Seleção Brasileira: jornal americano aponta que time é maior que a Alemanha apenas em alguns critérios (Chandan Khanna /AFP)
Repórter
Publicado em 1 de julho de 2026 às 08h48.
A eliminação da Alemanha pelo Paraguai nos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu um debate antigo do futebol — e, desta vez, com o Brasil no centro da comparação.
Em um texto opinativo, o site The Athletic, braço esportivo do jornal norte-americano The New York Times, sugeriu que a Alemanha pode ser considerada uma seleção maior que a brasileira na história dos Mundiais.
O argumento não está no número de títulos, mas em uma métrica menos óbvia: a constância.
Assinado pelo jornalista Matt Slater, o artigo foi publicado na segunda-feira, 29, horas depois da queda alemã, e parte de um dado específico para sustentar a tese.
Segundo Slater, antes das campanhas recentes ruins, a Alemanha poderia ser vista como a maior seleção do torneio por ter alcançado o pódio 12 vezes: quatro títulos, quatro vice-campeonatos e quatro terceiros lugares.
É um retrospecto que, no quesito regularidade, supera o de qualquer outro país na história da competição.
A Alemanha terminou entre os três primeiros em 12 das 20 Copas que disputou — pelo menos três pódios a mais do que qualquer outra seleção, incluindo o Brasil.
Entre 1954 e 2014, os alemães chegaram no mínimo às quartas de final em todas as 16 edições disputadas, com 12 semifinais nesse intervalo, uma sequência de consistência sem paralelo.
A tese, porém, esbarra no critério mais tradicional de grandeza: os títulos.
O Brasil é o maior campeão da história, com cinco conquistas (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), contra as quatro da Alemanha (1954, 1974, 1990 e 2014). Além disso, a seleção brasileira é a única a ter disputado todas as edições do torneio.
Há ainda um contraponto que o próprio retrospecto alemão revela: das oito finais que disputou, a Alemanha perdeu metade. Ou seja, a regularidade de chegar longe convive com uma taxa alta de derrotas nas decisões — algo que o Brasil, com cinco títulos em suas finais, administrou melhor nos momentos decisivos.
Não é coincidência que o debate tenha surgido agora.
O texto foi publicado logo após a Alemanha ser eliminada pelo Paraguai nos pênaltis, por 4 a 3, em mais um capítulo da pior fase de sua história em Copas.
Nas duas edições anteriores, em 2018 e 2022, os alemães já haviam caído ainda na fase de grupos.
Nathaniel Brown, da Alemanha: seleção venceu Curaçao, mas foi eliminada pelo Paraguai (Paul Ellis/AFP)
O Sky Sports, que reproduziu o artigo, resumiu o tom na manchete: os alemães "já foram os reis da Copa do Mundo, e agora simplesmente não são tão bons assim".
A comparação com o Brasil, nesse sentido, funciona menos como um veredito e mais como uma medida da distância entre o que a Alemanha foi e o que ela se tornou.
O contraste ficou ainda mais nítido porque, no mesmo dia da eliminação alemã, o Brasil venceu o Japão por 2 a 1 e avançou às oitavas de final. Enquanto uma das potências históricas arrumava as malas, a outra seguia viva na briga pelo hexacampeonato.
O debate sobre quem é "maior" dificilmente terá uma resposta única, porque depende do critério: títulos favorecem o Brasil, regularidade favorece a Alemanha.
O que o texto do The Athletic escancara é que, seja qual for a métrica, a seleção alemã vive hoje longe do patamar que um dia a colocou lado a lado com a brasileira no topo do futebol mundial.