Haaland: jogador é referência, mas não é o único destaque da Noruega ( (Foto: Aric Becker / AFP))
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Publicado em 2 de julho de 2026 às 06h00.
O confronto entre Brasil e Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo coloca frente a frente duas seleções em momentos distintos de construção. Enquanto o Brasil mantém sua tradição de posse e talento individual, os noruegueses chegam como uma equipe em ascensão, estruturada em torno de uma geração forte e um plano de jogo direto, mas menos previsível do que no passado.
A Noruega não é mais apenas “o time do Haaland”. É um projeto coletivo que combina intensidade física, velocidade pelos lados e um meio-campo cada vez mais técnico.
O time norueguês, comandado por Stale Solbakken, costuma variar entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, mas na prática se transforma em uma equipe bastante vertical. A ideia não é ficar com a bola por longos períodos, e sim acelerar as jogadas sempre que possível, explorando transições rápidas e ataques pelos lados do campo.
A Noruega busca recuperar a bola e chegar ao gol adversário em poucos toques, aproveitando o espaço antes que a defesa rival se reorganize.
Dentro desse modelo, Martin Odegaard é o principal responsável por dar sentido ao jogo. Atuando como cérebro da equipe, ele recua para buscar a bola, organiza a saída e acelera as conexões entre meio e ataque. É dele a função de transformar a transição norueguesa em algo mais limpo e menos previsível, especialmente contra seleções que pressionam e controlam o ritmo, como o Brasil.
Pelos lados, a Noruega encontra sua principal arma de desequilíbrio individual em Antonio Nusa, atacante de apenas 21 anos que ganhou destaque no futebol europeu pela capacidade de drible curto e aceleração em espaços reduzidos. Ele oferece ao time uma alternativa mais criativa e imprevisível, sendo fundamental para quebrar defesas mais estruturadas. Do outro lado, a equipe tende a ser mais física e direta, buscando profundidade e cruzamentos.
Haaland segue como o ponto final de tudo. Mesmo quando não participa tanto da construção, ele é o centro gravitacional do ataque norueguês.
Sua presença dentro da área obriga as defesas a se ajustarem constantemente, abrindo espaços para infiltrações de Odegaard e dos pontas. A Noruega joga para levá-lo ao gol, mas hoje faz isso com mais caminhos do que em gerações anteriores.
Sem a bola, o time adota um bloco médio compacto, com muita intensidade nos duelos e forte disciplina defensiva. Não é uma seleção que pressiona o tempo todo, mas sabe fechar espaços e proteger a área, especialmente contra adversários tecnicamente superiores.
A presença da Noruega nesta fase da Copa marca a consolidação de uma geração que já vinha sendo observada há anos. Depois de um longo período fora de grandes torneios, o país finalmente consegue competir em alto nível com uma base formada por Haaland, Odegaard e uma nova leva de jogadores como Nusa, que dão mais profundidade ao elenco.
Diante do Brasil, o desafio norueguês será transformar poucos momentos de transição em chances reais de gol, já que dificilmente terá domínio territorial. Para o Brasil, o alerta está justamente na eficiência da Noruega: um time que pode não controlar o jogo, mas que pune qualquer desatenção com velocidade, força física e jogadores capazes de decidir em um lance.