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Bia Haddad: "Tento ser o mínimo emotiva possível, o brasileiro é muito emotivo"

Após a partida de ontem, Haddad conversou com a EXAME sobre como mantém o foco nos jogos, a relação com seu treinador e a influência para outras atletas

Beatriz Haddad Maia durante a semifinal feminina de Roland Garros (Andy Cheung/Getty Images)

Beatriz Haddad Maia durante a semifinal feminina de Roland Garros (Andy Cheung/Getty Images)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 9 de junho de 2023 às 12h37.

Última atualização em 9 de junho de 2023 às 13h45.

Em um campeonato histórico para o Brasil, na edição deste ano de Roland Garros, Bia Haddad acabou com o jejum de 44 anos ao ser a primeira brasileira a chegar às oitavas de final desde Patrícia Medrado, em 1979. Ainda que em todos os games ouviu-se “Olê, olê, olê, olá, Biá, Biá”, na tarde de ontem, 8, a paulistana acabou perdendo para a polonesa Iga Swiatek, a número 1 do mundo por 6/2 e 7/6.

Mesmo com o resultado negativo, Bia conseguiu uma proeza enorme ao conquistar uma inédita passagem para uma semifinal de Grand Slam. Guga, que estava presente assistindo a partida, fez o mesmo ao conquistar seu primeiro título em Paris, em 1997, quando era um azarão. Talvez a presença do tricampeão não tenha dado sorte. Mas Bia fez sua parte.

Após a partida, Haddad conversou com EXAME sobre como mantém o foco nos jogos, a relação com seu treinador, e a influência para outras atletas.

No jogo das quartas, a torcida parecia estar mais voltada para a Ons Jabeur, mas no jogo de ontem estava uma festa. Foi o jogo que você mais teve torcida nessa intensidade?

Eu acho que foi, teve muita intensidade. Mas acho que o jogo com [a tenista russa Ekaterina] Alexandrova a torcida brasileira esteve muito presente. Em Toronto tive muita torcida na final com a [tenista romena Simona] Halep.

Isso te ajuda?

Ah, é uma coisa muito nova para mim, mas é muito gostoso ver as pessoas assistindo tênis ou começando a assistir por conta é dos meus jogos também, então é muito especial. O brasileiro gosta de torcer, mas, é como sempre falo e tento levar, né? Independentemente de estar em um momento muito bacana e as pessoas estarem muito entusiasmadas, eu tento sempre ter um equilíbrio, porque na quadra eu também não posso passar do ponto. Eu sou uma pessoa acelerada e eu tento ser o mínimo emotiva possível, o brasileiro é muito emotivo. A gente tem muito calor, muito grito. E às vezes temos de ser um pouco mais racionais. Então, é uma oportunidade que eu tenho também de melhorar e buscar o meu lado mais racional, mesmo com a torcida junto. Isso é uma coisa bacana.

Eu já estive em Roland Garros outras vezes assistindo o Guga jogar, e ontem ele estava na torcida. O Guga costuma te acompanhar?

A primeira vez que ele me viu jogar foi em 2016, em um WTA em Florianópolis. O Guga é um cara que eu me identifiquei pelo carisma, eu acho que ele representa o povo brasileiro. Ele é um cara extraordinário, um fenômeno, e tenho ele como inspiração, como ídolo. Toda a energia que ele tinha com o Larri [Passos, treinador], eu pude ter ao treinar um pouco com o ele. Mas eu também sinto essa conexão que ele tinha, como tenho agora com o Rafa [Paciaroni, técnico de Haddad]. O Guga só trouxe coisas boas e alegrias para o Brasil.

Eu acho que essa era Guga abriu muitas portas para os jovens se inspirarem. O legado que ele deixou me inspirou para eu estar aqui hoje também.

Havia uma expectativa muito grande de que essa “Guga Mania” traria mais resultados no fim. E agora você está nessa fase extraordinária. Acredita que isso talvez abra outra janela de oportunidades no Brasil?

Eu desejo que sim, com certeza sei que não é fácil, mas eu vou seguir fazendo o meu trabalho que é me entregar 100% na quadra para tentar colocar o tênis feminino brasileiro o mais alto possível, e consequentemente dar mais oportunidades para as meninas. Eu cresci num clube em São Paulo fazendo judô, futebol, natação, tênis etc. Tive esse privilégio e muitas outras meninas podem ter também esse sonho de se inspirar nessa história.

Como jogadoras sabemos quanto é caro, então os apoiadores, os patrocinadores, a confederação e todo mundo que está envolvido com o tênis de alguma forma também podem aproveitar esse momento. Eu ainda estou na metade da minha carreira, ainda tenho muita coisa para fazer na quadra. Tenho muito trabalho para poder representar e poder abrir mais portas, então isso me motiva.

Você comentou do trabalho que está fazendo com foco. Nos jogos você tem olhado bastante para o Rafa nos momentos decisivos. O que dá para se fazer naquele momento de calor? Qual é o suporte que o técnico consegue te dar naquele momento?

O Rafa me conhece muito bem. Não necessariamente ele precisa falar. Pelo olhar sabemos o que é que está acontecendo. A gente conversa muito todos os dias antes do jogo, e temos muito claro o que faremos no jogo. Acho que é muito difícil ser um treinador, porque você tem de pensar o que falar e no momento certo para isso. Imagino que em uma situação ele pode atrapalhar ou me deixar com mais medo.

O Rafa tem uma condução muito boa, ele é um cara muito profissional, que estuda muito. Temos intimidade e em momentos bem apertados, que eu preciso de um pouco mais de confiança, ele vai lá e me dá uma palavra positiva. Ele conduz muito bem, e às vezes é uma palavrinha, algo que você não está enxergando porque está dentro das emoções, ele me dá uma luz. Ele é um cara fundamental nesse processo.

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