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Por que o feminino é tão relevante neste novo mundo orientado pelo ESG?

Melhores práticas ambientais, sociais e de governança passam essencialmente por elas: o papel da liderança feminina é um diferencial para essa grande necessidade de reaprendizagem organizacional
Presença feminina ajuda empresas a ter um olhar mais sistêmico e com senso de responsabilidade e propósito | Foto: Klaus Vedfelt/Getty Images (Getty Images/Klaus Vedfelt)
Presença feminina ajuda empresas a ter um olhar mais sistêmico e com senso de responsabilidade e propósito | Foto: Klaus Vedfelt/Getty Images (Getty Images/Klaus Vedfelt)
Por Elisa Tawil*Publicado em 04/07/2021 08:30 | Última atualização em 04/07/2021 08:55Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Uma revolução silenciosa que atende por uma sigla de apenas três letras e que promete ser referência para aqueles que querem prosperar em seus mercados daqui em diante: ESG.

O termo, que vem do inglês Environmental, Social, and Governance (Governança socioambiental), está carregado de significados e atitudes que serão sentidos não só no dia-a-dia corporativo como no fluxo de caixa e na reputação das empresas.

Aprenda como compreender os princípios que estão transformando o mundo: ESG com a EXAME Academy

Justificar uma maior presença de mulheres em cargos de liderança pela lucratividade não é assunto novo. Estudo feito em 2019 sobre diversidade conduzido pela consultoria McKinsey & Company, comparando gênero e dados financeiros, mostrou que as companhias que possuem pelo menos uma mulher em seu time de executivos são mais lucrativas.

Isso porque essas empresas têm 50% mais chance de aumentar a rentabilidade e 22% de crescer a média da margem Ebitda.

O ESG vai impactar a dinâmica corporativa e incorporar, no dia-a-dia, ações que vão muito além da lucratividade. É a atitude sendo valorizada, ao lado dos cifrões.

Quem não se adaptar será substituído, como evidenciaram os prognósticos da principal empresa de dados para o mercado financeiro, a Bloomberg, que anunciou o seu mais recente índice de igualdade de gênero, o Gender Equality Index (GEI), seguindo a esteira de movimentações do mercado por transparência de informações relacionadas à governança socioambiental.

Daí a relevância do papel feminino nesta nova etapa do universo corporativo.

O "mercado por elas" vai obrigar os setores a pensarem de forma mais flexível, afinal, nós entendemos de jornada híbrida. O trabalho remoto vem sendo praticado pelas mulheres há décadas, seja de dentro das empresas, gerindo e administrando os lares, seja de dentro de casa, organizando as múltiplas atividades invisibilizadas e não remuneradas.

O que índices e indicadores como o GEI e ESG trazem como diferencial é justamente a visibilidade do papel e contribuição das mulheres na escala da lucratividade.

Por exemplo, para uma empresa pontuar no GEI, os fatores avaliados foram desde o compromisso em atrair, reter e desenvolver mulheres para posições de liderança até igualdade de remuneração e paridade salarial de gênero, políticas de assédio sexual e posicionamento de marca pró-mulheres.

Ou seja, na linguagem daqueles que investem, "o que você faz na prática passa a valer mais do que o que você traz como resultados".

Em entrevista exclusiva para esta coluna na EXAME Invest, a sócia-fundadora da consultoria Pares, Alda Marina Campos, relembra que "práticas são processos já em curso". E faz o alerta: "Antes de pensarmos nesses processos, precisamos olhar para a identidade e para as relações de uma organização. Para alcançar tais práticas, empresas precisam que seus líderes revisem sua mentalidade e forma de olhar para as relações do negócio com todas suas partes interessadas (ou stakeholders) em sua cadeia de valor, parceiros internos e externos".

No mercado delas, as ações do dia-a-dia ganham visibilidade e o "como você faz" para atingir seus resultados passa a ter métricas de performance para orientar a decisão de quem investe e quer resultados além do lucro.

Em sua rede social, o escritor e palestrante Simon Sinek, conhecido pelo seu best-seller "Comece pelo Porquê" ("Start With Why"), compartilhou um vídeo cujo título é "As empresas não existem para ganhar dinheiro" (Businesses Do Not Exist to Make Money), no qual ele explica, por meio de um gráfico rabiscado em seu famoso flip chart, o caminho que percorremos para atingirmos os resultados.

De forma bem clara , Sinek mostra a diferença daqueles que entregam resultados custe o que custar e daqueles que chegam muito perto de atingir as metas, no entanto constroem uma jornada sustentável e deixam um legado consistente e alinhado com propósitos e valores sociais, ambientais e de governança – ESG.

"Quando líderes entendem que todas as relações de uma empresa são, simultaneamente, fontes potenciais de risco e de geração de valor, passa a ser natural ao processo decisório conhecer que impactos cada decisão pode causar, seja ele econômico, social, ambiental ou relacional", destaca Alda, que também representa a League of Intrapreneurs no Brasil.

Neste caminho em que iniciamos de um novo ponto de partida no contexto do caminhar para o pós-pandemia, ela reconhece que todos têm responsabilidade na mudança de uma cultura, "mas, se o acesso ao processo decisório e à informação não é inclusivo, aquele sistema não traduz na prática sua pluralidade, e principalmente seu lugar de potência criativa, pois trava seu potencial humano".

Nesse sentido, reforço também por aqui meu posicionamento junto a essa visão, de que não precisamos mais discutir se é necessário garantir a voz de lideranças femininas, assim como de demais grupos sub-representados. "A pergunta é: como cada organização irá escolher fazer sua caminhada evolutiva e aprender novos princípios e práticas?”

Na resposta para o como, o papel da liderança feminina é um diferencial principalmente para essa grande necessidade de reaprendizagem organizacional.

Ao questioná-la sobre como e por onde começar, a resposta de Alda está no relacionamento, com um "reboot" no olhar relacional da empresa com seus pares internos e externos. "Ao olhar para fora, ampliar o olhar além do risco, mas de real geração de valor recíproco e compartilhado: com fornecedores, parceiros, competidores, clientes, sociedade civil, governo, toda a natureza", me diz ela.

Repensar a governança e incluir essa lente ao estruturar e pautar conselhos e demais instâncias do processo decisório será vital, diz Alda Marina Campos: "A evolução para termos negócios melhores para o Brasil passará imprescindivelmente pelo desenvolvimento de lideranças com olhar mais sistêmico e com senso de responsabilidade por suas relações".

Ajudar no desenvolvimento desta liderança sistêmica e responsável é uma missão que assumo com você, caro leitor do “O Mercado por Elas”. Vamos juntos, incorporando na prática o que queremos ver como realidade em nosso mercado.

*Elisa Tawil é LinkedIn Top Voices e TEDxSpeaker. Mentora, consultora estratégica de negócios, podcaster pelo Vieses Femininos. Idealizadora e fundadora do movimento Mulheres do Imobiliário. Colunista na revista HSM, Imobi Report e EXAME Invest. Head de Growth e Onboarding Specialist na eXp Realty Brasil.