Esporte

Espanha ou Argentina? Estudo revela o palpite e a torcida do ChatGPT pelo campeão da Copa

Estudo da Raniqa aponta a seleção espanhola como vencedora em 100% das respostas diretas, enquanto a Argentina concentra 63% das escolhas quando o modelo é obrigado a declarar torcida

Estudo da Raniqa mostra que o ChatGPT aponta a Espanha como campeã, mas escolhe a Argentina quando é obrigado a declarar torcida. (Lars Baron/Getty Images/AFP)

Estudo da Raniqa mostra que o ChatGPT aponta a Espanha como campeã, mas escolhe a Argentina quando é obrigado a declarar torcida. (Lars Baron/Getty Images/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 19 de julho de 2026 às 08h00.

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A Espanha foi apontada como favorita para vencer a final da Copa do Mundo em 100% das respostas diretas analisadas em um estudo da Raniqa, empresa que monitora a presença de marcas e entidades nas respostas de sistemas de inteligência artificial. No levantamento, realizado nesta sexta-feira, 17, o ChatGPT atribuiu à seleção espanhola uma probabilidade típica de vitória entre 55% e 60%, ante uma faixa de 40% a 45% para a Argentina.

O resultado muda quando a pergunta deixa de tratar de probabilidade esportiva e obriga o sistema a escolher uma seleção para torcer. Nesse recorte, a Argentina aparece como a opção principal em 63% das respostas, seguida por Brasil, com 26%, Espanha, com 9%, e Japão, com 2%.

A pesquisa analisou respostas do ChatGPT 5.5 Instant, em português, com geolocalização no Brasil. O estudo submeteu ao sistema perguntas sobre torcida, chances de vitória, possíveis autores de gols, transmissão da partida, aplicativos de entrega e promoções de marcas. O documento não informa o número total de respostas coletadas em cada etapa.

A diferença entre a seleção escolhida para torcer e o time apontado como favorito indica que o ChatGPT usa conjuntos distintos de argumentos conforme a formulação da pergunta: história e narrativa sustentam a Argentina, enquanto campanha, defesa e dados de mercado sustentam a Espanha.

Nas perguntas sobre quem venceria a decisão, a Espanha recebeu uma estimativa mediana de 57,5%. A Argentina ficou com 42,5%. A seleção espanhola apareceu com estimativas entre 55% e 60% em 60% das respostas. A argentina recebeu percentuais entre 40% e 45% em 59% dos casos.

A forma e a campanha recente foram citadas em todas as respostas que apontaram a Espanha como favorita. A experiência em decisões apareceu em 96%, seguida por equilíbrio e incerteza, com 90%, defesa e solidez, com 82%, e mercado de apostas, com 78%.

A Argentina não foi descartada pelo sistema. Segundo o estudo, ela foi descrita como uma alternativa capaz de vencer uma partida única, mas não apareceu como conclusão principal em nenhuma das perguntas diretas sobre o provável campeão.

Mesmo após a inclusão de uma exigência matemática e estatística no comando enviado ao ChatGPT, a Espanha permaneceu como favorita em 96% das respostas. A mudança ocorreu na extensão e na estrutura dos textos, não na projeção central.

As respostas com um modelo matemático passaram de uma mediana de 180,5 para 564 palavras. A quantidade mediana de elementos numéricos subiu de nove para 111,5. Fórmulas, ausentes no comando direto, apareceram em 99% dos textos, enquanto tabelas foram incluídas em 96%.

O método mais citado foi o sistema de classificação Elo, presente em 99% das respostas. Modelos de Poisson, usados para estimar a ocorrência de eventos como gols, apareceram em 98%. Índices ponderados foram usados em 95%, funções logísticas em 94% e simulações de Monte Carlo em 93%.

A presença desses métodos não representa, por si só, validação das projeções. O estudo afirma que os pesos usados pelo ChatGPT foram definidos de forma específica para cada resposta, sem calibração informada ou backtest, processo que testa um modelo com resultados passados. O número médio de fontes citadas também caiu de 2,87, no comando direto, para 1,89, na versão que exigia um modelo.

