Esporte

De Pelé a Neymar: relembre os clamores populares por convocações na história da Seleção

Debate sobre Neymar na primeira lista de Carlo Ancelotti resgata casos marcantes envolvendo Romário, Ronaldinho Gaúcho, Gabigol e outros nomes pedidos pela torcida para Copas do Mundo

Pelé estreou em Copas na edição de 1958 e foi fundamental na conquista do 1º título (Alessandro Sabattini/Getty Images)

Pelé estreou em Copas na edição de 1958 e foi fundamental na conquista do 1º título (Alessandro Sabattini/Getty Images)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 18 de maio de 2026 às 15h36.

O futebol brasileiro vive mais um capítulo de uma história recorrente: a forte pressão popular pela convocação de um grande craque para a Copa do Mundo. Desta vez, o nome no centro do debate é Neymar, que divide opiniões poucas horas antes da divulgação da lista de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira.

Embora as redes sociais tenham ampliado o alcance das discussões nos últimos anos, o fenômeno não é novo. Em diferentes gerações, torcida, imprensa, ex-jogadores e até figuras políticas se mobilizaram em torno de jogadores considerados indispensáveis para o Mundial.

Segundo levantamento da Band, ao longo da história, diversos casos envolvendo Pelé, Romário, Ronaldinho Gaúcho e o próprio Neymar ajudaram a moldar essa relação entre clamor popular e decisões técnicas.

Pelé: dúvidas antes da consagração em 1958

Hoje tratado como unanimidade, Pelé também conviveu com questionamentos antes de disputar sua primeira Copa do Mundo.

Na edição de 1958, na Suécia, o atacante tinha apenas 17 anos e ainda despertava cautela dentro da comissão técnica e entre analistas da época. Apesar das dúvidas sobre a pouca idade, havia forte defesa por sua presença entre os convocados.

Com o torneio em andamento, Pelé ganhou espaço, tornou-se titular e foi decisivo na campanha que terminou com o primeiro título mundial da Seleção Brasileira.

Dirceu Lopes e a polêmica troca de comando em 1970

Outro episódio marcante ocorreu antes da Copa do México, em 1970. Dirceu Lopes, destaque do Cruzeiro, era peça importante do time comandado por João Saldanha durante as Eliminatórias. A mudança no comando técnico, porém, alterou seu destino.

Com a saída de Saldanha e a chegada de Zagallo às vésperas do Mundial, o meia acabou fora da convocação. A justificativa apresentada foi de ordem tática: Dirceu e Pelé exerceriam funções semelhantes na equipe.

A decisão gerou forte reação, especialmente em Minas Gerais, onde o jogador era tratado como um dos principais nomes do futebol nacional naquele período.

Neto e o apelo corintiano antes da Copa de 1990

Em 1990, o debate girou em torno de Neto. Vivendo grande fase técnica e liderando o Corinthians rumo ao seu primeiro título brasileiro, o meia recebeu forte apoio de parte da torcida, principalmente a corintiana.

O movimento, porém, não atingiu dimensão nacional semelhante a outros casos históricos. O técnico Sebastião Lazaroni preferiu deixar o jogador fora da lista para a Copa da Itália, priorizando atletas com perfil físico diferente e nomes que atuavam no futebol europeu.

Romário e o maior clamor popular da história

Poucos casos mobilizaram tanto o país quanto o de Romário antes da Copa do Mundo de 2002.

Herói do tetra em 1994 e ausente em 1998 por lesão, o atacante chegava ao ciclo cercado por pedidos de torcedores, jornalistas e personalidades do futebol. Luiz Felipe Scolari, no entanto, decidiu não levá-lo ao Mundial por questões ligadas à disciplina e à relação de confiança com o grupo.

A repercussão ganhou proporções inéditas. Pesquisas indicavam amplo apoio popular pela convocação, manifestações aconteceram em diferentes regiões do país e até o então presidente Fernando Henrique Cardoso pediu publicamente a presença do atacante na lista.

