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As ilhas de Tuvalu, no Pacífico, enfrentam o avanço do oceano — e podem desaparecer nas próximas décadas (Getty Images/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 29 de abril de 2026 às 19h00.
Última atualização em 29 de abril de 2026 às 20h42.
"Os países ricos e poderosos têm capacidade de compra para garantir seus ingressos e embarcar na Arca. Países como Tuvalu, com capacidade muito limitada, são deixados para nadar do lado de fora", declarou em uma alusão bíblica o Ministro do Meio Ambiente de Tuvalu, Maina Vakafua Talia, durante a primeira conferência global sobre o fim dos combustíveis fósseis, em Santa Marta, na Colômbia.
Uma das nações mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas, Tuvalu foi anunciado como a próxima sede da segunda edição do evento que busca uma saída para o petróleo, gás e carvão.
Com apenas cerca de 26 quilômetros quadrados de massa terrestre, o arquipélago de nove ilhas no Pacífico enfrenta a ameaça concreta de desaparecer pelo avanço do nível do mar acelerado pelo aquecimento global.
O território está a apenas cinco metros acima do nível do oceano, com projeções nada otimistas de que seja "engolido" pelas águas nas próximas décadas. Diante disso, o governo chegou a construir uma "nação digital" no metaverso para preservar sua cultura, tradições e memória coletiva.
O encontro no Caribe colombiano foi convocado pela própria Colômbia e Países Baixos e marca o início do chamado "Processo de Santa Marta", um espaço político dedicado exclusivamente a uma nova era sem combustíveis fósseis.
Diferente das negociações tradicionais das COPs do clima da ONU, onde só se avança com o consenso total, desta vez o foco é em avançar em roteiros nacionais dos mais de 50 países interessados na transição energética.
Em tom crítico, o ministro apontou a distância entre promessas e ações efetivas.
"Não estamos aqui por falta de conhecimento. Estamos aqui porque nos falta ação e vontade", frisou Talia.
O líder também destacou a necessidade de medidas urgentes para reduzir emissões de metano provenientes da queima dos fósseis, argumentando que esse é um "caminho imediato para benefícios climáticos e de saúde", e que deveria ser tratado como peça central de qualquer agenda de transição.
No coração do movimento de Tuvalu está ainda a proposta de um novo instrumento internacional vinculante para gerenciar a oferta e a demanda de combustíveis poluentes de forma coordenada, com mecanismos claros de responsabilização.
"É algo que as negociações climáticas tradicionais têm sistematicamente evitado enfrentar", acrescentou.
A segunda conferência terá o apoio dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento do Pacífico (PSIDS), de governos do Sul Global, da sociedade civil, de comunidades indígenas, de representantes da saúde, de organizações trabalhistas e de grupos religiosos.
O anúncio também foi respaldado pela "Chamada de Tasiriki", compromisso coletivo do Pacífico com a transição para longe dos combustíveis fósseis.
Talia concluiu que a jornada entre as duas edições deve "priorizar a continuidade e canalizar o impulso em progressos concretos" rumo a 2027.