Repórter
Publicado em 8 de junho de 2026 às 12h52.
Enquanto cidades americanas se preparam para receber a Copa do Mundo de 2026, Chicago seguirá fora do torneio por uma decisão tomada oito anos atrás.
Em entrevista ao The Athletic, o ex-prefeito Rahm Emanuel voltou a defender a retirada da candidatura da cidade, que abriu mão de um impacto econômico estimado em US$ 517 milhões após discordar das exigências financeiras da Fifa.
A decisão, tomada em 2018, transformou Chicago em uma das principais ausências da Copa disputada por Estados Unidos, México e Canadá. A cidade era vista como uma candidata natural para receber partidas por sua infraestrutura, rede hoteleira e histórico de eventos esportivos internacionais.
Segundo Emanuel, porém, as exigências da Fifa tornavam o acordo financeiramente desfavorável para os contribuintes locais.
“Eles ficam com toda a receita. Você fica com todos os custos”, diz o ex-prefeito ao jornal.
De acordo com Emanuel, o principal impasse envolvia a distribuição dos riscos financeiros do evento.
A Fifa manteria o controle das receitas geradas por ingressos, patrocínios, hospitalidade e direitos comerciais, enquanto a cidade precisaria arcar com despesas ligadas à segurança pública, mobilidade urbana, serviços médicos e logística.
Um dos pontos mais controversos envolvia o Soldier Field, estádio indicado por Chicago para receber partidas. Segundo o ex-prefeito, a entidade poderia exigir modificações estruturais no local, incluindo a instalação de uma cobertura temporária ou permanente.
A obra poderia custar entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, valor que seria assumido pela cidade.
Além disso, a administração municipal também resistiu a pedidos de isenções fiscais e outras garantias exigidas pela Fifa durante o processo de seleção das sedes.
Emanuel afirmou que não estava disposto a conceder à entidade internacional benefícios que havia negado anteriormente a franquias esportivas locais.
A desistência teve um custo potencial elevado.
Estudos citados durante o processo apontavam que a realização de jogos da Copa poderia gerar aproximadamente US$ 517 milhões em atividade econômica para Chicago, impulsionando setores como hotelaria, restaurantes, transporte e turismo.
Mesmo assim, Emanuel afirma que os ganhos projetados não justificavam os riscos assumidos pelo poder público.
Para ele, os benefícios financeiros ficariam concentrados na Fifa, enquanto eventuais prejuízos ou custos adicionais recairiam sobre os moradores da cidade.