de diferentes países participaram do evento de lançamento da liga em Nova York.

Entre os investidores anunciados estão o skatista Tony Hawk; a empresa de colecionáveis Upper Deck; Steve Kaplan, proprietário do DC United e cofundador da Oaktree Capital; Swimmy Minami, fundador da Visional e sócio minoritário do New York Yankees; e Dean Dakolias, ex-vice-presidente do Fortress Investment Group.

O grupo também reúne investidores com participações em franquias da NFL, liga de futebol americano, e da NBA, liga de basquete dos Estados Unidos.

A chegada da organização ocorre em um cenário aquecido dentro e fora dos ringues. Segundo dados da consultoria 6WResearch, o mercado global de MMA foi avaliado em aproximadamente US$ 8,6 bilhões em 2025. A projeção é chegar a US$ 11,9 bilhões até 2032.

Como será o modelo da Ki MMA?

Coker fundou o Strikeforce, organização posteriormente vendida ao UFC, e também comandou o Bellator. Para a nova empresa, o executivo pretende adotar uma estrutura mais enxuta do que o modelo tradicional das principais ligas, que mantêm dezenas de atletas em diferentes categorias de peso.

A principal competição da Ki MMA será um World Grand Prix Peso-Pena, com 32 lutadores distribuídos entre América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul. Todos os confrontos serão realizados em um ringue, pelo sistema de eliminação simples.

A organização também pretende promover Super Lutas selecionadas. Datas, cidades-sede e acordos de transmissão serão divulgados antes da estreia.

“O nosso modelo de negócios será muito mais enxuto. Será baseado em um circuito de torneios. Focaremos o ano todo nesse torneio e também em agentes livres, pois queremos atuar na criação e na identificação de estrelas”, disse Coker.

A inspiração, segundo ele, está em competições como o PRIDE e o K-1, que ajudaram a popularizar o formato de torneios nas artes marciais. A proposta é acompanhar os atletas durante toda a competição e investir posteriormente nos vencedores e nos nomes com maior potencial de projeção.

“Precisamos voltar ao básico. Trata-se de retomar o estilo ‘old school’, criar estrelas e adotar um formato de competição anual”, afirmou.

Quanto os lutadores poderão ganhar?

A Ki MMA ainda não definiu o valor final da premiação do primeiro torneio, mas trabalha com um montante entre US$ 500 mil e US$ 600 mil, além do pagamento pela participação nas lutas.

A liga também prevê oferecer bônus por desempenho, como melhor luta da noite e finalização. Coker afirma que um atleta jovem que vencer a competição poderá receber duas, três ou até quatro vezes mais do que ganharia normalmente ao longo de um ano.

“Pagaremos tanto quanto qualquer outra liga ao assinar o contrato e entrar na competição e, no final, haverá uma premiação em dinheiro. Também haverá bônus pela luta da noite e por finalização. Vamos criar incentivos reais para que os atletas tenham um desempenho de alto nível”, disse.

Nos primeiros dois anos de operação, a expectativa é concluir dois torneios. Depois da competição de peso-pena, a organização avalia promover uma edição nas categorias de até 155 ou 170 libras. Um torneio feminino também está entre as possibilidades analisadas.

Qual será o papel do Brasil nesta operação?

Scott Coker, CEO e cofundador da Ki MMA. (Lucas Noonan/Divulgação)

Segundo o executivo, o Brasil será um dos mercados prioritários da expansão internacional da Ki MMA. A estratégia inclui buscar novos atletas, negociar acordos de transmissão e patrocínio e realizar eventos ao vivo no país.

“Quando penso na América Latina, algo de que realmente me arrependi na época do Bellator foi não ter concretizado os planos de ir ao Brasil, abrir um escritório e realizar vários eventos por ano no país. O Brasil é o coração e a alma do MMA”, afirmou Coker.

O executivo não revelou quantos eventos pretende organizar no mercado brasileiro, mas disse que a liga planeja visitar o país várias vezes por ano. Rio de Janeiro e outras grandes cidades estão entre os locais considerados para receber ações de divulgação e competições.

“Nossa prioridade número um é buscar novos talentos no Brasil. Quem é o novo Royce Gracie? Quem é o novo [Ronaldo] Jacaré? Quem é o novo Pitbull? Quem é o novo Fabricio Werdum? A lista é enorme”, brinca.

Além da identificação de lutadores, a Ki MMA pretende negociar acordos de distribuição televisiva para o mercado brasileiro, no entanto, não há informações sobre os suspostos parceiros. As conversas com potenciais parceiros devem avançar antes da definição do calendário oficial.

“Vamos buscar patrocínios e trabalhar na organização de eventos ao vivo no Brasil. No fim das contas, estaremos no mercado buscando ativamente a próxima estrela para desenvolver neste esporte”, afirmou.

Cris Cyborg e Royce Gracie integram projeto

A apresentação da Ki MMA contou com a participação dos brasileiros Cris Cyborg e Royce Gracie, que passam a integrar o grupo de embaixadores, conselheiros e representantes do projeto.

A lista também inclui Fedor Emelianenko, Randy Couture, Nate Diaz, Tyron Woodley, Gil Melendez, Frank Shamrock, Josh Thomson e Mark Coleman.

Segundo Coker, a experiência de antigos lutadores e treinadores ajudará a organização a localizar atletas fora das principais ligas. O executivo aposta em academias e parceiros regionais para montar o elenco.

No Strikeforce, Coker participou do desenvolvimento das carreiras de nomes como Daniel Cormier, Ronda Rousey, Tyron Woodley, Luke Rockhold e Gilbert Melendez. No Bellator, trabalhou com atletas como Usman Nurmagomedov, AJ McKee e Aaron Pico.

“Há muitos lutadores, e nós vamos transformá-los em estrelas. Temos o know-how. Vamos encontrar os jovens talentos e construir a próxima estrela de cada região”, disse.

De onde virão as receitas da nova liga?

Os direitos de transmissão serão uma das principais fontes de receita da Ki MMA, ao lado de patrocínios, venda de ingressos, licenciamento internacional e distribuição de conteúdo digital.

A organização também pretende explorar vídeos curtos, redes sociais e canais FAST, serviços gratuitos de televisão por streaming financiados por publicidade.

“É preciso ter um bom parceiro de televisão, uma boa distribuição internacional e a capacidade de impactar a comunidade a ponto de ela querer apoiar você. Também é preciso trabalhar com venda de ingressos e patrocínios”, afirmou Coker.

Nos quatro ou cinco meses anteriores à primeira luta, a companhia planeja produzir conteúdo digital sobre os participantes do torneio. A estratégia será apresentar a trajetória dos atletas ao público antes do início da competição.

“Vamos criar mais conteúdo para as redes sociais do que jamais criamos antes. Teremos quatro ou cinco meses consecutivos contando a história desses lutadores”, disse.

Scott Coker afirma que o plano de negócios foi elaborado com base nos conhecimentos de suas experiências anteriores e adota projeções "ortodoxas". O executivo não revelou metas específicas de audiência, receita ou número de eventos.

“Precisamos gerar receita. Se não geramos receita nem lucramos, então não passa de um hobby. Este será um negócio de verdade”, enfatizou.

O nome Ki faz referência ao conceito de energia e força vital presente nas tradições das artes marciais. Para Coker, após o anúncio e a captação do investimento, o principal desafio será transformar a estratégia em eventos e contratos comerciais.

“O desafio agora é partir para a ação, executar e colocar tudo em funcionamento.”

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