Para as petroleiras, vitória de Trump é boa notícia. Mas, por pouco tempo

Os dois candidatos à presidência americana têm projetos completamente opostos para o setor de petróleo. No longo prazo, Biden é melhor

Uma vitória do democrata Joe Biden nas eleições americanas, marcadas para a próxima terça-feira, fará a produção de petróleo dos Estados Unidos encolher em 1,1 milhão de barris por dia, até 2024. Uma das promessas de Biden é acabar com operações petrolíferas em terras federais. “A maior parte do petróleo americano vem de propriedades privadas, mas, existem alguns poços importantes em terras do governo”, afirma Rene Santos, analista da consultoria Standard & Pool Plats, responsável pela região da América do Norte. “O Golfo do México e o estado do Novo México seriam os mais afetados.” 

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No cenário em que Donald Trump seja eleito, e mantenha tudo como está hoje, a produção de petróleo dos Estados Unidos chegará a cerca de 12 milhões de barris por dia, no mesmo período. Para as petroleiras americanas, a reeleição de Trump é um cenário mais amigável, visto que interromper as perfurações em terras federais é apenas uma das muitas mudanças que Biden propõe para o setor de energia. 

Os cenários projetados pelos analistas da Standard & Pool Plats para cada candidato são absolutamente distintos. Biden não apenas deve alterar o direcionamento interno do setor petroleiro, como deve promover mudanças significativas na política externa. O exemplo mais claro está na postura em relação a dois grandes produtores de petróleo, que atualmente estão impossibilitados de negociar em larga escala: a Venezuela e o Irã.

Barack Obama, democrata que antecedeu Trump na presidência, negociou um acordo com os iranianos que prometia colocar o país de volta no mercado. O atual presidente reverteu a medida. Na Venezuela, um governo democrata, provavelmente, reduzirá as sanções contra Nicolás Maduro, inimigo número 1 dos republicanos na América Latina. Certamente, o afrouxamento nas sanções interferirá no preço da commodity, que deve se manter num patamar baixo por mais tempo. 

Para as principais petroleiras dos Estados Unidos, Exxon e Chevron, o risco é maior. Há uma distinção clara entre as estratégias das duas americanas e as das grandes europeias -- Shell, Total e BP. Também por uma questão de cenário doméstico, as europeias estão acelerando a transição para as fontes renováveis de energia. A BP, por exemplo, prometeu reduzir a produção de petróleo e gás em 40% ao longo da próxima década e multiplicar por 20 a produção de energia renovável. 

Do lado americano, o melhor exemplo da distinção estratégica é a Exxon. A petroleira dobrou a aposta no petróleo. O presidente da companhia, Darren Woods, recentemente, enviou um e-mail aos funcionários fazendo uma ampla defesa dos combustíveis fósseis, chamando-os de “propósito superior” que ajuda a prosperidade global em um momento em que rivais europeias veem as energias renováveis como o futuro.

Em parte, o fato da União Europeia estar forçando a transição para a economia de baixo carbono, com o recém-lançado Green Deal, que prevê cerca de 600 bilhões de euros em investimentos, motiva essa discrepância de estratégias. 

A questão é que há praticamente um consenso na indústria de que essa transição, em algum momento vai acontecer. A dúvida está em quanto tempo, 10, 20 ou 30 anos. No cenário mais breve, as europeias estarão melhor posicionadas, no mais longo, elas devem perder alguma receita, enquanto as americanas aproveitarão por mais tempo a dominância do petróleo como principal fonte de energia do mundo. A vitória de Biden também interferirá nesse ponto, uma vez que o democrata tende a ter uma postura mais parecida com a dos europeus em relação à transição para a nova economia. 

Para Dan Klein, responsável pelas análises de longo prazo da Standard & Pool Plats, é justo dizer que a vitória de Trump, para as petroleiras, é melhor no curto prazo. Olhando para o horizonte, Biden obrigará as companhias americanas a se posicionar melhor para a transição energética que, invariavelmente, acontecerá. “O mercado de petróleo não vai acabar. O desafio é prever em quanto tempo ele perderá relevância”, diz Klein. É o antigo dilema entre crescimento acelerado e crescimento sustentado.  

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