CIÊNCIA

Bill Gates, máscaras e desinfetante: mitos e verdades sobre a covid-19

O que é verdade e o que é mentira em relação à covid-19? Responda o quiz e descubra

Desde que o novo coronavírus surgiu no mundo, diversas dúvidas e teorias da conspiração também surgiram. De que o vírus foi criado em laboratório até uma implantação de chips por Bill Gates com uma vacina contra a covid-19: o que é verdade e o que é mentira em relação à covid-19?

É claro que se você já respondeu ao quiz acima, você provavelmente já sabe as respostas. Abaixo, você confere as explicações do que é verdademito e o que é ainda inconclusivo, ou seja, afirmações que dependem de outros estudos e pesquisas para confirmarem a sua efetividade.

O SARS-CoV-2 já deixou 21.706.031 infectados globalmente e mais de 775 mil mortes. O Brasil, segundo país com mais casos, tem 3.340.197 doentes e cerca de 107 mil óbitos, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins.

De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) do dia 13 de agosto, 29 vacinas estão em fase de testes e outras 138 estão em desenvolvimento.

Confira as explicações:

O coronavírus foi inventado em laboratório?

Mito: Nada indica que a nova variação do coronavírus tenha sido criada em laboratório. Um estudo de março, feito por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, e publicado na revista Nature Medicine, apontou que o vírus nada mais é do que um resultado de evolução natural, sem engenharia humana.

O ar condicionado espalha mais o vírus?

Inconclusivo: Ainda não existe nenhuma pesquisa que confirme que o ar condicionado é o responsável pelo espalhamento da doença em ambientes fechados, como em escritórios. Grande parte dos cientistas acredita que isso acontece pela proximidade das pessoas nesses locais e não pelo dispositivo.

Dá para pegar o novo coronavírus duas vezes?

Inconclusivo: Como o vírus é relativamente novo, ainda não se sabe ao certo se uma pessoa já recuperada pode ou não contraí-lo novamente. O que se sabe é que em outros casos de doenças respiratórias causadas por um coronavírus (como o SARS e a MERS) uma imunidade de cerca de dois anos foi criada. Em outras variações do vírus (como a OC43 e a HKU1), as pessoas ficaram imunes por um período determinado período de tempo.

Em todos os casos, no entanto, a imunidade só dura até que surja uma nova cepa do vírus, uma vez que a mutação é inerente a ele. É o que nos faz pegar gripe mais de uma vez, por exemplo.

É possível ter imunidade mesmo sem produzir anticorpos?

Inconclusivo: É essa a pergunta de 1 milhão de dólares que os pesquisadores no mundo todo estão tentando responder. Uma nova pesquisa feita por suecos aponta que, mesmo sem a produção de anticorpos contra o vírus, um indivíduo pode produzir células capazes de destruir a doença em casos de reinfecção. São os chamados linfócitos T — células reativas que ajudam o organismo na defesa de infecções, e que estão sendo estudadas por outros cientistas.

Outro estudo, desta vez divulgado na revista científica Nature, aponta que foram encontradas as mesmas células imune citadas acima em amostras sanguíneas de 100 voluntários, entre eles alguns que não foram expostos à doença.

Mas é preciso esperar para ter certeza do tempo e da efetividade da imunidade dos indíviduos (que foram ou não infectados pela covid-19). 

As torres de 5G espalham o coronavírus?

Mito: Essa teoria da conspiração surgiu no Reino Unido e afirma que a internet 5G está por trás da pandemia. O boato ganhou força no começo de abril e, até maio, cerca de 77 torres de sinal de operadoras de telefonia foram queimadas.

A teoria consiste na ideia de que a rapidez da internet está causando ou acelerando o contágio da doença, por meio da radiação. Desde que iniciaram os debates sobre a tecnologia, muitas pessoas começaram a espalhar histórias de que o 5G, por ser mais poderoso que o 3G ou o 4G, poderia causar problemas graves aos seres humanos e aos animais. Quem acredita na teoria também afirma que o novo modelo de internet é capaz de reduzir a imunidade das pessoas e que “o coronavírus foi inventado para esconder os perigos do 5G.”

As informações não são verdadeiras. Não há nenhum estudo que confirme os supostos perigos das gerações da internet. A Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não Ionizante (ICNIRP, sigla em inglês) confirmou que as frequências emitidas pelo 5G não afetam as pessoas.