Romário chegou a se emocionar em entrevista coletiva, enquanto, na véspera da convocação, torcedores cercaram um carro ligado a Felipão em protesto.

A decisão foi mantida. Scolari apostou na recuperação física de Ronaldo, e o Brasil conquistou o pentacampeonato mundial.

Neymar e Ganso: os “Meninos da Vila” de 2010

A Copa de 2010 trouxe um dos debates mais lembrados da era recente da Seleção. Neymar e Paulo Henrique Ganso, destaques do Santos, protagonizavam uma temporada de forte repercussão no futebol brasileiro. Jovens, técnicos e decisivos, os “Meninos da Vila” despertaram uma campanha nacional pela presença na lista de Dunga para a Copa da África do Sul.

Naquele momento, muitos consideravam Ganso o principal talento da dupla. O meia chegou a aparecer em uma pré-lista, enquanto Neymar também acumulava apoio popular.

Dunga, no entanto, optou por manter a base do grupo que havia construído durante o ciclo e não incluiu os dois jovens na convocação final.

Eliminado pela Holanda nas quartas de final, o Brasil viu o debate ganhar novo fôlego, com torcedores questionando a ausência de alternativas ofensivas capazes de mudar o cenário do jogo.

Ronaldinho Gaúcho e o apelo antes da Copa em casa

Às vésperas da Copa do Mundo de 2014, o centro da discussão passou a ser Ronaldinho Gaúcho.

Depois de liderar o Atlético-MG na conquista da Libertadores de 2013, o meia-atacante passou a ser alvo de forte campanha popular, impulsionada sobretudo pela torcida atleticana.

Luiz Felipe Scolari chegou a testar Ronaldinho em amistosos, mas o desempenho discreto pesou contra sua permanência entre os nomes cotados.

No fim, o veterano ficou fora da lista para o Mundial disputado no Brasil. Após a lesão de Neymar na reta final do torneio e a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, parte da discussão foi retomada: Ronaldinho poderia ter oferecido uma alternativa diferente à seleção?

Gabigol, Libertadores e pressão antes do Catar

O caso mais recente antes do debate atual envolveu Gabigol, às vésperas da Copa do Mundo de 2022.

Vivendo grande momento pelo Flamengo, o atacante era frequentemente defendido por torcedores e parte da imprensa, mas nunca conseguiu convencer Tite ao longo do ciclo.

A pressão aumentou nos dias anteriores à convocação final. Gabigol marcou o gol do título da Libertadores de 2022, contra o Athletico-PR, reacendendo os pedidos por uma vaga na lista do Mundial do Catar.

Mesmo diante da repercussão, Tite manteve a base do grupo que havia feito campanha consistente nas Eliminatórias e chegava como uma das favoritas ao título.

O Brasil acabou eliminado pela Croácia nas quartas de final, nos pênaltis. Depois da queda, parte dos torcedores voltou a citar a ausência de Gabigol, especialmente pelo histórico do atacante como cobrador de penalidades.

Neymar e o novo debate da era Ancelotti

Agora, em 2026, a discussão retorna tendo Neymar como protagonista. Maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, o atacante chega à convocação de Carlo Ancelotti cercado por opiniões divergentes.

De um lado, estão os que defendem o peso técnico, a experiência e a capacidade de decisão do camisa 10. Do outro, surgem questionamentos ligados ao momento físico, à sequência recente e ao planejamento de um novo ciclo.

Acompanhe tudo sobre:Seleção Brasileira de FutebolCopa do Mundo

Mais de Esporte

Camisa de Neymar com 'pontuação' no nome gera discussão entre torcedores

Copa do Mundo 2026: Coreia do Sul x República Tcheca - onde assistir ao vivo e horário

Da Copa do Mundo ao Super Bowl: veja quais são os eventos esportivos mais assistidos do mundo

Como a CazéTV virou um negócio bilionário e mudou a transmissão esportiva