NFL: causa de morte de atletas é justificada por conta dos impactos sofridos durante carreira (Leandro Bernardes/PxImages/Icon Sportswire/Getty Images)
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Publicado em 29 de agosto de 2026 às 08h51.
Ao menos um em cada quatro jogadores da NFL que morreram entre 2016 e 2021 tinha encefalopatia traumática crônica (ETC), doença cerebral degenerativa associada a impactos repetitivos na cabeça. O dado faz parte de um estudo publicado no British Medical Journal e reforça a preocupação com os efeitos de longo prazo das concussões no futebol americano.
A ETC só pode ser identificada por meio da análise do cérebro após a morte. Durante o período analisado, 878 ex-jogadores da NFL morreram, e 235 deles tiveram os cérebros doados para pesquisas científicas, segundo o Marca, da Espanha.
Entre os cérebros examinados pelos pesquisadores, 215 apresentaram sinais de ETC. O número representa 91,5% dos atletas que tiveram o órgão analisado e corresponde a pelo menos 24,5% de todos os ex-jogadores da NFL que morreram no período estudado.
O professor associado da Faculdade de Medicina de Harvard e principal autor da pesquisa, Daniel Daneshvar, destacou que os jogadores da liga apresentam uma taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas significativamente superior à observada na população em geral.
“Nós e outros pesquisadores demonstramos que, entre os jogadores da NFL em particular, a taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas é aproximadamente quatro vezes maior que a da população geral", explicou ao Marca.
O próprio desenho da pesquisa, porém, exige cautela na interpretação dos números. Como apenas uma parcela dos atletas falecidos teve o cérebro doado para análise, os pesquisadores não afirmam que 24,5% de todos os jogadores mortos necessariamente apresentavam ETC. O levantamento indica, sim, a dimensão do problema entre os casos que puderam ser investigados.
A preocupação com as consequências dos traumas repetidos na cabeça não se limita ao futebol americano. Famílias de ex-atletas de modalidades como rugby e hóquei no gelo também têm optado pela doação dos cérebros para ampliar o conhecimento sobre a doença.
Ao mesmo tempo, diferentes esportes passaram a adotar protocolos mais rígidos para lidar com concussões. Entre as medidas estão a retirada imediata do atleta de situações de risco, avaliações médicas antes do retorno e períodos de recuperação acompanhados por profissionais de saúde.