James Rodríguez: jogador estreia hoje pela Copa do Mundo (Federación Colombiana de Futbol/Divulgação)
Repórter
Publicado em 17 de junho de 2026 às 08h36.
Depois de ficar fora da Copa do Mundo de 2022, a Colômbia retorna ao torneio cercada por expectativas que poucos projetavam há quatro anos. Embalada pela campanha que a levou à final da Copa América e liderada por nomes como Luis Díaz e James Rodríguez, a seleção estreia nesta quarta-feira, 17, contra o Uzbequistão, já apontada como uma das dez principais candidatas ao título.
O jogo da Colômbia abre o Grupo K — que tem ainda Portugal e República Democrática do Congo. É a última seleção sul-americana a entrar em campo na primeira rodada do torneio, depois de Argentina, Brasil, Equador, Paraguai e Uruguai já terem estreado.
A Colômbia tem 5,16% de chance de ser campeã da Copa do Mundo de 2026, segundo o modelo estatístico da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV) — sexto lugar entre as 48 seleções.
É um número que surpreende para uma seleção que nem chegou a disputar a Copa anterior.
A ausência da Colômbia na Copa do Catar, há quatro anos, torna a presença em 2026 ainda mais significativa.
A seleção chega como finalista da Copa América de 2024 — quando perdeu para a Argentina na prorrogação, por 1 a 0 — e terceira colocada nas eliminatórias sul-americanas, à frente de seleções tradicionais do continente.
A boa fase recente perdeu um pouco de força com derrotas para Croácia (1 a 2) e França (1 a 3) em amistosos preparatórios, mas a equipe se recuperou vencendo Costa Rica (3 a 1) e Jordânia (2 a 0) nos últimos testes antes do torneio.
O técnico argentino Néstor Lorenzo aposta na força do meio-campo colombiano, que reúne Jhon Arias, James Rodríguez e Luis Díaz — um dos destaques do Bayern de Munique na última temporada, autor de 15 gols e 14 assistências pelo clube alemão.
Nas eliminatórias, Díaz marcou sete gols, atrás apenas de Lionel Messi entre os artilheiros do torneio, incluindo um gol fora de casa contra a própria Argentina.
James Rodríguez, aos 34 anos, disputa sua terceira Copa do Mundo — a primeira foi em 2014, no Brasil, quando se tornou artilheiro do torneio com seis gols.
Em 2026, seu papel mudou: não chega mais como a explosão jovem que recebeu prêmio de melhor jogador da edição, mas como líder e organizador de uma geração que busca repetir o nível daquele time.
Foi o maior assistente das eliminatórias sul-americanas, com sete passes para gol — número que confirma sua influência mesmo numa fase diferente da carreira, atuando hoje pelo León, do México.
O Estádio Azteca, a 2.250 metros de altitude, deve tornar o início do jogo mais lento do que o habitual, uma condição que tende a favorecer a Colômbia, time com toque de bola mais refinado e que administra a posse com paciência.
O Uzbequistão, em sua primeira Copa do Mundo da história, chega embalado mas com pouca experiência em competições desse nível: a seleção, comandada pelo italiano Fabio Cannavaro, perdeu para Canadá (2 a 0) e Holanda (2 a 1) em testes recentes.
As duas seleções nunca se enfrentaram antes em jogos oficiais ou amistosos registrados.
Apesar do número relativamente favorável da FGV, a Colômbia não é favorita no Grupo K — esse posto pertence a Portugal, que tem Cristiano Ronaldo disputando sua sexta Copa aos 41 anos.
Mas a seleção colombiana é vista como a principal ameaça à liderança portuguesa na chave, justamente pelo equilíbrio entre talento ofensivo e experiência que o elenco de Lorenzo reúne.
O primeiro teste é nesta quarta-feira. Uma vitória sobre o Uzbequistão coloca a Colômbia em posição confortável para encarar Portugal e a RD Congo nas rodadas seguintes — e justificaria, na prática, o número que o modelo da FGV já está projetando.