ESG

Quem é a ex-atriz da Globo que trabalha na salvação dos oceanos

Após atuar em novelas na Rede Globo, Patrícia Furtado de Mendonça decidiu estudar teatro na Itália, mas se conectou com a salvação dos oceanos e passou a fazer parte de projetos da Unesco e Pacto Global da ONU Brasil. Hoje ela também é fundadora da Acqua Mater

Por Marina Filippe
Publicado em 05/07/2022 07:00
Última atualização em 05/07/2022 15:31

Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Aos 19 anos, Patrícia Furtado de Mendonça tinha uma vida que muitos podem imaginar ser o ideal de sucesso ao estrelar a novela Pedra sobre Pedra, da Rede Globo, no papel de Daniela Pontes. Mas, para ela, algo faltava. E foi com esse sentimento que Patrícia mudou para Itália para estudar teatro. "Queria fazer cursos onde ninguém me conhecesse e eu pudesse me entender melhor", disse em entrevista à EXAME. O que ela não esperava, contudo, é que essa experiência mudaria os rumos de sua carreira e a conectaria com o mar de modo a ser uma de seus defensores.

"Sempre tive amor pelas águas, avancei nos estudos e entendi a nossa conexão profunda com os oceanos. Hoje atuo na defesa dos mares por meio da arte e conscientização das pessoas", diz a fundadora da Acqua Mater e parceira de entendidades como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Pacto Global da ONU Brasil. Veja a seguir a entrevista completa.

Receba gratuitamente a newsletter da EXAME sobre ESG. Inscreva-se aqui

Como a experiência nas artes à levou para a luta pelos oceanos?

O oceano faz parte da minha vida porque nasci no Rio de Janeiro e sempre tive amor pelas águas. Mas foi mas morando na Itália durante doze anos que minha conexão com o tema cresceu. Eu havia trabalhado como atriz da Rede Globo no Brasil e mudei de país porque precisava, em 1993, entender se eu queria continuar na carreira ou não.

Aos 20 anos comecei a estudar na Faculdade de Letras e Filosofia de Bolonha e permancei próxima ao teatro praticando exercícios de experiências corporais. Isto permitiu que eu me aproximasse de uma pesquisa conduzida por francês sobre a origem do movimento e da vida, especialmente em uma parte sobre nossas memórias aquáticas, já que todos nós nascemos num mar interno, o ventre da nossa mãe.

Isto me levou a compreender a conexão emocional e física tão profunda com o oceano, e avancei nos estudos do mar como origem da vida. Assim, comecei a me relacionar com o que hoje conhecemos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como foi possível levar o tema dos mares no ambiente acadêmico também para o corporativo?

Ao voltar para o Brasil eu queria continuar na vida acadêmica relacionando água e ciências humanas. Mas, ao chegar ao Rio de Janeiro, comecei a trabalhar em uma ONG que procurava uma coordenadora de projetos para educação ambiental por meio da arte. O projeto impactou 100 mil crianças e 10 mil professores da rede pública de cinco municipios do Rio de Janeiro.

A empresa de energia que patrocinou o projeto gostou do meu trabalho e assim fui para a companhia na área de sustentabilidade e responsabilidade social, que naquela época estava começando. Me vi num trabalho com uma escala maior por meio da empresa. Esse foi o início também das minhas alianças com iniciativas como o Pacto Global da ONU e outras organizações, por exemplo.

E empreender já fazia parte dessa jornada?

Em 2010 começou uma ânsia pelo empreendedorismo, mas só em 2016 tive um crise profissional que me fez perceber que eu estava interpretando, traduzindo e coordenando projetos em função de outros. Ali me reconectei com a minha pesquisa, e busquei o que eu mais amo na vida: o mar.

Desde que fundei a Acqua Mater, em 2017, vieram convites para palestras, livros e eventos internacionais. Já em 2019 nasce minha relação mais direta com a Unesco a partir de um painel organizado pela Fundação Grupo Boticário sobre cultura ocêanica, onde me conheci pessoas que, mais tarde, me convidaram para participar de workshops sobre cultura ocêanica para o desenvolvimento sustentável e para o setor privado.

A ideia da Unesco é evoluir a cultura oceânica nas escolas, empresas e governos ao fazer relações com clima, perda de biodiversidade, emissões de carbono, etc. A Acqua Mater faz parte de programas da Unesco e me trazem para momentos como a Conferência dos Oceanos, em Lisboa, Portugal.

O setor privado brasileiro está envolvido com a preservação dos mares?

O Brasil tem uma atuação forte na área do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, de água e saneamento, mas ainda tem um espaço para crescer na pauta do oceano.

Tenho participado de muitos eventos globais em que empresas estão falando de projetos inovadores para cuidar da água e da utilização do mar como fonte de oportunidade e geração de novos modelos de negócios.

O Brasil ainda está acordando na conexão de oceano e clima e, se pensarmos nas costa que temos e na importância do setor privado é um mundo de oportunidades para avançar nos indicadores ESG, carbono azul e mais.

Leia também

Conferência dos Oceanos termina com 700 compromissos

1/3 do plástico produzido no Brasil pode chegar aos oceanos, mostra estudo


Veja Também