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Rumo à Turquia: “COP do Futuro” estreia sem metas concretas em carta inaugural da COP31

Presidência turco-australiana apresenta diretrizes iniciais para a conferência climática, com foco na agenda de economia circular, transição energética e resiliência

A COP31 acontece de 9 a 22 de novembro em Antália, na Turquia (Getty Images)

A COP31 acontece de 9 a 22 de novembro em Antália, na Turquia (Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 18 de abril de 2026 às 12h00.

Última atualização em 18 de abril de 2026 às 13h36.

No cruzamento entre Europa e Ásia, a Turquia lançou a ideia de uma “COP do Futuro” e se posiciona como uma "ponte entre regiões e culturas" na estreia de sua presidência da COP31.

A proposta foi apresentada em carta inaugural divulgada em 13 de abril, que estabelece as diretrizes gerais da grande conferência climática da ONU em Antália, mas ainda sem metas concretas ou novos compromissos para combater a crise do clima.

“O mundo está entrando em um período decisivo para o futuro da ação climática”, escreveu o presidente designado da COP31, o ministro turco Murat Kurum. Segundo ele, a presidência buscará “reforçar a confiança na capacidade da ação multilateral de gerar resultados tangíveis”.

Modelo pioneiro de governança

Após impasses na última COP30 em Belém, se definiu que a próxima edição seria conduzida por um modelo pioneiro de compartilhamento entre dois países: Turquia e Austrália. O evento está marcado de 9 a 22 de novembro de 2026 na cidade turca de Antália.

Enquanto a presidência turca ficará responsável pela coordenação política e pela Agenda de Ação, a Austrália liderará as negociações formais. O ministro australiano de Mudança Climática e Energia, Chris Bowen, foi nomeado presidente das negociações.

No texto, Kurum afirma que o arranjo representa “um modelo inovador que promete uma COP mais inclusiva e orientada a soluções.

O líder também prometeu em breve uma próxima carta conjunta com o ministro australiano para detalhar as prioridades das negociações e os caminhos para avançar nos diferentes pilares da agenda climática.

A presidência também destacou a atuação no formato de “troika”, em coordenação com Azerbaijão e Brasil, conectando as últimas conferências do clima e buscando garantir maior previsibilidade ao processo.

Apesar do discurso ambicioso, o documento não traz anúncios relevantes nem compromissos concretos, mantendo-se em um nível predominantemente protocolar nesta estreia da presidência turco-australiana.

O foco será na implementação, assim como foi proposto na COP30, e a presidência será guiada por três princípios: “diálogo, consenso e ação”, segundo o ministro.

A ideia, de acordo com a carta, é ampliar a participação entre países, construir confiança e garantir resultados concretos.

As prioridades da COP31: próximos passos

A Agenda de Ação da COP31 será estruturada em torno de temas prioritários como economia circular e desperdício zero, transição energética, industrialização de baixo carbono, resiliência climática, segurança alimentar e cidades sustentáveis.

Também estão entre as prioridades o fortalecimento de mecanismos financeiros, a promoção de ações integradas entre clima, biodiversidade e uso da terra, e a ampliação da participação da juventude.

O documento reforça a continuidade das negociações internacionais, incluindo as conquistas e avanços colocados à mesa em Belém e reafirma o compromisso com o histórico Acordo de Paris que limita a temperatura a 1.5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

Entre os principais eventos preparatórios, a carta destaca a realização da reunião Pré-COP entre 5 e 8 de outubro de 2026, em Fiji, com um encontro de líderes em Tuvalu.

Já a Cúpula de Líderes Mundiais da COP31 está marcada para os dias 11 e 12 de novembro, em Antália, e deve ser um dos momentos centrais para anúncios políticos e novos compromissos.

A estrutura da presidência também foi detalhada. Samed Ağırbaş, presidente da Zero Waste Foundation, foi nomeado High-Level Champion ou "Campeão climático" da COP31, responsável por impulsionar a Agenda de Ação e fazer o elo com o setor privado, enquanto a australiana Sally Higgins foi designada Campeã Climática da Juventude.

Na presidência, Fatma Varank atuará como CEO da COP31, responsável pela condução estratégica e implementação da agenda política. Já o vice-ministro Omer Bulut ficará encarregado da infraestrutura e logística do evento, enquanto Burak Demiralp responderá pela operação e gestão dos espaços da conferência.

Para fechar o time, o diretor de mudança climática, Halil Hasar, atuará como responsável pela diplomacia.

Ao destacar o papel do país anfitrião, Kurum afirmou que "a Turquia está empenhada em garantir que o caminho até Antália seja conduzido de forma transparente, previsível e inclusiva”.

Em tom de cobrança e expectativa, o presidente designado conclui que “o mundo deve transformar palavras em resultados concretos” — um objetivo que, até aqui, ainda não se reflete em metas específicas na largada da COP31.

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