Mbappé: jogador utilizou máscara de proteção durante a Euro 2024 (FRANCK FIFE/AFP/Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 8 de julho de 2026 às 08h06.
Quando Kylian Mbappé deixou o campo com o rosto machucado na Eurocopa de 2024, a dúvida era imediata: a França teria seu principal jogador disponível para o restante da competição?
O atacante havia sofrido uma fratura no nariz durante a estreia da seleção francesa e, após exames médicos, recebeu a informação de que não precisaria passar por cirurgia naquele momento. O problema era o tempo. A recuperação completa da lesão poderia levar cerca de seis semanas, período incompatível com a sequência do torneio.
A solução encontrada foi uma máscara de proteção facial, um equipamento que não acelera a recuperação nem elimina completamente os riscos de uma nova pancada, mas permite que o atleta volte a competir enquanto o osso ainda está em processo de cicatrização.
O desafio, porém, era criar uma peça que combinasse segurança, conforto e desempenho para um dos melhores jogadores do mundo.
A produção da máscara envolveu uma verdadeira força-tarefa. A equipe de design da Oakley, empresa de equipamentos esportivos que já tinha uma relação com Mbappé, recebeu a missão de desenvolver uma proteção personalizada em poucos dias, segundo o New York Times.
O ponto de partida foi uma tecnologia que facilitou o processo: a empresa já tinha uma digitalização em 3D do rosto e da cabeça do atacante, feita quando ele se tornou embaixador da marca em 2022.
Com esse modelo, os designers conseguiram criar uma reprodução fiel do rosto do francês e desenvolver uma máscara específica para suas características físicas.
O equipamento foi impresso em 3D com material plástico à base de resina, recebeu aberturas de ventilação próximas aos olhos e ao nariz e passou por diversos ajustes para garantir que não atrapalhasse a visão, a respiração ou a comunicação do jogador em campo.
Antes de chegar às mãos de Mbappé, a máscara passou por uma série de testes. A equipe simulou impactos disparando bolas contra o protótipo para avaliar sua resistência e garantir que a proteção suportaria situações semelhantes às de uma partida, de acordo com o NYT.
Além disso, foram enviados diferentes modelos de espumas internas para que a comissão médica da França pudesse ajustar o encaixe e encontrar a melhor adaptação para o rosto do atacante.
Todo o processo levou aproximadamente 48 horas. A prioridade era clara: entregar um equipamento seguro, sem comprometer o desempenho do jogador.
Apesar de ter permitido que Mbappé continuasse disputando a Euro, a experiência não foi simples para o atacante.
O francês admitiu posteriormente que teve dificuldades para atuar utilizando a proteção. A visão ficou limitada em alguns momentos, o suor acumulava próximo aos olhos e o desconforto aumentava durante as partidas.
Mbappé utilizou a máscara por quatro jogos, até a eliminação da França para a Espanha na semifinal da competição. Depois do torneio, revelou que, se pudesse voltar atrás, talvez optasse por não entrar em campo.
"Se eu pudesse voltar, eu não jogaria", afirmou o atacante em entrevista antes da Copa do Mundo de 2026.
Ainda assim, ele reconheceu a importância do equipamento naquele momento. Sem a máscara, dificilmente teria condições de ajudar a seleção francesa na reta final da Euro.
Lesões faciais são relativamente comuns no futebol, principalmente envolvendo nariz, mandíbula e ossos da face. Por isso, jogadores como Djed Spence, Luca Zidane, Sebastián Cáceres e Stefan Posch também passaram a utilizar proteções semelhantes em competições recentes.
Especialistas ouvidos pelo NYT explicam que a máscara funciona como uma barreira: ela distribui o impacto para regiões mais resistentes do crânio e reduz a força direcionada ao local lesionado.
Mais do que uma proteção física, o equipamento também pode oferecer segurança psicológica ao atleta, permitindo que ele volte a competir sem o medo constante de sofrer uma nova lesão.