O presidente da FIFA, Gianni Infantino, durante evento oficial do futebol internacional. Atual mandatário busca reeleição na entidade máxima do futebol. (Pablo Porciuncula/AFP) (Pablo Porciuncula/AFP)
Redator na Exame
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 13h27.
RESUMO | Presidente da FIFA, Gianni Infantino, sinalizou abertura para distribuir mais recursos aos membros da entidade utilizando parte das reservas de US$ 6 bilhões da instituição.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, abriu caminho para a possibilidade de distribuir maiores quantias de dinheiro às federações nacionais utilizando as reservas financeiras de US$ 6 bilhões (R$ 31,3 bilhões) da entidade máxima do futebol mundial, segundo informações do The Athletic.
Em documento enviado nesta segunda-feira, 28, aos presidentes das seis confederações e copiado aos membros do Conselho da FIFA, Infantino respondeu diretamente às pressões exercidas por Aleksander Ceferin (UEFA), Victor Montagliani (Concacaf) e Shaikh Salman (Confederação Asiática de Futebol), que exigiam uma revisão na distribuição de lucros decorrentes do sucesso financeiro das últimas edições da Copa do Mundo.
O mandatário da entidade confirmou que as propostas conjuntas enviadas pelas confederações serão formalmente avaliadas pelo Conselho da FIFA durante sua próxima reunião, agendada para o dia 15 de outubro. O secretário-geral Mattias Grafstrom recebeu instruções para consolidar as sugestões em um relatório integrado.
"Não vou antecipar valores" declarou Infantino na carta divulgada pelo The Athletic. "Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue com responsabilidade por meio do processo de governança adequado da FIFA, aplicado de forma justa e apoiado por acordos transparentes e auditáveis".
Segundo o The Athletic, a iniciativa ocorre em um momento delicado para a gestão de Infantino, sendo a primeira reunião do Conselho desde a forte pressão interna gerada pela retirada da proposta do FIFA Forward Enterprise (FFE). O dirigente suíço-italiano solicitou que os líderes regionais enviem os modelos financeiros, premissas e bases de cálculo para verificação técnica antes do encontro do próximo mês.
A movimentação nos bastidores começou a ganhar força após uma carta conjunta assinada por Ceferin e Montagliani, também revelada pelo The Athletic, na qual sugeriam uma alocação direta de recursos aos 211 membros da entidade. O plano prevê uma liberação pontual de reservas para garantir pelo menos US$ 10 milhões (R$ 52 milhões) adicionais a cada associação nacional ao longo do ciclo financeiro que abrangerá o período entre 2027 e 2030.
Enquanto Infantino permanece como o único candidato confirmado para as eleições presidenciais da FIFA previstas para o próximo ano — com o prazo final para registro de opositores encerrando-se em 18 de novembro —, a discussão sobre a governança financeira e a partilha dos superávits da entidade promete dominar a agenda política do futebol global nas próximas semanas.
A estabilidade político-institucional da FIFA enfrentou seu momento mais grave em meados de 2026, quando a entidade máxima do futebol mundial esteve à beira de uma crise histórica com a UEFA e as principais ligas do planeta. O epicentro da turbulência foi a articulação do presidente Gianni Infantino para estruturar uma subsidiária comercial para a gestão de ativos, medida interpretada pelo mercado e por dirigentes europeus como uma tentativa de "privatizar" parte das competições globais.
O plano previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma estrutura avaliada em US$ 20 bilhões com consultoria do JPMorgan Chase, projetada para administrar os direitos comerciais e operacionais dos eventos da entidade, incluindo a Copa do Mundo. A estratégia de Infantino consistia em negociar até 20% das ações dessa nova estrutura com investidores privados e fundos de investimento para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões, que seriam revertidos em repasses às 211 federações nacionais.
A proposta gerou forte reação contrária nos bastidores do esporte. Em 30 de julho, a UEFA publicou um comunicado contundente sob o lema "A Copa do Mundo não está à venda", alertando que o modelo de governança global não podia se curvar às exigências de lucro de acionistas externos.
A escalada do conflito resultou em medidas drásticas:
Pressionado pela iminência de um racha irreversível no calendário internacional e pelo risco de disputas judiciais prolongadas, Gianni Infantino recuou e abandonou oficialmente o projeto do FFE no final de agosto, o que levou a UEFA a suspender as sanções e o boicote projetado.
Apesar do cancelamento da subsidiária, a crise deixou sequelas profundas na governança da entidade. A tentativa unilateral de trazer o capital privado para o controle indireto de ativos da Copa do Mundo implodiu a confiança entre os dirigentes regionais e a presidência da FIFA.
Atualmente, confederações e ligas europeias exigem reformas estruturais profundas e pressionam politicamente pela saída de Infantino, embora o suíço-italiano permaneça como candidato único para o pleito presidencial de 2027. Para tentar pacificar os ânimos, a cúpula da entidade concordou em debater o endurecimento de regras de governança e a implementação de auditorias independentes na próxima reunião do Conselho da FIFA, marcada para 15 de outubro.
A discussão envolve parte das reservas financeiras da entidade, avaliadas em cerca de US$ 6 bilhões.
Os presidentes da UEFA (Aleksander Ceferin), da Concacaf (Victor Montagliani) e da AFC (Shaikh Salman).
O grupo busca estabelecer uma alocação direta que garanta ao menos US$ 10 milhões extras a cada federação no ciclo 2027-2030.
As propostas serão consolidadas e debatidas pelo Conselho da FIFA em reunião marcada para 15 de outubro de 2026.
O presidente da FIFA declarou apoio a um aumento responsável de financiamento, desde que respaldado por critérios rígidos de governança e auditoria.