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Poluição por microplásticos favorece aquecimento global, diz pesquisa

Dados revelam que poluição invisível pode intensificar aquecimento, sobretudo em áreas com alto acúmulo de lixo

Efeitos climáticos e naturais também são capazes de favorecer o acúmulo dos resíduos plásticos (Getty Images)

Efeitos climáticos e naturais também são capazes de favorecer o acúmulo dos resíduos plásticos (Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 5 de maio de 2026 às 15h41.

Última atualização em 5 de maio de 2026 às 15h45.

Os microplásticos, já conhecidos pela poluição causada a oceanos, solo e ar, agora se tornam também uma ameaça para o aquecimento do planeta.

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Climate Change aponta que essas partículas menores de 5 milímetros são capazes de reter calor e contribuir para o aumento da temperatura.

Os cientistas descobriram que esses resíduos podem absorver a luz solar, uma vez que são tão leves que podem ser transportados pelo vento para diferentes regiões.

"O problema não está só nos nossos oceanos, mas também nos céus acima de nós", explica Hongbo Fu, coautor do estudo e cientista de atmosferas pela Universidade de Fudan, em Xangai. Para o pesquisador, a descoberta aponta que os modelos climáticos precisam ser atualizados para considerar também o impacto dos microplásticos.

A pesquisa identificou que a poluição plástica na atmosfera representa 16,2% da retenção de calor do carbono negro (liberado durante a queima de combustíveis fósseis), que é o segundo maior responsável para o aquecimento global, atrás apenas do CO2.

Calor e microplásticos

Embora o impacto seja pequeno em escala global, o estudo aponta que esse efeito pode ser maior em áreas com um grande volume de plástico, como o Oceano Pacífico. Lá, os microplásticos tiveram um impacto 4,7 vezes maior do que o carbono negro.

Apesar de pesquisas anteriores alertarem que o impacto das partículas ser pequeno porque o plástico branco é capaz de refletir a luz solar, os cientistas da Universidade de Fudan chegaram à informação de que a maior parcela dos plásticos é colorido, ou seja, pode reter calor.

Esse efeito é concentrado em regiões como a mancha de lixo do Pacífico, que se iguala ao tamanho do Texas, entre a Califórnia e o Havaí. A região conta com um acúmulo de 1,6 milhão de quilometros quadrados de resíduos marinhos, ou seja, cerca de 80 mil toneladas de lixo.

Efeitos climáticos e naturais também são capazes de favorecer o acúmulo dos resíduos plásticos, como um tufão em 2023 que aumentou em 51% a concentração de nanoplásticos na atmosfera.

Poluição plástica

Em um ano, uma pessoa chega a ingerir cerca de 50 mil partículas de microplásticos, conta que nem considera a exposição pela respiração. A estimativa é de um estudo da ONU, que afirma ainda que microplásticos já foram encontrados em todos os órgãos do corpo humano.

Na natureza, os microplásticos já foram do oceano até o topo do Everest. Pesquisas recentes indicam que a costa brasileira está acumulando microplásticos, com um levantamento mostrando que 69,3% das 1.024 praias brasileiras analisadas estavam poluídas por microplásticos.

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