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Anatomia de uma queda: substituições de Ancelotti desmontaram o Brasil contra Noruega

Mudanças no segundo tempo tiraram intensidade, organização e poder de reação da Seleção, enquanto a Noruega cresceu e definiu a classificação

Ancelotti: alterações feitas pelo técnico da Seleção Brasileira foram questionadas pelos torcedores (Odd ANDERSEN / AFP)

Ancelotti: alterações feitas pelo técnico da Seleção Brasileira foram questionadas pelos torcedores (Odd ANDERSEN / AFP)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 6 de julho de 2026 às 11h51.

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A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo não pode ser explicada apenas pelos gols de Erling Haaland ou pelas chances desperdiçadas ao longo da partida. A derrota por 2 a 1 também passou diretamente pelas escolhas de Carlo Ancelotti no segundo tempo. Se o plano inicial conseguiu equilibrar o confronto, as substituições mudaram completamente a dinâmica do jogo e deixaram o Brasil sem reação nos minutos decisivos.

Durante a primeira etapa, a estratégia brasileira era clara. Sem disputar a posse de bola, a equipe apostava em recuperar rapidamente a bola e acelerar com Vinícius Júnior, Gabriel Martinelli e Rayan atacando os espaços deixados pela defesa norueguesa. A proposta gerou boas oportunidades, principalmente após erros na saída de bola adversária. O problema foi a falta de eficiência para transformar essas chances em vantagem no placar.

O Brasil abriu mão da posse

Mesmo sem controlar o jogo, o plano funcionava dentro da proposta de Ancelotti. A Noruega tinha mais a bola, mas encontrava dificuldades para transformar o domínio em chances claras.

Os números, porém, mostram o tamanho da superioridade territorial dos europeus. A equipe comandada por Stale Solbakken terminou a partida com 60% de posse de bola, contra apenas 32% do Brasil, segundo dados da Fifa. Desde 1966, a Seleção Brasileira nunca havia registrado menos de 40% de posse em um jogo de Copa do Mundo, de acordo com dados da Opta.

Além disso, a Noruega completou 627 dos 683 passes tentados, praticamente o dobro dos 347 realizados pelo Brasil. Também acumulou 193 penetrações ofensivas contra 122 da equipe brasileira e recebeu 151 bolas entre as linhas de defesa e meio-campo, evidenciando o controle crescente sobre a partida.

A saída de Bruno Guimarães mudou o jogo

Até determinado momento, Bruno Guimarães conseguia compensar parte desse domínio norueguês. Mesmo após desperdiçar um pênalti, o volante continuou sendo o principal organizador da Seleção, responsável por acelerar as transições e conectar defesa e ataque através dos passes verticais.

Sua presença permitia que o Brasil encontrasse Vinícius Júnior e Martinelli em velocidade, mantendo viva a principal arma ofensiva da equipe.

A partida, porém, mudou quando Ancelotti optou por sua substituição.

Pouco depois da entrada de Éderson no lugar de Bruno Guimarães, a Seleção praticamente deixou de conseguir construir jogadas. Coincidentemente, foi nesse período que Haaland abriu o placar para a Noruega.

Antes do primeiro gol, os noruegueses trocaram passes durante cerca de seis minutos consecutivos, enquanto o Brasil mal conseguia conectar três passes seguidos. Sem seu principal articulador, a equipe perdeu capacidade de recuperar a posse, acelerar contra-ataques e aliviar a pressão.

Mudanças favoreceram a Noruega

As demais alterações também reduziram a competitividade brasileira.

A entrada de Endrick trouxe impacto imediato e gerou uma boa oportunidade, mas as substituições seguintes retiraram justamente as características que sustentavam o plano de jogo. Com Neymar e Danilo Santos nas vagas de Gabriel Martinelli e Rayan, o Brasil perdeu intensidade pelos lados do campo, diminuindo a capacidade de pressionar e atacar os espaços deixados pela defesa adversária.

Enquanto a Seleção ficava mais lenta e menos agressiva sem a bola, a Noruega crescia.

Stale Solbakken acertou todas as mudanças. Andreas Schjelderup entrou no intervalo e participou diretamente dos dois gols ao dar as assistências para Haaland. Já Oscar Bobb aumentou a velocidade entre as linhas e ajudou os noruegueses a manter o controle territorial até o apito final.

O plano deixou de existir

Até as substituições, o Brasil ainda conseguia competir, mesmo com menos posse de bola. Depois delas, perdeu organização, intensidade e capacidade de reagir.

Sem Bruno Guimarães para organizar o meio-campo, sem Martinelli e Rayan para acelerar os contra-ataques e cada vez mais encurralada pela longa troca de passes da Noruega, a equipe passou praticamente todo o restante da partida defendendo a própria área.

Ancelotti tentou aumentar a qualidade técnica da equipe, mas desmontou justamente a estrutura que mantinha o Brasil vivo no jogo. Do outro lado, Solbakken fortaleceu seu time a cada mudança. No fim, a diferença entre os dois bancos pesou tanto quanto o talento de Haaland.

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