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As empresas que estão fazendo 'golaços' patrocinando a Copa do Mundo

Além das federações nacionais e dos jogadores, empresas de diferentes setores aproveitam a audiência do torneio para ampliar receitas

Publicidade: empresas como a Visa investem em publicidade durante a Copa do Mundo (FIFA/ Divulgação)

Publicidade: empresas como a Visa investem em publicidade durante a Copa do Mundo (FIFA/ Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 3 de julho de 2026 às 05h52.

A Copa do Mundo de 2026 movimenta bilhões de dólares dentro e fora dos gramados. Enquanto as seleções disputam vagas nas fases decisivas do torneio, empresas de tecnologia, emissoras de TV, plataformas de revenda de ingressos, destinos turísticos e grandes companhias de alimentos e bebidas acumulam ganhos financeiros e de visibilidade impulsionados pelo evento.

A Fifa estima arrecadar cerca de US$ 9 bilhões ao longo do ciclo da Copa do Mundo, enquanto um estudo citado pelo The Hollywood Reporter projeta que o torneio deverá gerar aproximadamente US$ 41 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB) para Estados Unidos, México e Canadá, países-sede da competição.

Além das federações nacionais e dos jogadores, empresas de diferentes setores aproveitam a audiência do torneio para ampliar receitas. Na América Latina, analistas ouvidos pela Bloomberg Línea apontam que fabricantes de bebidas, redes de restaurantes e varejistas também devem se beneficiar do aumento do consumo durante as semanas da competição.

Tecnologia e televisão aparecem entre os principais vencedores

Entre as empresas destacadas pelo The Hollywood Reporter, a Lenovo desponta como uma das maiores beneficiadas comercialmente. Patrocinadora oficial de tecnologia da Copa, a companhia ampliou sua exposição por meio de recursos utilizados nas transmissões, como câmeras de arbitragem (VAR) e as apresentações tridimensionais das linhas de impedimento, produzidas a partir de modelos digitais dos cerca de 1.200 jogadores participantes do torneio.

A campanha publicitária estrelada por David Beckham também ajudou a impulsionar a empresa. Desde o lançamento da ação, em meados de maio, as ações da Lenovo acumulam valorização de aproximadamente 70%.

Outra vencedora apontada pela publicação é a Fox Sports. A emissora desembolsou cerca de US$ 450 milhões pelos direitos de transmissão da Copa e vem registrando audiência média de aproximadamente 5 milhões de espectadores por partida em suas plataformas, incluindo Fox, FS1 e Tubi.

O retorno financeiro também aparece na publicidade. Segundo o THR, apenas as pausas para hidratação durante os jogos deverão gerar receitas superiores a US$ 250 milhões para a emissora.

Embora a Copa represente uma oportunidade comercial para muitas empresas, nem todos os envolvidos saem vencedores.

Um deses grupos são os patrocinadores que dão nome aos estádios. Como a Fifa elimina as marcas comerciais das arenas durante a competição para preservar seus próprios contratos de patrocínio, empresas que investiram centenas de milhões de dólares em naming rights deixam de aparecer justamente durante um dos eventos esportivos mais assistidos do planeta.

Empresas brasileiras e latino-americanas também esperam impulso nas vendas

O impacto econômico da Copa não se limita às patrocinadoras globais. Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg Línea, empresas latino-americanas de alimentos e bebidas também estão entre as potenciais beneficiadas pelo torneio, especialmente em mercados onde o futebol costuma impulsionar o consumo.

No Brasil, a Ambev aparece entre as companhias mais bem posicionadas. De acordo com a Bloomberg Intelligence, 78% da receita da empresa vem de mercados com seleções classificadas para a Copa do Mundo. Além disso, marcas do grupo, como Budweiser e Michelob Ultra, reforçam sua exposição por meio dos acordos globais de patrocínio da Fifa.

Uma pesquisa do Citi Bank reforça esse cenário. Segundo o levantamento, 58% dos brasileiros pretendem aumentar o consumo de bebidas alcoólicas durante o torneio, enquanto 73% afirmam que devem consumir cerveja durante os jogos. Para o banco, 2026 pode representar um dos ambientes de demanda mais favoráveis para a Ambev nos últimos anos.

Outras empresas também aparecem entre as favoritas dos analistas. A Arcos Dorados, operadora do McDonald's na América Latina, se beneficia da ampla presença em mercados participantes da Copa e do fato de a rede ser o restaurante oficial da Fifa.

Já as engarrafadoras Arca Continental e Coca-Cola FEMSA tendem a aproveitar o aumento da demanda em cidades-sede no México e nos Estados Unidos, impulsionadas tanto pelo fluxo de torcedores quanto pelas ações promocionais da Coca-Cola durante o torneio.

Apesar das expectativas positivas, o cenário não é isento de riscos. Analistas do UBS afirmam que fatores como juros elevados, maior endividamento das famílias e o avanço das apostas esportivas podem limitar parte do crescimento esperado no consumo.

Além disso, parte dos bares e restaurantes reforçou seus estoques antes do início da competição, o que pode reduzir o impacto sobre as vendas caso a demanda fique abaixo das projeções.

Turismo, revenda de ingressos e patrocinadores também lucram

O torneio também impulsionou setores além da mídia e da alimentação. Cabo Verde, uma das seleções-surpresa da competição, registrou aumento expressivo no interesse turístico. Segundo o THR, buscas relacionadas ao arquipélago cresceram quase 200% em alguns países após a campanha da equipe até a fase eliminatória.

As plataformas de revenda de ingressos também aparecem entre os grandes beneficiados. Empresas como StubHub, Vivid Seats, Ticketmaster e o próprio sistema oficial de revenda da Fifa têm lucrado com a valorização dos bilhetes, especialmente para partidas disputadas na Costa Leste dos Estados Unidos.

Em alguns confrontos, os preços ultrapassaram US$ 1.000 no mercado secundário, valor significativamente superior ao observado em partidas semelhantes realizadas na Costa Oeste. Para a publicação, esse cenário amplia as receitas das plataformas por meio das comissões cobradas sobre cada transação.

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