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Tudo que você precisa saber sobre a eleição americana

Como estão as pesquisas nos EUA? Joe Biden tem chance de derrotar Donald Trump? Como funciona o colégio eleitoral? Acompanhe os destaques da eleição

Semana final

O presidente americano Donald Trump disputa a reeleição em 3 de novembro contra Joe Biden. A eleição deve ter a maior presença de eleitores em um século

A eleição nos Estados Unidos acontece oficialmente em 3 de novembro, e está é oficialmente a última semana completa de campanha. O pleito já está a todo vapor e 50 milhões de eleitores já votaram com antecedência ou pelo correio, no que promete ser uma das eleições com maior comparecimento em um século.

O atual presidente americano, Donald Trump, disputa a reeleição com o democrata Joe Biden, vice no governo de Barack Obama (2009-16).

Nas pesquisas, Biden está à frente e tem consolidado a vantagem. Mas uma reviravolta aos moldes de 2016 ainda pode acontecer. Após pegar covid-19 e chegar a ser internado, Trump voltou a fazer comícios presenciais e tenta usar as últimas semanas de campanha para garantir os votos dos poucos indecisos restantes.

Para a chapa, Biden escolheu como vice a senadora Kamala Harris, nome que foi aplaudido por se tratar de uma mulher negra e que teve como objetivo acenar para o eleitorado mais jovem e progressista do Partido Democrata. Trump está novamente ao lado de Mike Pence, que já é seu vice atualmente.

Nesta página especial, que será atualizada diariamente neste último mês de eleição, reuniremos as principais notícias e análises sobre o pleito americano e o melhor da cobertura da EXAME.

Role para baixo para ler rapidamente sobre os principais tópicos. Se quiser se aprofundar, você encontrará ao longo da página links para as reportagens, artigos e podcasts já publicados sobre os grandes temas da disputa americana. Boa leitura!

As últimas notícias sobre a eleição

Quem está ganhando

Trump ou Biden, quem está na frente nas pesquisas? A resposta é complexa

Joe Biden e Donald Trump: Biden à frente nas pesquisas

Joe Biden e Donald Trump: Biden à frente nas pesquisas (Montagem EXAME/Getty Images)

O modelo eleitoral americano faz com que a discussão sobre a eleição sempre tenha de vir acompanhada de detalhes sobre o chamado colégio eleitoral. Por enquanto, Biden está à frente de Trump nas pesquisas nacionais.

Novas pesquisas na última semana mostram que o democrata ampliou a vantagem nacional desde o primeiro debate com Trump. Na média das pesquisas, Biden tem oito pontos de vantagem (51% a 43%), segundo a média até este sábado, 24, do site Real Clear Politics, que compila as pesquisas nos EUA.

Mas, na eleição americana, mais importantes são as eleições em cada estado. Por esse modelo, um candidato pode ganhar com só 23% dos votos válidos do país, segundo levantamento da EXAME.

Biden aparece à frente em boa parte dos estados decisivos, mas a disputa está apertada e 2016 deixou marcas na confiança nas pesquisas

A disputa principal é pelos chamados swing states, os estados que não são nem republicanos, nem democratas. Biden aparece um pouco à frente em boa parte desses estados. Foi justamente onde Trump venceu Hillary Clinton em 2016. A democrata ganhou no voto nacional, mas perdeu no colégio eleitoral.

Cada estado tem um número de votos dentre os 538 que compõem o chamado colégio eleitoral americano. Em quase todos, o candidato que ganha no estado fica com todos os votos, ainda que tenha ganhado por uma porcentagem pequena.

Em 2016, Hillary Clinton ganhou no voto nacional, mas perdeu no colégio eleitoral pelos votos nos estados.

Um caso clássico aconteceu em 2016, no Michigan (um dos estados decisivos), quando Trump ganhou por só 11.000 votos. A vantagem pequena não faz diferença: o presidente levou todos os 16 votos do estado no colégio eleitoral, o que o ajudou enormemente a vencer naquela eleição.

A eleição de 2016 também deixou marcas até hoje nas discussões sobre as pesquisas. Na época, Hillary Clinton, ex-secretário de Estado no governo Obama e esposa do ex-presidente Bill Clinton, tinha mais de 70% de chances de vitória. Ela terminou derrotada sem que quase nenhuma pesquisa tivesse previsto o resultado.

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O voto pelo correio

A modalidade é permitida nos EUA, e será crucial neste ano em meio à pandemia. Enquanto isso, Trump alega que pode haver fraude

Cédulas para votação pelo correio: no centro da polêmica das eleições americanas deste ano

Cédulas para votação pelo correio: no centro da polêmica das eleições americanas deste ano (Jason Redmond/AFP)

A modalidade do voto pelo correio, há muitos anos usada por pessoas que não podem comparecer às urnas no dia da eleição, deve ter adesão recorde neste ano.

Os especialistas apontam as décadas de experiência como garantia de que o sistema é seguro. O presidente Donald Trump fala em “desastre catastrófico”, “fraudes maciças”, um flanco para a interferência de outros países na democracia americana. Em 2016, 6 milhões de eleitores já haviam votado dessa forma.

Neste ano, as pesquisas apontam Biden vencendo entre quem deve votar pelo correio. Pode haver uma guerra judicial para questionar esses votos.

No final do ano passado, cerca de 70 políticos, acadêmicos, especialistas em pesquisas de opinião e jornalistas americanos formaram o Transition Integrity Project (TIP), ou projeto para a integridade da transição. O grupo foi criado porque seus integrantes temem que “o governo Trump possa tentar manipular os resultados. “Avaliamos que existe uma grande probabilidade que a eleição seja marcada por um panorama de caos jurídico e político”, diz o grupo.

