Balogun: jogador teve suspensão anulada após ser expulso na Copa do Mundo (Jamie Squire / Getty Images via AFP))
Colaboradora
Publicado em 8 de julho de 2026 às 09h46.
Receber um cartão vermelho em uma Copa do Mundo quase sempre significa uma consequência imediata: o jogador fica automaticamente suspenso da partida seguinte. O mesmo vale para atletas que acumulam cartões amarelos durante a competição. No entanto, embora sejam situações consideradas definitivas na maioria dos casos, a história dos Mundiais registra algumas exceções.
A reversão de uma suspensão pela Fifa é extremamente incomum e depende de uma análise do Comitê Disciplinar da entidade. Em situações específicas, a punição pode ser modificada caso sejam identificados elementos que justifiquem uma revisão da decisão inicial.
Um dos casos mais recentes aconteceu na própria Copa do Mundo de 2026. O atacante americano Folarin Balogun recebeu cartão vermelho direto durante um confronto de mata-mata contra a Bósnia-Herzegovina e, inicialmente, teria que cumprir suspensão automática de uma partida.
Após um recurso apresentado pela federação dos Estados Unidos, o Comitê Disciplinar da Fifa analisou o caso e decidiu alterar a punição. Com base no Artigo 27 do Código Disciplinar, a entidade substituiu a suspensão imediata por um período de liberdade condicional de um ano.
"O Comitê Disciplinar da Fifa aplicou o Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, que lhe confere a prerrogativa de suspender a execução de quaisquer medidas disciplinares, e determinou que a suspensão de uma partida fosse suspensa por um período probatório de um ano. Consequentemente, Balogun não precisa cumprir a suspensão imediatamente. Em vez disso, a sanção permanece inativa durante o período probatório e só será ativada caso ele cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período de um ano. Caso ocorra tal infração subsequente, a suspensão de uma partida será aplicada em adição a qualquer nova sanção imposta pela conduta posterior", disse a Fifa em comunicado.
O episódio mais famoso envolvendo uma reversão disciplinar em Copas aconteceu com Garrincha, durante o Mundial de 1962, no Chile.
O brasileiro foi expulso na semifinal contra os donos da casa e, pelas regras da época, corria o risco de perder a final contra a Tchecoslováquia. A situação gerou grande repercussão, com pressão popular e movimentações políticas para tentar garantir a presença do atacante na decisão.
Após negociações envolvendo autoridades brasileiras, peruanas e chilenas, a punição acabou retirada, permitindo que Garrincha entrasse em campo na final e ajudasse o Brasil a conquistar o bicampeonato mundial.
Apesar desses casos excepcionais, a Fifa normalmente não anula punições individuais por acúmulo de cartões amarelos. A principal medida adotada pela entidade é a chamada "zeragem" dos cartões em momentos estratégicos da competição.
O objetivo é evitar que jogadores importantes fiquem fora das partidas decisivas por causa de advertências acumuladas nas fases anteriores.
Nos formatos recentes da Copa do Mundo, os cartões amarelos recebidos na fase de grupos são anulados antes do início das fases eliminatórias mais avançadas. A regra também prevê uma nova limpeza após as quartas de final.
Já os cartões vermelhos diretos ou expulsões causadas por dois amarelos na mesma partida continuam gerando suspensão automática para o jogo seguinte.