Espanha: equipe comandada por Luis de La Fuente foi campeã da Copa do Mundo de 2026 (Odd Andersen / AFP)
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Publicado em 20 de julho de 2026 às 18h41.
A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha no topo do futebol mundial, mas o legado do torneio vai muito além da conquista da seleção comandada por Luis de la Fuente.
A primeira edição com 48 seleções, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, deixou marcas esportivas, culturais e comerciais que devem influenciar o futuro da modalidade, da consolidação do novo formato à crescente americanização do espetáculo.
Antes do torneio havia dúvidas sobre o aumento de 32 para 48 participantes. Temia-se uma primeira fase longa demais e partidas desequilibradas. No entanto, o Mundial entregou mais jogos competitivos, maior diversidade de países e histórias improváveis sem comprometer a qualidade das fases decisivas.
Ao mesmo tempo, a ampliação abriu espaço para estreantes e seleções de mercados emergentes, tornando a Copa ainda mais global.
Mesmo com Argentina, Espanha, França e Inglaterra confirmando o favoritismo ao ocupar as quatro vagas das semifinais, seleções menores roubaram a cena.
Cabo Verde conquistou torcedores ao estrear em Copas, arrancar empates contra Espanha e Uruguai e levar a Argentina à prorrogação no mata-mata.
A Noruega também viveu campanha histórica, alcançando pela primeira vez as quartas de final e mostrando uma geração capaz de competir com qualquer seleção.
Independentemente da derrota para a Espanha na decisão, a Argentina consolidou um novo status no futebol mundial.
Depois do título em 2022, chegou à terceira final nas últimas quatro Copas e disputou duas decisões consecutivas, algo raro na era moderna. O ciclo iniciado por Lionel Scaloni mostrou que o sucesso argentino deixou de depender apenas de Lionel Messi para se tornar um modelo coletivo e sustentável.
Se 2008 a 2012 marcou a geração de Xavi, Iniesta e companhia, 2026 pode representar o início de um novo ciclo espanhol.
Com um elenco jovem, liderado por Lamine Yamal e recheado de atletas formados em diferentes escolas do futebol espanhol, a seleção conquistou seu segundo Mundial mantendo um estilo ofensivo e dominante.
Se dentro de campo o torneio cresceu, fora dele aumentou a sensação de elitização.
Ingressos com valores recordes, hospedagem cara e custos elevados fizeram com que viajar para acompanhar uma Copa do Mundo se tornasse um privilégio para poucos.
O Mundial reforçou uma discussão que tende a acompanhar a Fifa nos próximos anos: como manter o torneio acessível aos torcedores tradicionais.
Os intervalos para hidratação ganharam importância tática, enquanto o show no intervalo da final dividiu opiniões. Para alguns, as mudanças aproximam o futebol do entretenimento esportivo norte-americano. Para outros, representam uma descaracterização da modalidade. O debate promete continuar antes da Copa de 2030.
As altas temperaturas provocaram mudanças de horários, pausas para hidratação e adaptações na preparação física das equipes.
A tendência é que questões climáticas passem a influenciar cada vez mais o calendário e a organização das próximas grandes competições.
Apesar das regras da Fifa proibirem manifestações políticas dentro dos estádios, o Mundial registrou diversos episódios envolvendo faixas, protestos e mensagens de cunho geopolítico.
A dificuldade da entidade em agir de forma uniforme reacendeu o debate sobre os limites entre esporte e política.