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Copa do Mundo 2026: por que o estádio mais caro do mundo ainda não tem grama

SoFi Stadium custou US$ 5,5 bilhões e fez Taylor Swift causar terremotos. A 56 dias da Copa, o campo ainda é um buraco de concreto. Mas calma — é de propósito.

SoFi Stadium: visitamos o estádio mais caro da Copa — e do mundo (Tamires Vitorio/Exame)

SoFi Stadium: visitamos o estádio mais caro da Copa — e do mundo (Tamires Vitorio/Exame)

Publicado em 16 de abril de 2026 às 15h50.

Última atualização em 16 de abril de 2026 às 16h12.

LOS ANGELES — O estádio mais caro do mundo custou US$ 5,5 bilhões, tem 69 mil assentos, cobertura futurista, sistema de som que faz tremer o chão e luminárias de LED que imitam o sol. Mas o que ele não tem, a 56 dias de receber o primeiro jogo dos Estados Unidos na Copa do Mundo, é grama. Nenhuma. Zero.

Nesta quinta-feira, 16, a EXAME visitou o estádio. Por aqui, um campo de concreto marca o lugar onde daqui a pouco vai jogar a seleção americana contra o Paraguai. E o mais impressionante é que, apesar do susto inicial, tudo está dentro dos planos dos organizadores.

Bem-vindo à Copa do Mundo 2026, onde construir o campo de jogo é o maior quebra-cabeça esportivo do planeta — e onde sete dos onze estádios americanos têm o mesmo problema: precisam arrancar o chão de plástico que serve ao futebol americano e instalar grama de verdade antes que Messi, Mbappé, Vini Jr. e companhia pisem nele.

O problema de ser rico — e sem grama

O SoFi Stadium é, oficialmente, o estádio mais caro já construído no mundo. O MetLife Stadium, em Nova Jersey — onde será a final da Copa —, por exemplo, custou US$ 1,6 bilhão.

O Mercedes-Benz, em Atlanta, outros US$ 1,6 bilhão. O SoFi, por sua vez, é 3,4 vezes mais caro do que o segundo lugar. Em reais, na cotação atual, o preço chega a R$ 27,5 bilhões.

E mesmo assim, na quarta-feira, 15, trabalhadores ainda estavam removendo a última seção de assentos desmontáveis para abrir espaço para a construção do campo. A grama, cultivada em fazendas no estado de Washington, vai chegar de caminhão refrigerado rastreado minuto a minuto só em junho.

O motivo de tudo isso é o futebol americano, já que o SoFi foi construído especificamente para o esporte. O campo da NFL tem 54 jardas de largura, enquanto a Fifa exige 74. São 20 jardas a mais de cada lado — espaço que só aparece quando centenas de cadeiras são temporariamente retiradas.

SoFi Stadium em Los Angeles

SoFi Stadium: estádio do primeiro jogo dos EUA se prepara para estreia em junho (Tamires Vitorio/Exame)

Além disso, o gramado artificial dos Rams e dos Chargers precisa dar lugar a um híbrido de grama natural e fibras sintéticas, montado em camadas como um bolo, elevado 75 centímetros em relação ao nível atual, com sistema de drenagem a vácuo, irrigação própria e luminárias de LED ligadas até 18 horas por dia para que a grama "pense" que está ao ar livre.

Trinta funcionários (o dobro do necessário para um campo de futebol americano) vão cuidar do gramado durante toda a Copa. Haverá rolos reserva cultivados no estacionamento do estádio, prontos para emergências. Porque, sim, o plano B para a Copa do Mundo é literalmente ter grama no estacionamento.

O SoFi não está sozinho

Nos EUA, o SoFi não é o único estádio com esse problema. Doss 11 estádios americanos escolhidos para a Copa, sete têm gramado artificial. Todos precisam passar pela mesma cirurgia de troca de campo. A diferença é que cada um está em um estágio diferente e tem um cronograma específico.

O Gillette Stadium, em Foxboro, Massachusetts, já saiu na frente. A instalação começou no dia seguinte ao rali de despedida do Super Bowl do Patriots, em 1º de fevereiro. O processo todo levou cerca de seis semanas e a instalação da grama durou cinco dias. Em março, o estádio já recebia um amistoso entre Brasil e França no novo gramado.

O SoFi, por outro lado, está na fila da instalação em junho, a semanas do primeiro apito. Alguns estádios, como Atlanta, vão instalar o campo meses antes e cuidar dele como um gramado permanente.

