De La Fuente: treinador quer fazer história com a Espanha (Foto: Divulgação/Seleção Espanha)
Colaboradora
Publicado em 10 de julho de 2026 às 12h58.
A Espanha chega às quartas de final da Copa do Mundo de 2026 cercada por um cenário que mistura confiança e lembranças incômodas.
Nesta sexta-feira, 10, às 16h, de Brasília, a seleção comandada por Luis de la Fuente enfrenta a Bélgica, adversária responsável por uma das eliminações mais dolorosas de sua história, justamente na fase que durante décadas alimentou a chamada "Maldição das Quartas".
O momento, porém, é bem diferente. Embalada pela vitória sobre Portugal nas oitavas de final e apontada como uma das favoritas ao título, a Espanha busca confirmar a força demonstrada ao longo do torneio e deixar para trás um fantasma que a perseguiu por décadas.
O principal trauma espanhol contra a Bélgica aconteceu na Copa do Mundo de 1986, no México. Após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, com gols de Jan Ceulemans e Juan Señor, a vaga foi decidida nos pênaltis. Os belgas venceram por 5 a 4 e alcançaram, pela primeira vez, uma semifinal de Mundial.
Naquele torneio, a Espanha havia chegado às quartas depois de atropelar a forte Dinamarca por 5 a 1 nas oitavas. Diante da Bélgica, porém, encontrou uma atuação inspirada do goleiro Jean-Marie Pfaff, eleito o melhor do mundo no ano seguinte.
O herói belga daquela noite deu lugar, quatro décadas depois, a outro especialista na posição. Thibaut Courtois, eleito duas vezes o melhor goleiro do mundo, também é conhecido por seu desempenho em disputas de pênaltis.
A eliminação ficou marcada principalmente pelo erro de Eloy Olaya, então com apenas 21 anos.
A queda para a Bélgica reforçou um estigma que acompanhou a Espanha durante muitos anos: a dificuldade para superar as quartas de final das Copas do Mundo.
Antes do título conquistado em 2010, a Fúria acumulava eliminações justamente nessa fase. Em 1934, caiu diante da Itália após um jogo de desempate. Em 1994, voltou a ser eliminada pelos italianos em uma partida lembrada até hoje pelo cotovelo que quebrou o nariz de Luis Enrique dentro da área, sem marcação de pênalti. Em 2002, contra a Coreia do Sul, teve dois gols anulados antes de ser derrotada nos pênaltis.
A única vitória espanhola em quartas de final de Copa veio justamente na campanha do título mundial, em 2010, quando derrotou o Paraguai por 1 a 0 na África do Sul.
Se a história das Copas traz recordações dolorosas, o retrospecto recente favorece amplamente os espanhóis.
A Bélgica não derrota a Espanha em uma partida oficial desde os anos 1980. No histórico geral do confronto, a vantagem também é espanhola, com 12 vitórias, seis empates e apenas cinco derrotas.
As seleções voltaram a se enfrentar em Mundiais quatro anos após o duelo de 1986. Na Copa de 1990, a Espanha venceu por 2 a 1, mas o encontro aconteceu ainda na fase de grupos, sem o peso de um mata-mata.
Agora, pela primeira vez desde aquela eliminação no México, Bélgica e Espanha voltam a decidir uma vaga nas quartas de final de uma Copa do Mundo. Para a Fúria, uma classificação representaria mais do que um passo rumo às semifinais: seria a confirmação de que dois dos maiores fantasmas de sua história ficaram definitivamente para trás.