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Pequenos Reatores Modulares (SMRs) no Brasil: uma alternativa em avaliação para o setor elétrico

Saiba o que são, os custos e o que falta para a nova fronteira da energia nuclear ganhar espaço no país

SMRs: tecnologia nuclear modular promete ampliar segurança e diversificar a matriz elétrica.

SMRs: tecnologia nuclear modular promete ampliar segurança e diversificar a matriz elétrica.

Publicado em 8 de abril de 2026 às 16h00.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 10h05.

A matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável, o que direciona a atual expansão energética para a busca por mais flexibilidade e confiabilidade operativa. Para diversificar o suprimento com uma geração contínua e de baixo carbono, o planejamento do setor estuda os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) como uma alternativa de longo prazo.

O que são os SMRs?

Os Pequenos Reatores Modulares, do inglês, Small Modular Reactors – SMRs, são reatores nucleares com capacidade típica de operação variando entre 20 e 300 Megawatts (MW). Para efeito de comparação, reatores nucleares tradicionais de grande porte costumam operar com capacidades em torno de 1000 a 1600 MW.

Diagrama exemplo de SMR. Fonte: United States Government Accountability Office

A grande revolução dos SMRs está em seu próprio nome: na "modularidade". Diferente das obras gigantescas e customizadas no local da usina, os SMRs são projetados para serem fabricados em linhas industriais e, em seguida, transportados para o local de instalação para a montagem.

Em termos de segurança, os SMRs são projetados justamente para serem mais seguros do que os reatores nucleares convencionais, principalmente por três razões: tamanho menor, sistemas de segurança passivos (sem intervenção humana) e design mais simples.

Os cenários indicativos oficiais de planejamento energético do Brasil consideram aumentar a capacidade de energia nuclear operante de 2 gigawatts (GW) em 2025 para cerca de 8 a 10 GW até o ano de 2050. Para embasar essa visão de longo prazo, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em parceria com o Idaho National Laboratory, realizou um estudo técnico e econômico do papel dos SMRs.

Nesse estudo, são destacadas quatro categorias tecnológicas de reatores:

  • SMRs resfriados a água: utilizam tecnologia baseada nos grandes reatores atuais, apresentando um grande potencial de chegada rápida ao mercado.
  • SMRs resfriados a gás (HTGR): capazes de gerar calor em altas temperaturas, o que os torna ideais não apenas para eletricidade, mas também para prover calor para a indústria.
  • Micro reatores: com capacidade ainda menor (abaixo de 20 MW), que por sua extrema modularidade, são ideais para áreas remotas ou indústrias isoladas.
  • SMRs movidos a tório: possibilidade baseada nas ricas reservas domésticas de tório brasileiras, o que poderia fortalecer a independência no ciclo do combustível.

Desafios Econômicos

A viabilidade comercial dos SMRs, no entanto, ainda esbarra na incerteza financeira. Como não há um histórico de produção em larga escala para esses novos designs, os custos reais permanecem incertos. O custo de investimento inicial estimado varia drasticamente na literatura, situando-se em uma ampla faixa de US$ 5.000 a US$ 13.000 por quilowatt elétrico instalado (kWinst), dependendo da tecnologia.

O setor busca equilibrar custos, segurança e sustentabilidade. Assim que a tecnologia provar sua competitividade comercial, os SMRs poderão possivelmente integrar a expansão da matriz elétrica brasileira.

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