A OMS também nega veementemente o contágio por 5G, reforçando que só é possível ser infectado pelo vírus quando alguém tem contato com gotículas da saliva de doentes, expelidas na tosse, em espirros e até mesmo na fala. O contato com superfícies infectadas, quando a pessoa também passa as mãos nos olhos, boca ou nariz também pode causar a doença.

Somente pessoas mais velhas e com problemas crônicos contraem a doença.

Mito: Para muitos, a doença é mortal apenas para aqueles que estão no grupo de risco (pessoas acima de 65 anos  ou com histórico de doenças respiratórias ou diabetes), mas, o vírus pode ser perigoso para quem tem menos de 40. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no final de março, a maioria das internações de pacientes com a covid-19 ocorreu com pessoas com idades entre 30 e 80 anos.

O coronavírus, como o ditado popular, não vê idade na hora de infectar alguém, embora pessoas mais velhas e com problemas de saúde prévios corram mais risco de desenvolver quadros graves.

O distanciamento social ajuda a reduzir a contaminação?

Verdade: Sim. O distanciamento social de dois metros ajuda exatamente porque faz com que as gotículas de saliva dos infectados não consiga alcançar outras pessoas exatamente por causa da distância. Com o isolamento, outras doenças infecciosas também despencaram.

Desinfetante é eficaz contra o coronavírus?

Mito: Ingerir desinfetante no corpo ou espirrar ele em si mesmo não é eficaz contra a covid-19 e pode ser fatal, além de causar irritações na pele e nos olhos. Segundo a OMS, o desinfetante deve ser usado somente para limpar superfícies e em nenhum outro caso.

Usar máscaras pode reduzir a taxa de infecção?

Verdadeiro: Sim. Isso porque as máscaras reduzem a quantidade de gotículas expelidas durante a fala e outras atividades, como as citadas acima (no item sobre o 5G).

Um estudo feito por pesquisadores australianos, publicado na revista científica Thorax, por exemplo, indica que as máscaras de apenas uma camada de tecido reduziram um pouco as gotas de saliva expelidas durante a fala, enquanto a opção com duas camadas se mostrou mais eficaz na proteção. Já a máscara com três camadas pode ser ainda mais eficaz do que as outras duas, apesar de não ter sido testada.

Uma versão com 12 camadas de pano, segundo um outro estudo publicado na revista científica The Lancet, é tão eficaz quanto a cirúrgica. Mas é claro que costurar tantas camadas é uma tarefa mais complicada do que deveria ser.

Apesar disso, os pesquisadores reforçam que usar uma máscara com apenas uma camada é melhor do que não usar nenhuma.

É impossível pegar covid-19 em temperaturas quentes.

Mito: Uma pessoa pode ser infectada pelo vírus independente da estação do ano ou da temperatura que estiver no local onde ela mora. O calor não é capaz de, por si só, evitar que o vírus seja contraído, bem como baixas temperaturas também não são capazes de matar a covid-19.

Mosquitos podem passar coronavírus?

Mito: Não há evidências de que um mosquito é capaz de infectar pessoas com o novo coronavírus, segundo a OMS. O contágio dele é causado principalmente por contato com pessoas ou superfícies infectadas.

Tal medicamento pode curar a doença?

Inconclusivo: Ainda não existe nenhum medicamento ou vacina aprovado como prevenção contra a doença.

Uma pesquisa aponta que as chances de prováveis candidatas para uma vacina dar certo é de 6 a cada 100 e a produção pode levar até 10,7 anos. Para a covid-19, as farmacêuticas e companhias em geral estão literalmente correndo atrás de uma solução rápida.

Entre os remédios que apresentaram bons resultados está o remdesivir, medicação intravenosa que mostrou bons resultados na redução do tempo de internação dos pacientes infectados pela covid-19. Outros estão sendo estudados e alguns já foram descartados, como a cloroquina.

Bill Gates inventou o coronavírus para implantar chips nas pessoas?

Mito: Outra das teorias que rodam a internet é a de que o bilionário Bill Gates foi o criador do coronavírus e que, com a doença, pretende criar uma vacina que será capaz de implementar chips nas pessoas.

A relação de Gates com as teorias surgiu por conta de uma palestra, de 2015, na qual ele afirmava que o grande risco para a humanidade não era uma guerra nuclear, mas sim um vírus que pudesse infectar e ameaçar a vida de milhões de pessoas. Mas não existe comprovação de que ele está envolvido na criação do vírus que, como explicado na primeira pergunta, não foi originado em um laboratório.

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