Argentina concentra a torcida por história, legado e narrativa

Quando foi instruído a não permanecer neutro, o ChatGPT escolheu a Argentina em quase dois terços das respostas. A seleção apareceu em 92% dos textos sobre torcida, foi citada em primeiro lugar em 88% e encerrou a resposta em 14%.

O Brasil teve visibilidade de 86%, mas ocupou a posição de escolha principal em 26% das respostas. Em 73% dos casos, apareceu no fim do texto, geralmente como uma ressalva relacionada ao ponto de vista do torcedor brasileiro ou a um cenário no qual a equipe estivesse na final.

A Espanha teve visibilidade de 39% nas perguntas sobre torcida. Foi citada em primeiro lugar em 18% e apareceu no fim de 56% das respostas. A Alemanha foi mencionada em 5%, sem registros como primeira ou última seleção citada.

Entre as justificativas para a escolha de uma seleção, história, tradição e legado apareceram em 100% das respostas. Narrativa, ciclo e emoção foram citados em 78%; tática, estilo e identidade, em 77%; cultura, torcida e impacto, em 64%; rivalidade nacional, em 55%; elenco e talento, em 34%; forma e campanha recente, em 23%; e estrelas individuais, em 19%.

O Brasil apareceu sob quatro papéis. A perspectiva do torcedor brasileiro e a rivalidade com a Argentina foram mencionadas em 51% das respostas. O cenário “se o Brasil estivesse na final” apareceu em 40%. A seleção foi a escolha principal de torcida em 26% e recebeu apenas uma referência histórica ou cultural em 14%.

O estudo também analisou a ordem das menções. A Argentina costuma abrir as respostas como escolha principal. O Brasil tende a aparecer no encerramento, como ressalva. A Espanha, apesar de ser a favorita na projeção esportiva, foi tratada como adversária nas perguntas de torcida.

Messi aparece como principal candidato a marcar na final

Lionel Messi foi apontado como o jogador com mais chances de marcar em 97% das respostas. O argentino apareceu em 100% dos textos analisados e abriu a lista de candidatos em 99%. A probabilidade mediana atribuída ao jogador foi de 47,5%, com faixa recorrente entre 45% e 50%.

Lamine Yamal apareceu em 98% das respostas, com mediana de 32,5% e faixa entre 30% e 35%. Apesar da presença, o jogador espanhol foi escolhido como principal candidato em apenas 1% dos casos.

Mikel Oyarzabal teve visibilidade de 77%, com probabilidade mediana de 37,5% e intervalo entre 25% e 46%. Julián Álvarez apareceu em 67% das respostas, com mediana de 27,5%. Lautaro Martínez foi citado em 29% e Álvaro Morata, em 17%. Os três receberam medianas de 27,5%.

As respostas trataram os percentuais como probabilidades do mercado anytime scorer, aposta na qual o jogador pode marcar em qualquer momento da partida, inclusive durante uma eventual prorrogação. O estudo registra que 99% das justificativas recorreram a modelos ou simulações.

A escolha de Messi também foi associada ao protagonismo individual e à possibilidade de despedida do jogador de uma Copa do Mundo. Penalidades, bolas paradas e quantidade estimada de minutos em campo apareceram como fatores de ajuste, mas não retiraram o argentino da primeira posição.

CazéTV, iFood e Coca-Cola lideram respostas sobre consumo

Nas perguntas sobre onde assistir à final, CazéTV, YouTube, TV Globo e SporTV tiveram visibilidade de 100%. A CazéTV, porém, foi a primeira opção citada em 83,8% das respostas.

A Globoplay apareceu em 90% das recomendações. O SBT foi mencionado em 13% e o Prime Video, em 6%. O YouTube foi classificado pelo estudo como infraestrutura de distribuição da CazéTV, não como uma recomendação independente de marca.

Gratuidade e custo apareceram em 100% das justificativas sobre transmissão. Narração, comentários e estilo de cobertura foram citados em 99%; disponibilidade, região e conveniência, em 88%; e qualidade de imagem e estabilidade, em 83%.

Nas perguntas sobre delivery, serviço de entrega de refeições e produtos, o iFood apareceu em 100% das respostas e foi sempre a primeira plataforma citada. A Rappi teve visibilidade de 98%.

