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EUA x Venezuela? Mundial de beisebol traz geopolítica para o campo em Miami

Semifinais do torneio nos EUA podem levar a uma final inédita entre países em crise diplomática após operação militar americana em Caracas

Andrés Machado, número 30 da Seleção Venezuelana (Gene Wang - Capture At Media/Getty Images)

Andrés Machado, número 30 da Seleção Venezuelana (Gene Wang - Capture At Media/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 15 de março de 2026 às 09h55.

O Mundial de Beisebol disputado em Miami pode terminar com um confronto que vai muito além do esporte. Se as semifinais confirmarem o favoritismo das equipes, a decisão de terça-feira, 17, poderá colocar frente a frente Estados Unidos e Venezuela, países que hoje vivem uma das maiores crises diplomáticas recentes do continente.

As semifinais acontecem no loanDepot Park, em Miami, na Flórida. Neste domingo, os Estados Unidos enfrentam a República Dominicana. A seleção americana deve ter o arremessador Paul Skenes como titular contra Luis Severino, dos dominicanos. Já na segunda, a Venezuela encara a Itália, que chega invicta ao mata-mata e já derrotou os próprios americanos na fase de grupos.

Se EUA e Venezuela vencerem seus jogos, os dois países se enfrentam na final do torneio, em um duelo que mistura rivalidade esportiva e tensão geopolítica.

A campanha venezuelana é uma das grandes histórias da competição. A seleção eliminou o Japão — um dos favoritos ao título — em um jogo que terminou com Shohei Ohtani sendo o último eliminado.

O momento decisivo veio com um home run de Wilyer Abreu, que colocou a Venezuela na semifinal. A seleção não chegava tão longe em um grande torneio internacional desde 2009.

Do outro lado da chave, os Estados Unidos buscam confirmar o favoritismo contra a República Dominicana, uma das seleções mais tradicionais do beisebol mundial.

A possível final também carrega um peso esportivo relevante. As duas equipes já garantiram vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, por estarem entre as melhores seleções das Américas no torneio.

Antes da eventual decisão, porém, a Venezuela terá um obstáculo inesperado: a Itália. A seleção europeia chega invicta às semifinais e se transformou na principal zebra do torneio. Durante a fase de grupos, os italianos derrotaram os Estados Unidos e ganharam fama entre os fãs pelo estilo agressivo de jogo — que a própria equipe apelidou de “beisebol do café expresso”.

A Itália se tornou a principal pedra no sapato das favoritas na competição.

Crise política entre eua e venezuela

Uma eventual final entre os dois países ocorreria pouco tempo após um episódio que provocou forte reação internacional.

Em janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação militar em larga escala na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A ofensiva incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país antes da prisão do líder chavista, acusado de narcoterrorismo.

Maduro foi levado para os Estados Unidos e está detido em Nova York, enquanto a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino do país.

O presidente americano Donald Trump afirmou que a operação inaugurava uma nova estratégia de atuação regional. Ele apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, defendendo que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington.

A ofensiva provocou reação de governos latino-americanos e levou o Conselho de Segurança da ONU a convocar uma reunião emergencial.

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