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O papel da Suprema Corte

A morte da juíza Ruth Gingsburg trouxe novo elemento à eleição

Juíza Amy Coney Barrett, professora de direito da Universidade Notre Dame, posa em uma fotografia sem data obtida na Universidade Notre Dame em 19 de setembro de 2020 Matt Cashore/Notre Dame University/Divulgação via REUTERSJuíza Amy Coney Barrett: indicada por Trump para a Suprema Corte. Matt Cashore/Notre Dame University/Divulgação via REUTERS

Na complexa eleição americana de 2020, a Suprema Corte também entrou na pauta. Com a morte da juíza progressista Ruth Bader Ginsburg (a RBG) em setembro, Trump ganhou o direito de indicar um novo juiz e escolheu a juíza católica e conservadora Amy Barrett.

Se a indicação for confirmada pelo Senado (que é republicano e apoia uma nomeação rápida), haverá uma maioria de 6 a 3 para os conservadores na corte. Barrett deve se mostrar favorável a pautas como restrições ao aborto, mais permissões para armas e possíveis alterações no sistema de saúde de Barack Obama, o Obamacare.

Além da vantagem numérica para pautas de comportamento, é também a Corte quem deve julgar potenciais recursos na eleição.

“A gente pode ter em 2020 várias Flóridas 2000”, disse o analista Maurício Moura, fazendo referência à eleição em que George W. Bush venceu o democrata Al Gore.

A Suprema Corte terminou tendo de decidir sobre o apertado pleito na Flórida, que poderia ter mudado o resultado nacional. Naquela ocasião, os resultados demoraram semanas e são debatidos até hoje. O caso só acabou porque Al Gore decidiu não entrar na Justiça para recorrer da decisão.

Leia mais sobre o impacto da Suprema Corte

Os estados decisivos

Há alguns estados particularmente importantes nas eleições americanas. Entenda o que cada um tem de particular

Em 2016, Hillary Clinton perder para Donald Trump em praticamente todos os estados decisivos. Não são lugares como Califórnia ou Nova York, onde os democratas sempre se saem bem — nesses locais, a ex-candidata ganhou tantos votos que até venceu Trump no cenário nacional. Neste ano, a missão de Biden é justamente ganhar nesses pequenos e notáveis estados. A Flórida é o mais importante deles, porque tem mais votos no colégio eleitoral, mas cada swing state pode significar a diferença entre a vitória ou a derrota.

Há ainda alguns estados que não estão na lista dos swing states tradicionais, mas podem trazer surpresas neste ano, segundo as pesquisas. Todos os quatro abaixo são historicamente mais republicanos e votaram em Trump na eleição de 2016. Neste ano, as pesquisas mostram ou empates ou uma inusitada vitória de Biden. É o caso do Arizona ou da Geórgia, historicamente republicanos mas onde Biden está na frente neste ano, ainda que por poucos pontos.

Leia mais sobre alguns estados decisivos

Para acompanhar de perto a corrida eleitoral nos Estados Unidos, pesquisas eleitorais inéditas estão sendo realizadas em território americano pelo projeto Exame/IDEIA, que une EXAME Research, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública.

Conheça abaixo o panorama eleitoral e o que move os eleitores em alguns dos estados mais importantes:

Pandemia, economia e protestos

Quer se aprofundar na eleição americana? Não perca os episódios semanais do podcast EXAME Política - temporada eleições americanas

Ninguém imaginava, em janeiro, a situação na qual os EUA estariam a um mês da eleição. O país se tornou o que mais teve vítimas e casos de coronavírus (já são mais de 205.000 mortos) e a economia, que vinha bem, tem o desafio de se recuperar da crise gerada pela pandemia. A segunda onda de coronavírus no país e em estados decisivos, como a Flórida, é uma preocupação.

A eleição americana também acontece em meio aos protestos antirracistas pelo país, desencadeados após a morte do homem negro George Floyd, sufocado por um policial branco.

Embora os protestos tenham diminuído desde então, lugares como Portland, no Oregon e Kenosha, no Wisconsin, onde outro homem negro, Jacob Blake, foi morto em agosto. Cidades em todo o país têm sido palco de violência recente nos protestos, gerando um embate entre a polícia, manifestantes, grupos contrários aos manifestantes — em Kenosha, um adolescente de 17 anos do movimento extremista branco matou duas pessoas em um protesto.

Economicamente, a última eleição, que elegeu Trump para seu primeiro cargo público, foi marcada por um sentimento de insatisfação de parte da classe média branca americana para com o governo Obama e a perda de renda. O movimento ganhou voz sobretudo em estados eleitoralmente decisivos, como os do chamado Rust Belt (o cinturão de ferro), que perderam parte de suas fábricas e viram o avanço industrial de países como a China.

A economia americana, contudo, vinha se recuperando plenamente após a crise de 2008, com desemprego recorde e altas na bolsa de valores nos últimos anos. Era um dos trunfos de Trump. Agora, o país convive com números altos de desemprego diante da pandemia e metade das vagas fechadas ainda não foram recuperadas.

Podcast

Como parte da cobertura especial da eleição americana, a EXAME tem publicado o podcast EXAME POLÍTICA – Temporada Eleições Americanas, que vai ao ar todas as sextas-feiras.

Nos episódios, com menos de 20 minutos, você fica informado com profundidade sobre os grandes temas da eleição na maior economia do mundo.

Participam do debate Maurício Moura, fundador do instituto de pesquisa IDEIA e professor da George Washington University na área de políticas públicas, e o jornalista Sérgio Teixeira Junior, que de Nova York cobre as eleições americanas para a EXAME. A apresentação é da editora de macroeconomia da EXAME, Fabiane Stefano.

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