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Brasil x Croácia: ponto facultativo na sexta-feira? Entenda o que dizem especialistas

E se for assistir na empresa ao jogo, saiba o que pode e o que não pode

Seleção brasileira (Lucas Figueiredo/CBF/Flickr)

Seleção brasileira (Lucas Figueiredo/CBF/Flickr)

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Da Redação

8 de dezembro de 2022, 11h55

O Brasil entra em campo nesta sexta-feira (9), às 12h, contra a Croácia, pelas quartas de final da Copa do Mundo do Catar. Pela lei, a data não é considerada feriado e conta como um dia normal de trabalho. Cabe a cada empresa decidir o que fazer, de acordo com a necessidade ou não de manter suas equipes trabalhando. Em muitos casos, a solução foi criar espaços especiais para os colaboradores assistirem aos jogos. E aí vem a pergunta: o que pode e o que não pode fazer nessas situações?

Pode usar camisa de time no trabalho?

Depende. Bruna Ecker, advogada trabalhista na Biolchi Empresarial, orienta que os funcionários só usem a camisa com autorização da empresa, para evitar problemas. “Depende da política de cada empresa, seu ramo de atuação, e as normativas internas estabelecidas pela companhia, já que de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho cabe ao empregador definir o padrão de vestimentas no ambiente de trabalho”, explica.

Há empresas que usam uniforme e outras em que camisas de futebol são proibidas. “De forma excepcional, os empregadores podem optar por liberar a utilização das camisetas durante os jogos da seleção brasileira, principalmente nas empresas em que haverá a paralisação das atividades com a transmissão dos jogos nas dependências da companhia”, diz a advogada. Bruna Ecker aconselha que, ao fim da partida, o colaborador volte a fazer uso da vestimenta adequada para a função que desempenha.

Pode beber durante os jogos?

Apenas se a empresa liberar bebidas alcóolicas. “Pode beber com a autorização da empresa e com moderação. Quem vai assistir aos jogos fora da empresa, mas precisa voltar para completar o expediente, deve tomar cuidado para não exagerar e se manter em condições de trabalhar”, explica Tábata Silva, gerente do Empregos.com.br, um dos maiores portais de vagas do país.

Pode comemorar gols?

Sim, mas sem excessos. “É preciso cuidar da sua marca pessoal. O ambiente de trabalho não é adequado para falar palavrões, por exemplo. Aproveite o momento de descontração com os colegas, mas fique atento com a sua postura profissional”, aconselha Tábata.

Qual é a dica para as empresas?

Se não for possível dispensar o funcionário, é importante ter regras definidas para que todos se divirtam no momento do jogo. “Alguns segmentos como comércio e serviços não costumam parar as atividades, por causa da alta demanda da época. Não há soluções prontas para casos como este. É importante tentar buscar um consenso entre as necessidades da empresa e o desejo dos colaboradores, sem comprometer a produtividade”, afirma Bruno Rizzato, diretor do aplicativo de emprego Trampolim.

Uma pesquisa realizada pelo Empregos.com.br com 5,8 mil trabalhadores revelou que os profissionais querem jornadas mais flexíveis durante a Copa do Mundo. Segundo o estudo, 44% dos funcionários gostariam de ser dispensados mais cedo para assistirem aos jogos do Brasil e 12% gostariam de folgar ou usar o banco de horas. 22% responderam que gostariam de trabalhar normalmente e 22% preferem assistir aos jogos na empresa, com os colegas de trabalho.

O que as empresas já fizeram?

Na Wolff Sports, empresa de marketing esportivo e gerenciamento de atletas, os funcionários foram dispensados às 14h em alguns dos jogos que começam às 16h, e nas partidas das 12h, foi encontrada uma maneira dos colaboradores se sentirem à vontade para curtir dentro do próprio ambiente da empresa, caso deseje.

"Acredito que precisa ter o bom senso de empregado e empregador, afinal estamos falando de uma competição única e que acontece somente de quatro em quatro anos. Mas como lidamos 24 horas com o futebol, precisamos estar atentos e produzir independente de dia ou hora", afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da empresa.

Na GIROAgro, maior empresa de fertilizantes do país e que patrocina o Campeonato Brasileiro e o Cruzeiro, o clima foi de descontração. Na rodada inicial, por exemplo, os colaboradores foram dispensados mais cedo do trabalho e convidados a continuarem na empresa para um happy hour. Foi montado um 'Espaço do Torcedor', onde foi disponibilizado até mesmo um churrasco e algumas gincanas, como um bolão para o jogo do Brasil.

"Foi uma forma de oferecermos um espaço de confraternização entre nossos colaboradores. Aguardamos por tanto tempo por essa Copa e optamos por oferecer para esta partida de estreia algo que eles se sentissem em casa. E assim, juntos, curtir a maior paixão do brasileiro, o futebol.", afirma Leonardo Sodré, CEO da empresa.

No caso da startup mineira Motbot, que é a primeira plataforma de crowdfunding esportivo do país, os gestores optaram por liberar os funcionários duas horas antes do início dos jogos do Brasil, como conta Rogério Neves, CEO da empresa.

"Por mais que tenhamos um pouco de tech em nosso escopo, a essência da companhia está no esporte e, principalmente, no futebol. Sabemos o quanto uma Copa do Mundo empolga as torcidas de todos os países. Levando tudo isso em consideração, decidimos liberar os colaboradores no horário dos jogos do Brasil para que possam acompanhar as partidas com seus amigos e familiares", explica Neves.

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