Faltando menos de dois meses para a Copa do Mundo, a confiança dos brasileiros na seleção brasileira é a menor em quase 30 anos.
Segundo pesquisa do Datafolha divulgada na quarta-feira, 15, apenas 29% da população acredita na conquista do hexa.
Entre as favoritas ao título na visão dos brasileiros, a França lidera com 17% das menções, seguida por Argentina e Alemanha, ambas com 4%. Outras seleções, como Portugal, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra, também aparecem como opção para ao menos 1% dos entrevistados.
Ao todo, a soma dos rivais chega a 34%, superando o índice da seleção brasileira, que registra 29%, o que indica uma perda de protagonismo ao longo dos anos.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 137 municípios do Brasil, entre os dias 7 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O Datafolha mede a expectativa do brasileiro em relação ao título mundial desde 1994. Até 2014, ano da Copa do Mundo realizada no Brasil, os índices superavam 56%.
Grupos expõem diferenças de opiniões
Em julho de 2025, antes da chegada de Carlo Ancelotti ao comando da equipe, a mesma pesquisa apontava 33% de torcedores confiantes no título.
O levantamento também indica diferenças entre grupos. Entre os homens, 26% acreditam na conquista do hexa, enquanto entre as mulheres o índice é de 32%.
No recorte político, há variações: entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 36% apostam na vitória brasileira, enquanto entre apoiadores de Flávio Bolsonaro o índice é de 26%.
Além disso, 46% dos brasileiros acreditam que o Brasil não passará das quartas de final. Em 2018 e 2022, a Seleção foi eliminada justamente nessa fase.
Resultados recentes explicam baixa confiança
Mesmo após a classificação para a Copa do Mundo e a contratação do italiano Carlo Ancelotti, a seleção brasileira ainda enfrenta questionamentos.
A equipe tem dificuldades para consolidar uma identidade de jogo e encontra obstáculos até mesmo contra adversários considerados mais frágeis. Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol atravessa momentos de instabilidade institucional.
Recentemente, o Brasil disputou dois amistosos. Contra a França, perdeu por 2 a 1, mesmo com um jogador a mais em campo. Já diante da Croácia, venceu por 3 a 1, mas sem convencer plenamente.
Desde a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, a relação da torcida com a Seleção se tornou mais distante, em um processo de desgaste que se prolonga ao longo dos anos.