Os concorrentes seguintes ficaram abaixo de 30%: 99Food, com 29%; Keeta, com 25%; Uber Eats, com 22%; aiqfome, com 7%; e Zé Delivery, com 5%. As menções a essas empresas foram condicionadas à cidade ou à disponibilidade regional.

Capacidade logística e tempo de entrega apareceram em 100% dos critérios usados pelo ChatGPT. Disponibilidade e região foram citadas em 97%; cupons, promoções e preço, em 96%; variedade e base de restaurantes, em 94%; e ecossistema de categorias, em 87%.

Para o dia da final, o sistema também recomendou pedidos antecipados, comparação dos tempos estimados e avaliação da capacidade de entrega em cada região. O estudo registra que o ChatGPT substituiu a noção de “melhor aplicativo” por uma análise operacional relacionada ao horário e à demanda.

Entre as marcas associadas a promoções, a Coca-Cola teve visibilidade de 100%. McDonald’s apareceu em 99% das respostas; Lay’s, em 95%; Budweiser, em 85%; Visa, em 81%; Adidas, em 79%; Chipotle, em 66%; Rexona, em 51%; Mercado Livre, em 40%; e Magazine Luiza, em 39%.

O levantamento separou as menções por tipo de evidência. Coca-Cola, Budweiser, Visa e Adidas foram associadas a expectativas relacionadas a patrocínios. McDonald’s e Lay’s foram ligadas a campanhas ativas durante a Copa. Chipotle e Rexona apareceram por ações anunciadas para a final.

Uma promoção da Chipotle, relacionada a um sorteio de refeições durante o segundo tempo, fez a marca abrir a resposta em 92% dos casos em que foi mencionada. O dado mostra uma diferença entre visibilidade total e posição na resposta: uma ação identificada pelo sistema como confirmada ocupou a primeira linha com mais frequência que marcas com presença global.

Descontos de preço foram o tipo de promoção citado em 100% das respostas. Sorteios e prêmios apareceram em 76%; brindes e colecionáveis, em 74%; benefícios em app, aplicativo, e produtos gratuitos, em 67%; cupons e códigos, em 48%; e viagens e experiências, em 34%.

Fontes mudam de acordo com cada pergunta

O ChatGPT criou, em média, duas consultas derivadas por resposta, alternando pesquisas em português e inglês. Esse processo, chamado de query fan-out, consiste em dividir uma pergunta em buscas menores antes de produzir o texto final.

A Reuters foi a fonte com presença mais transversal. A agência apareceu em cinco das sete categorias de perguntas e respondeu por 15,2% do alcance global das fontes analisadas.

Nas perguntas sobre torcida, o domínio mais influente foi o site da Fifa, com alcance de 24%. Na pergunta direta sobre quem venceria, a Reuters liderou, com 33%. Quando o comando exigiu um modelo matemático, o site Nate Silver teve alcance de 60%.

Para a projeção de autores de gols, o domínio Squawka liderou, com 25%. Nas respostas sobre transmissão, a Wikipédia em português teve alcance de 53%. A Forbes Brasil foi a principal fonte nas perguntas sobre entrega, com 42%. O Houston Chronicle atingiu 66% nas perguntas sobre promoções, impulsionado pela notícia sobre a Chipotle.

O estudo afirma que uma única página pode alcançar dois terços das respostas sobre determinado assunto. Também diferencia visibilidade, presença de uma entidade no texto, de influência, citação efetivamente inserida como fonte da resposta.

A localização no Brasil alterou entidades e serviços citados. O ChatGPT recorreu à rivalidade entre Brasil e Argentina ao falar de torcida, a CazéTV e Globo ao indicar transmissões, iFood e Rappi nas recomendações de entrega e Mercado Livre e Magazine Luiza nas promoções.

O documento ressalta que os resultados representam a coleta feita em 17 de julho de 2026 e não medem estabilidade entre dias ou versões do ChatGPT. Probabilidades também podem se referir a períodos diferentes da partida, como 90 minutos, prorrogação ou mercado de autor de gol.

No conjunto das respostas analisadas, a Espanha ocupa a posição de favorita esportiva, a Argentina lidera a torcida declarada, Messi aparece como principal candidato a marcar e CazéTV e iFood concentram as primeiras recomendações de consumo.
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