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Por trás dos vegetais congelados, a líder Grano quase zerou o descarte de resíduos

Com 40% do mercado nacional e 96% de resíduos reaproveitados, companhia investiu R$ 24 milhões na agricultura familiar em 2025: "Ser sustentável é ser eficiente", diz CEO à EXAME

CEO da Grano Alimentos, Fernando Giansante: "A agenda ESG não é paralela, ela orienta todas decisões estratégicas do negócio" (Divulgação)

CEO da Grano Alimentos, Fernando Giansante: "A agenda ESG não é paralela, ela orienta todas decisões estratégicas do negócio" (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 16 de abril de 2026 às 18h15.

Última atualização em 17 de abril de 2026 às 09h17.

Quando o assunto é sustentabilidade no setor alimentício, os números da Grano Alimentos chamam atenção: 96% dos resíduos gerados em suas operações foram reaproveitados ou reciclados em 2025.

O dado está no relatório de sustentabilidade divulgado em primeira mão à EXAME e não é fruto de uma iniciativa isolada e sim de uma estratégia que combina gestão de resíduos, treinamento de colaboradores e uma cadeia de fornecedores alinhada a critérios socioambientais rigorosos.

Fundada há mais de duas décadas na Serra Gaúcha, a companhia se consolidou como uma das líderes no mercado brasileiro de vegetais congelados, com cerca de 40% de participação no setor.

"Ser sustentável é ser eficiente", destaca o CEO da companhia, Fernando Giansante, ao explicar que a agenda ESG não é paralela e sim orienta todas decisões estratégicas do negócio.

Sob sua gestão desde 2018, a empresa avançou na diversificação do portfólio, com aquisições como a da Gerônimo, voltada ao segmento plant-based.

Hoje, entre seus produtos líderes estão o brócolis, couve-flor, ervilha e mix de legumes, categorias que acompanham a crescente demanda por alimentação saudável e acessível.

Na prática, o que sobra da fábrica não vai para o lixo. Resíduos orgânicos do processamento de vegetais são enviados para compostagem e retornam ao campo como adubo. Papéis e plásticos são reciclados, óleos passam por rerrefino, e componentes de lâmpadas e eletrônicos são recuperados.

No fim do dia, uma parcela mínima segue para aterros industriais licenciados, em conformidade com a legislação.

Mas a estratégia vai além dos muros da fábrica. A Grano homologa fornecedores que priorizem tecnologias de reciclagem e reaproveitamento, opera com logística reversa de embalagens finais e mensura cada etapa do processo.

O objetivo é transformar resíduos em matéria-prima, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.

"Crescer, para nós, significa gerar valor compartilhado: para o meio ambiente, sociedade e toda cadeia", defende o CEO.

Esse movimento acompanha uma tendência global. O mercado de alimentos congelados, estimado em centenas de bilhões de dólares, segue em expansão impulsionado pela busca por conveniência e alimentação saudável. Nesta corrida, surge um interesse maior por empresas que combinam escala e práticas sustentáveis.

Agricultura familiar no centro do negócio 

O impacto social também tem peso no relatório. Em 2025, a Grano destinou R$ 24,3 milhões à agricultura familiar e mantém mais de 100 produtores integrados à sua cadeia produtiva.

Mais de 40% desses produtores têm relação com a empresa há mais de cinco anos, um indicador que reflete não só fidelidade comercial, mas a consistência de um modelo baseado em parceria de longo prazo.

Por meio do programa Cultivando Parcerias, a companhia atua em três frentes junto aos produtores: assessoria técnica especializada, suporte administrativo e capacitação em boas práticas ESG.

"Acreditamos que nosso papel vai além da produção de alimentos. Quando promovemos capacitação, inclusão e troca de conhecimento, fortalecemos não só o campo, mas toda a comunidade ao nosso redor", afirma Michele Lopes, diretora de Sustentabilidade da Grano.

O impacto já é visível: 105 instituições foram beneficiadas por iniciativas sociais da empresa, beneficiando mais de 52 mil pessoas, com doação de 13,5 toneladas de vegetais congelados e o equivalente a mais de 33 mil porções.

A companhia também prevê investimentos superiores a R$ 40 milhões até 2026 para fomentar a agricultura familiar, com recursos atrelados à emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de caráter social.

Descarbonização da indústria  

Segundo o CEO, a agenda ESG da Grano está incorporada à sua estratégia de crescimento, com governança estruturada, metas monitoradas e reporte alinhado a padrões internacionais como GRI e ODS.

Em 2025, a companhia também reduziu em 6,58% as emissões de gases de efeito estufa nos escopos 1 e 2, em linha com um plano de descarbonização que prevê reduções graduais até 2033.

Em gestão hídrica, criou um comitê dedicado ao tema e estabeleceu meta de reduzir em 5% o consumo de água potável até 2030.

O desafio, segundo o CEO, não é só interno, mas sim de toda cadeia. "Existe um desafio importante de atuar como agente de desenvolvimento, apoiando e engajando parceiros ao longo de toda a jornada, especialmente no universo agrícola", ressalta.

É nesse contexto que a Grano estrutura sua expansão aliando aumento de eficiência e impacto positivo na cadeia de valor. "Não queremos perder de vista o que nos trouxe até aqui", diz Fernando.

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