Ana Marcela Cunha: Campeã olímpica percorreu 42,9 quilômetros em pouco mais de oito horas e registrou o melhor tempo sul-americano da travessia
Repórter
Publicado em 22 de julho de 2026 às 16h25.
A nadadora brasileira Ana Marcela Cunha completou, nesta quarta-feira, a travessia do Canal da Mancha, entre Inglaterra e França, com uma nova marca sul-americana. Campeã olímpica e dona de 17 medalhas em Campeonatos Mundiais, ela percorreu 42,9 quilômetros em 8h25min29s e estabeleceu o recorde da América do Sul entre homens e mulheres.
A travessia começou à 1h, no horário de Brasília, em Dover, na costa da Inglaterra. Ana Marcela alcançou Calais, no litoral francês, por volta das 9h25. Embora a distância em linha reta entre os dois lados do canal seja menor, as correntes e as ondulações alteram a trajetória dos nadadores e ampliam o percurso realizado na água.
O tempo registrado por Ana Marcela superou as marcas sul-americanas de Adherbal de Oliveira, que concluiu a travessia em 8h49min, em 2015, e de Ana Mesquita, que completou o desafio em 9h40min, em 1993. O resultado também representa o menor tempo obtido no percurso por um homem ou uma mulher desde 2022. Na categoria feminina, nenhuma nadadora registrava uma marca inferior desde 1999.
"Essa travessia era um sonho muito pessoal, de criança. Ter atravessado e ter realizado esse sonho é de extrema importância para minha vida. Estou muito, muito feliz", celebrou Ana Marcela, logo após deixar a água.
Durante o percurso, a brasileira recebeu suporte de uma equipe técnica posicionada em um barco de apoio. O treinador Rogério “Kafu” cuidou das orientações, da hidratação e da alimentação da atleta. Igor de Jesus, especialista e guia responsável pela travessia, definiu a estratégia utilizada para alcançar a costa francesa.
Ana Marcela foi a última nadadora a iniciar a travessia, cerca de quatro horas após a partida da primeira embarcação, mas ultrapassou os demais competidores e chegou primeiro a Calais. Ao todo, 13 embarcações saíram nesta quarta-feira para acompanhar atletas que tentaram completar o percurso.
"Essa travessia foi para mim um momento de curtição. Independentemente de todos os fatores que encontrei, como um pouco de ondas, algumas caravelas, nada me prejudicou. Eu tinha experiência de ter nadado provas longas e isso me trouxe tranquilidade de saber para onde estava indo, sentir a correnteza e seguir em frente", explicou a nadadora.
A experiência em provas de longa distância foi um dos fatores citados por Ana Marcela ao relatar como administrou as condições encontradas no Canal da Mancha. A nadadora também mencionou o papel dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento técnico durante as mais de oito horas de percurso.
"Acredito que todos os profissionais que estavam no barco me passaram bastante firmeza e confiei bastante na análise deles. Em alguns momentos acelerei o circuito de braçadas para me manter num ritmo confortável. No fim, foi tudo demais. Estou cansada, mas muito realizada", finalizou a campeã olímpica.