Cinco anos após a implementação da lei, a adesão ao modelo estabilizou-se (Imagem gerada com IA/Exame)
Repórter
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 17h18.
Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 17h23.
Promulgada em agosto de 2021, a Lei nº 14.193/2021 — popularmente conhecida como a Lei da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) — alcança a marca de cinco anos. O dispositivo legal nasceu com a promessa de resgatar gigantes atolados em dívidas bilionárias e profissionalizar a gestão esportiva no Brasil.
Cinco anos após as primeiras movimentações, o ecossistema do futebol brasileiro não é mais o mesmo. O modelo empresarial trouxe governança, regimes tributários próprios e ferramentas legais como a Recuperação Judicial. Contudo, a transição provou que a injeção de capital estrangeiro ou corporativo não é uma fórmula mágica isenta de crises e disputas contratuais.
A história das SAFs no Brasil é marcada por ascensões meteóricas, reviravoltas contratuais e reestruturações administrativas que reescreveram os rumos de grandes potências da modalidade:
Botafogo: O clube carioca foi uma das grandes vitrines da lei. Sob a gestão do empresário americano John Textor (Eagle Football Holdings), o Alvinegro deixou (em partes) a incerteza financeira para trás e reestruturou seu departamento de futebol. Nesse tempo, o time de General Severiano conquistou um Brasileirão e uma inédita Libertadores.
Cruzeiro: O clube mineiro foi o pioneiro entre os grandes ao constituir sua SAF ainda no fim de 2021. Após a compra inicial pelo ex-jogador Ronaldo Nazário (que retirou o time da Série B e equacionou dívidas), o Cruzeiro teve controle acionário vendido para o empresário Pedro Lourenço (Pedrinho BH).
Vasco da Gama: aqui, o lado mais turbulento e emblemático do modelo. A venda do futebol vascaíno para o fundo americano 777 Partners acabou em uma batalha arbitral e judicial complexa, com o clube associativo retomando o controle da SAF. O resultado mais relevante dentro de campo nos últimos anos foi o vice-campeonato da Copa do Brasil no ano passado.
Bahia: A adesão ao Grupo City transformou o Tricolor de Aço num braço estratégico da maior rede de clubes do planeta na América do Sul.
Atlético-MG: Diferente dos clubes que buscaram capital estrangeiro, o Galo optou por uma conversão "prata da casa" ao transferir seu futebol para empresários e investidores atleticanos já vinculados à vida política do clube, abatendo volumosas dívidas com a arena própria e estruturando sua operação empresarial.
Cinco anos após a implementação da lei, a adesão ao modelo estabilizou-se. Embora os clubes associativos ainda representem a maioria absoluta — com potências como Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Corinthians mantendo a estrutura tradicional —, as SAFs garantiram presença marcante nas principais divisões do país.
Na elite nacional, os clubes sob gestão empresarial variam entre gigantes convertidos e projetos estruturados a longo prazo:
Atlético-MG
Bahia
Botafogo
Coritiba
Cruzeiro
Red Bull Bragantino (clube empresa em formato que antecede e se adapta ao ecossistema)
Vasco da Gama
Na Segunda Divisão, a SAF tem sido utilizada principalmente como tábua de salvação financeira ou ferramenta de aceleração:
América-MG
Atlético-GO
Botafogo-SP
Cuiabá
Ferroviária (com discussões internas recentes sobre o vínculo associativo)
Guarani