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Fim da tormenta para o turismo? Com novo hotel em São Paulo, Hilton aposta que o pior já passou

Inaugurado na última quinta (4), Canopy by Hilton São Paulo Jardins é voltado para jovens viajantes que querem desfrutar a cidade como se fossem locais

Em nenhum outro contexto a abertura de um novo hotel em São Paulo chamaria tanta atenção. Com a pandemia ainda em alta no país, a cidade às voltas com a fase vermelha – em vigor até semana passada – e o sumiço dos turistas estrangeiros, que provavelmente não voltam tão cedo, a pergunta é inevitável: por que o grupo Hilton inaugurou um hotel nos Jardins na última quinta-feira (4)? Falamos do Canopy by Hilton São Paulo Jardins, instalado em uma ruazinha sem saída, a Saint Hilaire, a uma quadra da Avenida Brigadeiro Luís Antônio e a quatro da Avenida Paulista.

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A resposta à pergunta nos foi dada por Jorge Giannattasio, vice-presidente sênior e diretor de operações da rede no Caribe e na América Latina. “Estamos nesse ramo há mais de 100 anos e já experimentamos muitos altos e baixos, como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial”, disse ele, lembrando que o grupo Hilton foi instituído em maio de 1919, nos Estados Unidos. “A pandemia não altera a forma como enxergamos o Brasil ou a indústria de hospitalidade a longo prazo”.

Ele nos recebeu na nova unidade da rede no dia da inauguração. “Nunca testemunhamos algo como essa pandemia, mas para ela já há uma solução, que são as vacinas”, afirmou. “Cedo ou tarde elas vão chegar a cada canto do mundo. Por isso, nossos planos de expansão continuam”.

O bar central do restaurante Stella, também para não hóspedes

O bar central do restaurante Stella, também para não hóspedes (Divulgação/Divulgação)

Em 2021, registre-se, o grupo pretende inaugurar 20 hotéis na América Latina – o Canopy by Hilton São Paulo Jardins foi o primeiro. Será o mesmo número registrado em 2019. “No ano passado, mesmo com todas as dificuldades impostas ao turismo, inauguramos 14”, informou Giannattasio. Foi o mesmo ano em que inúmeros hoteis fecharam mundo afora e uma importante rede, a canadense Four Seasons, decidiu sair de São Paulo, aonde chegou em 2018. Convém dizer que o grupo Hilton é líder global do setor. Com mais de 6.300 propriedades em 118 países e territórios – e quase um milhão de quartos no total –, já hospedou mais de 3 bilhões de pessoas desde 1919.

No caso da novidade paulistana, foi uma aposta que não custou um centavo para o grupo. Como é de praxe no ramo, todo o investimento, não divulgado, foi custeado pelo sócio local – a saber, a Tati Construtora e Incorporadora, que pertence a Arnaldo Goldstein. Ao grupo hoteleiro, com seu inegável know-how e fama planetária, que favore e muito os pedidos de reservas, cabe o gerenciamento.

A história do Canopy paulistano começou cinco anos atrás. Foi quando a empresa de Goldstein arrematou o edifício da Saint Hilaire, antes residencial, e decidiu transformá-lo em um hotel. “Não queria fazer só mais um hotel como tantos que existem na cidade, mas um que se diferenciasse”, disse-me Goldstein.

Papo vai, papo vem com o grupo Hilton, a bandeira Canopy se mostrou a ideal. Criada em 2016, ela é formada por hotéis com um quê de butique – o mais antigo fica em Reykjavik, na Islândia, que Goldstein foi conhecer antes de fechar contrato com o grupo. “Os hotéis dessa bandeira têm a missão de virar um hotspot do bairro em que estão inseridos”, explicou Giannattasio. “São voltados para turistas entre 20 e 40 anos que querem desfrutar a cidade como se fossem locais”.

Jorge Giannattasio: vice-presidente sênior e diretor de operações do grupo Hilton

Jorge Giannattasio: vice-presidente sênior e diretor de operações do grupo Hilton (Divulgação/Divulgação)

Hoje a bandeira dispõe de 24 endereços e há mais 35 em desenvolvimento. O público alvo são viajantes a passeio, embora a unidade paulistana, a primeira na América do Sul, também deva atrair turistas de negócios, dada a localização estratégica. “São Paulo é uma cidade fantástica e cosmopolita que atrai seus visitantes pela cultura, arquitetura e gastronomia, e não só pelos negócios”, disse o executivo do grupo Hilton. Como é de esperar, ele aposta que a maioria dos hóspedes, no curto prazo, não virá de outros países. “Por enquanto são os viajantes domésticos que vão dominar. É em países como o Brasil, por sinal, com vários destinos atrativos, de Fortaleza a Florianópolis, que o turismo será retomado mais rapidamente”.

Com 17 andares e uma fachada decorada pelo grafiteiro Speto, o Canopy paulistano situa-se no fim da Saint Hilaire. O retrofit coube à arquiteta Maria Magalhães – em obras há três anos, o hotel teria sido inaugurado em maio do ano passado, não fosse a pandemia. Maria optou por tons terrosos, privilegiou a entrada da luz natural e móveis de designers brasileiros badalados como Ana Neute, Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha.

O antigo estacionamento foi transformado no restaurante Stella, aberto também a não hóspedes. Com paredes de vidro do chão ao teto, dispõe de um bar central decorado com luminárias pendentes feitas com cestas indígenas. Desenvolvido pelo chef David Kasparian, o menu lista pratos como barriga de porco com feijões de Santarém, couve e chutney de banana (79 reais) e mexilhões no vapor com cachaça envelhecida e batata frita (80 reais). Algumas das entradas: abóbora tostada com mel, queijo boursin, amêndoas e salada (38 reais) e ostra defumada com geleia de caju e azedinha (35 reais).

O grande atrativo para não hóspedes ainda não tem data de estreia. É o bar do rooftop, do qual se avista o Ginásio do Ibirapuera. Especializado em drinques dos anos 1950, ganhou o nome de Barnô, uma homenagem ao Arnaldo Goldstein. Em tempo: a área de lazer se resume a uma acanhada academia, com duas esteiras.

Barriga de porco com feijões de Santarém, couve e chutney de banana: no menu do Stella

Barriga de porco com feijões de Santarém, couve e chutney de banana: no menu do Stella (Divulgação/Divulgação)

Os quartos – são 98, no total – variam de 24 a 38 metros metros quadrados. Ganharam decoração clean e atributos como cama king-size e cofre. Um diferencial da bandeira: em cada andar há um filtro de água, para que os hóspedes se hidratem de graça. Em um gancho do lado de fora de cada habitação é pendurada a sacola com o café da manhã do room service. “Só entramos no quarto de quem nos pede. Esse é um dos protocolos que criamos para diminuir os riscos de transmissão do coronavírus em nossos hotéis”, explicou Giannattasio. “Nossos hóspedes nos procuram pois sabem que estão seguros conosco”.

Até este domingo (7) as diárias estão sendo vendidas a partir de 980 reais (mais taxas). Inclui café da manhã e uma garrafa de espumante – por mais 360 reais o jantar entra no pacote. Até março, as diárias custarão cerca de 750 reais, só com café da manhã.

Canopy by Hilton São Paulo:
Rua Saint Hilaire, 40, Jardins, São Paulo, (11) 3509-9610. canopybyhilton.com