Esporte

A WSL aposta no surfe brasileiro em busca de novas audiências

Em entrevista exclusiva, Erik Logan, CEO da WSL, fala sobre sobre sucesso na Apple TV, novidades para 2023 e como o Brasil é peça chave impulsionar o esporte

 (Thiago Diz / WSL/Divulgação)

(Thiago Diz / WSL/Divulgação)

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Gabriel Rubinsteinn

Publicado em 22 de outubro de 2022 às 06h30.

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Historicamente, o surfe profissional sempre foi acompanhado basicamente por pessoas que praticavam o esporte e, apesar de movimentar cifras elevadas há décadas, sempre foi um mercado de nicho. A Liga Mundial de Surf, ou WSL, na sigla em inglês, quer mudar o curso dessa história - e tem o Brasil, as redes sociais e as plataformas de streaming como suas principais ferramentas.

"A produção de conteúdo é fundamental na estratégia para aumentar nossa audiência. Não necessariamente conteúdo de surfe, mas também sobre os atletas, sobre os personagens do surfe profissional", disse o CEO da WSL, Erik Logan, em entrevista exclusiva à EXAME, citando como exemplo a série "Make or Break: Na Crista da Onda", distribuída pela Apple TV e produzida pelos mesmos criadores da popular "F1: Dirigir Para Viver", da Netflix.

A primeira temporada da série de surfe estreou no início de 2022 e mostra os bastidores do circuito mundial, com perfis de diferentes atletas a cada episódio e, claro, o título de Gabriel Medina conquistado na temporada anterior. "Com esse tipo de produto, conseguimos mostrar o lado humano dos atletas", comentou Logan.

Para ele, as plataformas de streaming são peça essencial no "quebra-cabeças" que a WSL está montando, cujo objetivo é fazer com que o surfe consiga romper definitivamente a bolha dos praticantes do esporte: "É com esse tipo de conteúdo, que é distribuído fora das plataformas da WSL, que atingiremos novas audiências", explicou o executivo. "Ao invés de distribuir nos nossos canais e tentar atingir essas pessoas com marketing, vamos direto aonde elas estão".

Erik Logan também explicou que a segunda temporada de "Make or Break" já está finalizada - com previsão de estreia no início de 2023 - e contou que a WSL deve lançar outros produtos audiovisuais no próximo ano: "Fechamos um acordo recente com a [produtora] Box to Box, que fez a série 'Make or Break', para lançarmos vários outros programas nesta linha, então teremos muito mais conteúdo no ano que vem".

A WSL, e o surfe de forma geral, também foram beneficiados com a inclusão do esporte nos Jogos Olímpicos, desde a edição de 2020 - realizada em Tóquio (JAP), em 2021, devido à pandemia. Mesmo que a disputa não seja organizada ou promovida pela WSL, a liga viu a novidade com bons olhos: "Ajuda a levar o esporte para centenas de milhões de pessoas que ainda não o acompanham. E o fato da WSL ser uma das formas de se classificar para as Olimpíadas também torna a competição mais interessante, é um ingrediente a mais para a disputa", disse o mandatário da liga.

Os primeiros resultados do esforço dos últimos anos já estão sendo colhidos. Em 2022, a temporada do mundial de surfe da WSL atingiu, segundo a entidade, mais de 50 milhões de pessoas, 50% mais do que no ano anterior. A etapa decisiva, que coroou o brasileiro Filipe Toledo com o título mundial, ficou marcada como a transmissão mais assistida da história do surfe mundial, com 8,3 milhões de espectadores - e os números ainda podem aumentar, já que estão disponíveis em sites como o YouTube e da própria WSL.

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Com mais de 8.500 quilômetros de praias, a costa brasileira é a mais extensa do mundo. E já faz algumas décadas que o surfe se popularizou em diversas regiões, especialmente aquelas próximas às capitais do sul e do sudeste do país. Mas, desde o título mundial de Gabriel Medina, em 2014, o primeiro da história do país, o esporte mudou de patamar.

Nos últimos oito anos, grandes marcas invadiram o esporte, novos atletas de ponta surgiram pelo país - alguns deles já coroados campeões mundiais, como Adriano de Souza, Ítalo Ferreira e Filipe Toledo - e milhares de novos fãs começaram a praticar o esporte e acompanhar as disputas profissionais.

O crescimento acelerado nos últimos anos levou o Brasil a se tornar a maior potência do circuito mundial de surfe, superando países com muito mais tradição no esporte, como EUA e Australia. Mas, além disso, fez do país também um dos mais importantes mercados para o surfe, movimentando milhões de dólares e atraindo grandes.

"Atualmente, não existe nenhum outro mercado como o brasileiro para o surfe profissional. Basta ver o que acontece nos nossos eventos realizados no país. Quando você chega na etapa de Saquarema e vê 50 mil pessoas na areia, é inegável a paixão do torcedor brasileiro pelo surfe", comentou o CEO da WSL.

Ele também explicou que histórias de superação e que mostram como o surfe pode mudar a vida das pessoas - citou Ítalo Ferreira, "nascido na favela, filho de pescadores" - são muito comuns, e explicou como a liga pretende utilizar sua experiência no país para alavancar o esporte em outras regiões: "O Brasil é uma das nossas prioridades e é também um modelo para o resto do mundo de como o surfe pode ser também um movimento cultural. Existe uma existe uma relevãncia cultural para o surfe no país, é algo poderoso, que nos permite observar e tentar replicar na América Central, nos EUA, na Europa, na África".

Para Erik Logan, outro ponto que dá dimensão do que está acontecendo com o surfe no Brasil, e que ele espera que aconteça em outras regiões, é a quantidade de empresas não relacionadas com o surfe que têm se aproximado do esporte - historicamente, o circuito mundial tinha apoio quase exclusivo de marcas ligadas ao esporte:

"É só ver a quantidade e o nível das empresas que assinaram acordos de patrocínio com a gente nos últimos dois ou três anos. É impressionante", disse, citando parceiros da WSL no Brasil como TikTok, Havaianas, Oi e Banco do Brasil. "Sem dúvidas, é o mercado mais próspero, que ainda tem um enorme potencial de crescimento, e, para mim, um modelo para a WSL", finalizou.

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