Copa do Mundo 2026 · Estádios
Quanto tempo leva para um estádio ficar pronto para a Copa?
Do anúncio da sede até o primeiro jogo
−6 a
−4 anos
Sede escolhida pela FIFA
O país anfitrião é anunciado com 6 a 8 anos de antecedência. Os estádios começam a ser planejados ou reformados. Obras geralmente iniciam nessa janela.
−1 ano
Prazo oficial da FIFA para entrega
A FIFA exige que os estádios estejam 100% prontos com 1 ano de antecedência. Esse prazo permite inspeções, eventos teste e ajustes de infraestrutura.
−6 meses
Eventos teste e certificação FIFA
Jogos de preparação testam operações, segurança e o gramado. Catar 2022 e Qatar seguiram esse modelo. O Gillette já recebeu Brasil x França em março de 2026.
−6 sem.
Instalação do gramado (estádios de NFL)
Para os 7 estádios americanos com grama artificial, o gramado natural é instalado nessa janela. O processo de instalação dura cerca de 5 dias, mas a grama precisa de semanas para enraizar.
−28 dias
Campo começa a parecer um gramado
Prazo previsto para o SoFi. A grama estará enraizada e visível. Luminárias de LED ficam ligadas 18h por dia para simular luz solar dentro do estádio coberto.
Dia 0
Primeiro apito da Copa
Em 2026, começa em 11 de junho no México. O SoFi recebe os EUA x Paraguai em 12 de junho — com ou sem grama no estacionamento de reserva.

Fontes: FIFA · Yahoo Sports · CBS Boston · NBC Los Angeles · abril de 2026

Outros planejam instalar seus campos no início de junho. O SoFi está nesse segundo grupo. Segundo os responsáveis, o campo deve começar a parecer um gramado de futebol em cerca de um mês — o que colocaria o estádio pronto a 28 dias da abertura do torneio.

É uma aposta cara. Mais especificamente uma aposta de US$ 5,5 bilhões.

Isso já aconteceu antes — e foi pior

Antes de entrar em pânico, vale lembrar: atraso em estádio de Copa do Mundo é quase uma tradição.

No Brasil, em 2014, a Arena Corinthians em São Paulo — palco do jogo de abertura — não estava terminada na primavera de 2014. Arquibancadas temporárias foram instaladas para cumprir as promessas de capacidade.

Como em quase todos os outros estádios, a construção apressada levou a custos inflados. O estádio abriu na última hora, mas o primeiro jogo aconteceu sem maiores problemas.

No Catar, em 2022, os oito estádios foram entregues relativamente no prazo, mas o país precisou construir todos do zero em pleno deserto, com ar-condicionado, às vezes a metros do mar e usando trabalhadores em condições que geraram uma crise humanitária internacional.

A Fifa, aliás, tem um manual para isso. Desde 2019, uma equipe de pesquisadores das universidades do Tennessee e do Michigan State viaja o mundo testando gramados com uma máquina patenteada que simula a pisada de um jogador de futebol.

Eles testaram provavelmente 125 estádios, incluindo vários na Inglaterra, e definiram os campos do Arsenal e do Aston Villa como o padrão ouro. Tudo isso para garantir que nenhum jogador escorregue em um tapete de plástico mal colocado.

O estádio que já viu de tudo

Antes de virar campo de Copa, o SoFi já foi muita coisa. O terreno foi hipódromo por 75 anos, o Hollywood Park, de 1938 a 2013. Depois, virou o projeto esportivo mais caro da história americana.

A inauguração oficial seria em julho de 2020, com dois shows de Swift, mas a pandemia fez com que os planos fossem atrasados por alguns anos.

SoFi Stadium · Recordes
Números que impressionam
Fatos e recordes do estádio mais caro do mundo
Economia
US$ 320 mi
Impacto no PIB do Condado de LA só com as 6 noites da Eras Tour de Taylor Swift
Shows
420 mil
Pessoas nas 6 noites consecutivas de Taylor Swift em agosto de 2023
Ciência
43 de 45
Músicas detectadas como tremores sísmicos por sensores do Caltech durante os shows de Swift
Campo
+75 cm
Altura que o gramado será elevado para a Copa, com drenagem a vácuo e equipe de 30 pessoas
Futuro
2028
O campo vira piscina olímpica para os Jogos de LA — a maior arena de natação da história
História
75 anos
Duração do Hollywood Park, hipódromo no mesmo terreno antes do SoFi, de 1938 a 2013

Fontes: CBS News · Caltech · ESPN · Wikipedia · abril de 2026

Quando Swift finalmente chegou, em 2023, foram seis noites seguidas de apresentações, com 420 mil pessoas presentes ao todo e um impacto de US$ 320 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Condado de Los Angeles. Além do lado econômico, os shows foram tão intensos que pesquisadores do Caltech instalaram sensores sísmicos no estádio e detectaram 43 das 45 músicas como tremores de terra.   

A agenda do SoFi não acaba por aí. Em 2022, o estádio recebeu o Super Bowl LVI. Em 2028, vai receber as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Los Angeles — e o campo vai virar uma piscina olímpica.

Então, vai dar tempo?

Provavelmente sim. A Copa começa em 11 de junho, no México. O primeiro jogo dos EUA, no SoFi, é em 12 de junho. A grama chega no mesmo mês. Os organizadores dizem que esse é o plano desde o início — e que a grama estará pronta, enraizada e no padrão Fifa quando o árbitro apitar.

Resta torcer. Ou, no caso do SoFi, regar.

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