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Países assinam acordo para empresas de aviação neutralizarem emissão de carbono até 2050

Segundo companhias aéreas, mudança implica investimento de R$ 8 trilhões no período

Aviação: Representantes de 193 países assinam acordo para alcançar neutralidade em carbono até 2050 (David McNew/Getty Images)

Aviação: Representantes de 193 países assinam acordo para alcançar neutralidade em carbono até 2050 (David McNew/Getty Images)

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Agência O Globo

8 de outubro de 2022, 10h19

A Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês), agência das Nações Unidas, anunciou nesta sexta-feira um acordo para que o setor alcance a neutralidade de carbono até 2050. Representantes dos 193 países-membros reunidos para a assembleia da entidade, com sede em Montreal, chegaram a "um acordo histórico sobre uma ambiciosa meta coletiva de longo prazo de neutralidade de carbono até 2050", publicou a organização no Twitter.

"É um resultado excelente", disse uma fonte diplomática europeia à AFP, especificando que "apenas quatro países, incluindo a China, expressaram reservas".

O papel do transporte aéreo é fundamental na crise climática. Atualmente responsável por entre 2,5% e 3% das emissões globais de CO2, o setor encontra dificuldade em mudar para a energia renovável, mesmo que a indústria da aviação e as empresas de energia estejam trabalhando duro neste intuito.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) disse que as companhias aéreas estão sendo "fortemente encorajadas" a adotar a meta climática, um ano depois que a organização endossou a mesma posição em sua própria assembleia geral.

"Esperamos iniciativas políticas muito mais sólidas em áreas-chave de descarbonização, como o incentivo à capacidade de produção sustentável de combustível de aviação", disse o diretor geral da Iata, Willie Walsh.

Segundo as companhias aéreas, criar uma aviação livre de emissões de carbono implica um investimento de R$ 8 trilhões entre 2021 e 2050.

"A comunidade global da aviação saúda este acordo histórico", afirmou o brasileiro Luis Felipe de Oliveira, diretor do Conselho Internacional de Aeroportos, que representa 1.950 aeroportos em 185 países. "Este é um momento decisivo no esforço para descarbonizar o setor de aviação, já que governos e indústria estão agora se movendo na mesma direção, com uma estrutura política comum."

Acordo não vinculante

O acordo, no entanto, ficou aquém de satisfazer algumas organizações não governamentais, que lamentaram o fato de o mesmo não ter ido suficientemente longe e que não seja juridicamente vinculante. Os aviões atraem críticas particularmente duras porque apenas cerca de 11% da população mundial voa a cada ano, de acordo com um estudo de 2018 amplamente citado. Além disso, metade das emissões das companhias aéreas vem do 1% dos principais viajantes, disse ele.

"Este não é o momento para o acordo de Paris da aviação. Não vamos fingir que uma meta não vinculativa reduzirá as emissões de carbono da aviação a zero", criticou Jo Dardenne, da ONG Transporte e Meio Ambiente.

O ativista também expressou decepção com os ajustes considerados pelos delegados ao programa de redução e compensação de carbono do setor, conhecido como Corsia. Durante a reunião de 10 dias, a Rússia também buscou, mas não conseguiu, votos suficientes para ser reeleita para o conselho de governo da organização da ONU, responsável por garantir o cumprimento dos regulamentos da aviação.

Moscou foi acusada de violar as regras internacionais ao não devolver centenas de aviões que alugou, conforme exigido pelas sanções impostas após a invasão da Ucrânia em fevereiro. Esta foi a primeira Assembleia Geral da Icao desde o início da pandemia de covid-19, que levou a indústria da aviação ao limite financeiro.

Em 2021, o número de passageiros aéreos foi apenas metade dos 4,5 bilhões de 2019, um aumento de 60% em relação a 2020. O setor espera em 2022 atingir 83% de seu número de passageiros de três anos atrás e voltar a ser lucrativo em 2023.