Estádio da Filadélfia: arena recebeu o jogo Equador e Costa do Marfim no domingo, 14 de junho (Mauro Pimentel/AFP)
Repórter
Publicado em 15 de julho de 2026 às 18h40.
Última atualização em 15 de julho de 2026 às 19h11.
Os Estados Unidos consolidam-se como o novo epicentro do futebol mundial. Após sediarem o Mundial de Clubes em 2025 e alcançarem recordes de público e faturamento na Copa do Mundo atual, o país sinaliza o desejo de abrigar os próximos grandes eventos da modalidade.
Segundo o jornal inglês The Guardian, autoridades americanas já manifestaram interesse em receber novamente o Mundial de Clubes em 2029. Além disso, os EUA despontam como favoritos para sediar a Copa América de 2028 e já estão confirmados, ao lado do México, como sede da Copa do Mundo Feminina de 2031.
Esse protagonismo não é recente e ganhou força em 2024, quando o país sediou a Copa América que coroou a Argentina como campeã. Além da atual Copa do Mundo, os EUA concentram atenções nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles, prometidos como um dos eventos mais tecnológicos da história. É justamente o calendário olímpico o principal ponto de atenção para os planos do futebol.
"Não existe competição com os norte-americanos. Nenhum país tem o esporte em geral em sua cultura como eles, como parte da formação do cidadão e preparo para uma vida de competição, além de estrutura e pessoas tão qualificadas e experientes para lidar com a promoção de eventos como eles. Nenhum país representa tão bem o que é um evento global. Foram e seguem sendo o país que mais recebeu imigrantes, de mais países diferentes, e são o país que abriga a maior diversidade cultural do mundo. Mudaram o padrão das Copas em 1994, e agora mostraram novamente que mesmo promovendo um evento para eles secundário, ofereceram algo muito melhor do que todos os outros", analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana.
"Os Estados Unidos são especialistas em transformar grandes eventos esportivos em plataformas de geração de receitas e negócios. Eles conseguem potencializar cada competição, criando novas oportunidades econômicas e ampliando os resultados muito além do que acontece dentro de campo. É natural que o país busque concentrar cada vez mais esses eventos, porque eles têm um efeito multiplicador sobre a economia, fortalecem diferentes setores e consolidam os Estados Unidos como a principal referência mundial na indústria do esporte", afirma Moises Assayag, especialista em gestão e finanças esportivas.
"Os EUA são a referência global sobre negócios no esporte, do marketing à tecnologia. É o maior mercado anunciante do planeta, com mais sofisticação e grandes empresas internacionais atuando localmente. Quanto mais dentro do soccer, mais deste conhecimento e destes recursos retroalimentam a cadeia produtiva global do Futebol. E a tendência lá é de crescimento mais acelerado, por conta da maior fatia de latinos nativos e até de americanos mais tradicionais (WASP) consumindo o esporte", diz Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore no Brasil, com experiência em marketing esportivo, comunicação, inovação e ESG no mundo dos esportes.
Segundo o The Athletic, do New York Times, as conversas avançadas entre Conmebol e Concacaf para realizar a Copa América de 2028 em solo americano exigirão uma engenharia de datas complexa, evitando o conflito comercial e logístico entre as duas grandes competições.
Em relatório da elaborado conjuntamente pela FIFA e OMC, estima-se que os gastos associados à Copa de 2026 terão impacto de US$ 17,2 bi sobre o PIB americano e US$ 40,9 para o PIB Global, e que a Copa será responsável pela geração de 185 mil empregos (equivalente de empregos em tempo integral) nos EUA e 824 mil globalmente.
A grande pergunta que fica é se os Estados Unidos vão se tornar, de fato, o novo centro do esporte nestes próximos anos e, quem sabe, conseguir popularizar o "soccer" no país, já que o esporte está longe de ter a preferência do público local.
“Antes citado no meio esportivo apenas por conta da NBA e da NFL, os EUA agora vivem uma crescente na valorização do futebol, em parte impulsionada por eventos de grande porte. É uma agenda que não apenas atrai atenção internacional, mas também catalisa investimentos em infraestrutura, mídia e publicidade, além de criar diversas oportunidades de negócio para o mercado, como a hospitalidade e o oferecimento de um serviço premium para os torcedores", explica Joaquim Lo Prete, general manager da Absolut Sport no Brasil, agência de experiências esportivas e que tem escritório nos EUA.
Como reflexo dessa expansão, a Fifa vem transferindo parte de suas operações para Miami desde 2023. O movimento acompanha o forte crescimento da Major League Soccer (MLS), impulsionado pela chegada de astros globais como Lionel Messi ao Inter Miami. Mais de uma centena de funcionários da entidade máxima do futebol deixaram a sede histórica na Suíça rumo a Coral Gables, na Flórida. O novo escritório estratégico passará a concentrar os departamentos jurídico, de auditoria, conformidade e gestão de riscos da organização.
“A ascensão dos Estados Unidos como polo esportivo global cria um efeito dominó: clubes, ligas e arenas de outros países passam a adotar tecnologias mais avançadas para não perder relevância", diz Tironi Paz Ortiz, CEO e Fundador da Imply Tecnologia.
“Depois de diversas tentativas de popularizar o futebol na terra do Tio Sam, a crescente influência da cultura latina, a combinação de sediar grandes eventos e ter estrelas de primeira grandeza jogando a liga local tem se mostrado uma receita vencedora para mudar de patamar a importância desse esporte no mercado mais competitivo do mundo. Disputar atenção com as outras quatro grandes ligas já estabelecidas é um desafio e tanto, mas o futebol tem tudo para consolidar sua presença dessa vez", analisa Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.